Conheça as cidades que mais exportam na região
Números de cidades menores surpreendem as sedes de regiões administrativas e mostram o potencial comercial do interior de São Paulo com grande diversificação de produtos vendidos ao exterior
ANTÔNIO CRISPIM – ARARAQUARA
A balança comercial brasileira vem sofrendo mudanças devido ao aumento das importações e redução de preço de determinados produtos que alavancavam as vendas para o exterior. O Estado de São Paulo, maior exportador do país, é também e maior importador. No acumulado dos oito primeiros meses do ano, São Paulo teve déficit na balança comercial de – US 4.441,9 bilhões, resultado de US 45.452,2 bilhões de exportação e US$ 49.894,1 bilhões de importações. No entanto, várias cidades do Estado apresentam resultado motivo e mostram a força econômica do interior. Muitas superam as cidades-sede de regiões administrativas.
A reportagem do portal nossacidade.online fez um amplo levantamento em regiões da área de interesse. As regiões de Araçatuba, Bauru e Central (Araraquara e São Carlos) têm expressivo movimento no comércio exterior.
MUNICÍPIOS
De acordo com o levantamento da reportagem, as cidades mais exportadoras do estado são: Santos (1° lugar no estado e 3° no Brasil), São Paulo (2°/3°), São Bernardo do Campo (3°/11°), Piracicaba (4°/17°), São José dos Campos (5°/18°), Ilha Bela (6°19°), Guarulhos (7°/24°), Sorocaba (8°/31°), São Sebastião (9°/36°) Pindamonhangaba (10°/39°)

ESTADOS
A reportagem levantou também os estados que mais exportam no Brasil. São Paulo e Rio de Janeiro lideram.

REGIÕES
A economia do interior do Estado de São Paulo é bastante diversificada. Cada região tem as suas próprias características, mas o destaque nas exportações são os produtos do agronegócio. Mas há exceções, como Gavião Peixoto, São Carlos (Região Central) e Birigui, na região de Araçatuba.
REGIÃO CENTRAL – A Região Administrativa – RA Central é composta por 26 municípios, que ocupam 11.093,30 km2 ou 4,46% do território paulista. Sua privilegiada posição geográfica propicia a utilização de um sistema viário multimodal, composto por rodovias, ferrovias e um grande número de vias secundárias, para se relacionar economicamente com outras regiões do Estado e do país.

Os principais municípios exportadores são:
Matão – Nos primeiros oito meses do ano o município de Matão exportou US$ 877,66 milhões e importou US$ 37,95 milhões, tendo saldo da balança comercial de US 839,71 milhões. Ocupa o 12° no ranking estadual de exportações e 53° no Brasil. Os principais produtos de exportação são sucos de frutas (80%) e importa sementes de frutas, esporos para sementeira (24% do total). O principal parceiro comercial são os Estados Unidos, com 35,5% dos negócios).
Gavião Peixoto – O pequeno município de Gavião Peixoto é o segundo colocado na Região Central. Exportou US$ 490,52 e importou US$ 582,44 milhões, tendo saldo negativo de US$ 91,92 milhões. É o 21° no ranking do Estado e 97° no Brasil. A exportação de aviões e helicópteros reponde por 91% das vendas para o exterior. Partes de aviões representam 55% das importações. Os Estados Unidos, com 72% do total, são os maiores parceiros comerciais.
Araraquara – No mesmo período Araraquara exportou US$ 425,99 milhões e importou US$ 55,79 milhões, registrando saldo positivo de US$ 370,2 milhões. O município está em 25° no ranking das exportações do estado e 112° no Brasil. A exportação de suco de frutas representa 65% do tal vendido ao exterior e os mais importados são filés de peixe e outros, com 15% do total. O principal parceiro comercial são os Estados Unidos, com 34,3% do total negociado.
São Carlos – O município de São Carlos, conhecido pelo seu potencial educacional na área tecnológica, exportou US$ 328,51 milhões e importou US$ 403,18 milhões, registrando saldo negativo na balança comercial de US$ 74,67 milhões. São Carlos é o 33° colocado no ranking estadual e 132° no brasileiro. O principal item de exportação é motor de pistão (explosão), com 28% de participação e importa peças e materiais para motor. O maior parceiro são os Estados Unidos, com 22,3 de participação nos negócios internacionais.

ARAÇATUBA – RA de Araçatuba é composta por 43 municípios, que ocupam 18.558,91km2 ou 7,47% do território estadual (248.219,63km2). A maioria dos municípios da RA tem características rurais e possui população próxima a 10 mil habitantes. Birigui e Araçatuba são os municípios mais ricos e apresentam a maior proporção de área urbana densamente povoada, são os únicos com mais de 100 mil habitantes.
Andradina – Com pouco mais de 60 mil habitantes, Andradina é o maior exportador da região. Nos oito primeiros meses exportou US$ 316,01 milhões e importou apenas US$ 1,79 milhão, tendo saldo da balança comercial de US$ 314,22 milhões. É o 34° no ranking paulista de exportadores e 139° no brasileiro. A carne bovina congelada representa 55% das exportações e o material para embalagem representa 42% das importações. Com 43,8% do total negociado com o exterior, a China é o principal parceiro comercial.
Araçatuba – No período de oito meses Araçatuba exportou US$ 52,7 milhões e importou US$ 54,2, registrando saldo negativo da balança comercial de US$ 1,5 milhão. O município é está em 128° no ranking paulista e 527° no brasileiro. Açúcares são os principais produtos exportados, com 44% e caseína responde por 22% das importações. Com 29,3% dos negócios, o Reino Unido é o principal parceiro nos negócios exteriores.
Guararapes – Em oito meses, Guararapes exportou US$ 41,55 milhões e importou apenas US$ 300 mil, tendo saldo da balança comercial de US$ 41,24 milhões. Está em 145° no ranking paulista de exportadores e 585 no Brasil. Tripas bovinas, bexiga e estômago bovino representam 42% das exportações, enquanto máquinas para agricultura representam 42% das importações. O Irã é o maior parceiro, com 10,5% dos negócios.
Birigui – No mesmo período de oito meses Birigui exportou US$ 29,15 milhões e importou 21,72 milhões, tendo saldo positivo de US$ 7,44 milhões. O município está em 172° lugar no ranking paulista e 676° no brasileiro. Motores e conversores elétricos representam 53% das exportações. Laminados planos e liga de aço representam 44% das importações. Com 42% do volume negociado, os Estados Unidos é o maior parceiro comercial.

Bauru – RA de Bauru é composta por 39 municípios e ocupa 16.206,09km2 ou 6,52% do total do território do Estado. O transporte ferroviário é tradição regional e uma das alavancas do desenvolvimento. Em sua direção oeste, permite o acesso à Bolívia, ao Paraguai, e ao norte da Argentina, mas o sistema está comprometido devido à quase desativação da Malha Oeste e, a leste, aos portos de Santos e de Paranaguá.
Lençóis Paulista – Nos oito primeiros meses do ano o município de Lençóis Paulista liderou as exportações na RA de Bauru, com US$ 757,84 milhões e importações de US$ 34,522 milhões, registrando saldo positivo de US$ 723 milhões. O município está em 14° lugar no ranking paulista e 62° no brasileiro. O principal produto exportado é pasta química de madeira, com 84% do volume e importa máquinas e aparelhos para o trabalho da pasta de papel, com 24%. A China é o principal parceiro comercial com 81% do volume total.
Lins – No mesmo período, Lins exportou US$ 617,37 milhões e importou US$ 26,6 milhões, com saldo da balança comercial de US$ 590,77 milhões. O município está em 18° lugar no ranking paulista e 81° no brasileiro. Carne bovina congelada representa 38% das exportações e importação de produtos laminados planos de ferro ou aço não ligado, com 29% do total. O maior parceiro comercial é a China com 37,8%.
Promissão – O município exportou US$ 384,91 milhões e importou US$ 6,46 milhões, com saldo de US$ 378,44 milhões. Está em 28° no ranking paulista e 118° no ranking brasileiro. Exporta carne bovina congelada – 91% e importa filé de peixe, 76%. A china, com 67,8% dos negócios externos, é o maior parceiro comercial.
Bauru – Nos oito primeiros meses do ano Bauru exportou US$ 133,76 milhões e importou US$ 73,65 milhões, com saldo positivo de US$ 60,11 milhões. Está em 64° no ranking estadual e 268° no brasileiro. Exporta carne bovina congelada (32%) e importa aparelhos de mecanoterapia, aparelhos de massagem (18%). Filipinas é o maior parceiro comercial com 27,6%.
BRASIL
A desvalorização de diversas commodities (bens primários com cotação internacional) e o aumento das importações decorrentes da recuperação da economia fizeram o superávit da balança comercial (exportações menos importações) despencar em agosto. Em julho, o país exportou US$ 4,828 bilhões a mais do que importou, queda de 49,9% em relação ao mesmo mês de 2023 e o pior resultado para agosto desde 2017, com superávit de US$ 4,547 bilhões.
Com o resultado de agosto, o superávit comercial nos oito primeiros meses do ano atinge US$ 54,079 bilhões. O montante é 13,4% inferior ao do mesmo período de 2023, mas é o segundo melhor para o período na série histórica, que mede as estatísticas do comércio externo desde 1989.
Em relação ao resultado mensal, as exportações caíram, enquanto as importações dispararam, impulsionada por gás natural e bens de capital (bens usados na produção). Em agosto, o Brasil vendeu US$ 31,101 bilhões para o exterior, recuo de 6,5% em relação ao mesmo mês de 2023. As compras do exterior somaram US$ 21,468 bilhões, alta de 13%.
Do lado das exportações, a queda no preço internacional da soja, do milho, do ferro, do aço e do açúcar foram os principais fatores que provocaram a queda no valor vendido. As vendas de alguns produtos, como café e celulose, subiram no mês passado, compensando a diminuição de preço dos demais produtos.
Do lado das importações, as aquisições de medicamentos, motores, máquinas, adubos e fertilizantes químicos subiram. A maior alta, no entanto, foi relacionada ao gás natural, cujo valor comprado aumentou 339,4% em agosto na comparação com agosto do ano passado. O Brasil importou 144,9% a mais em volume do combustível, com preço 79,4% mais alto na mesma comparação.
Setores
No setor agropecuário, a queda na quantidade pesou mais na redução das exportações. O volume de mercadorias embarcadas caiu 11,8% em agosto na comparação com o mesmo mês de 2023, enquanto o preço médio caiu 8,7%. Na indústria de transformação, a quantidade caiu 5,2%, com o preço médio subindo 3,1%, refletindo a crise econômica na Argentina, o maior comprador de bens industrializados do Brasil. Na indústria extrativa, que engloba a exportação de minérios e de petróleo, a quantidade exportada caiu 2,4%, enquanto os preços médios recuaram 5,9%.
Estimativa
Segundo o diretor de Estatísticas e Estudos de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), Herlon Brandão, o encolhimento no saldo da balança reflete principalmente volumes menores de exportações de soja e minério de ferro, além da alta nas importações.
Em julho, o governo tinha revisado para cima a projeção de superávit comercial para 2024. A estimativa subiu de US$ 73,5 bilhões para US$ 79,2 bilhões, queda de 19,9% em relação a 2023. Na previsão anterior, de abril, a queda estava estimada em 25,7%. A próxima projeção será divulgada em outubro.
