Especialista fala sobre a promiscuidade no mercado de pesquisas e a influência sobre o eleitor
Com mais de três décadas de atuação na área e participação de trabalhos em todo o país, o consultor político Peter Abreu, 53 anos, afirma que o próprio mercado seleciona os melhores institutos e que apenas 3% dos eleitores se deixam influenciar pelo resultado de pesquisas.
ANTÔNIO CRISPIM – ARAÇATUBA
Nos últimos dias os institutos de pesquisas eleitorais foram assunto em Araçatuba e cidades da região, além de motivo para ações na justiça, com sentenças favoráveis e desfavoráveis. Diante da polêmica que envolve pesquisas com resultados tão divergentes, a reportagem do portal nossacidade.online procurou o consultor político e profissional de marketing, Peter Abreu, com mais de 30 anos de atuação no mercado, para falar sobre o assunto. Com duas empresas – Ipep Pesquisas e ABR Inteligência –, Peter Abreu conquistou o mercado nacional e foi direto ao ponto. Disse que as divergências nos números são resultado da promiscuidade no mercado de pesquisas. Além disso, foi bastante claro ao afirmar que apenas 3% dos eleitores se deixam influenciar pelo resultado das pesquisas. “Em uma disputa acirrada, isso pode fazer a diferença”, disse ele, frisando que a percepção de vitória de determinado candidato é mais preponderante para o eleitor migrar o voto. Ou seja, muitos eleitores querem votar em quem pode ganhar.
Segundo Peter Abreu, atualmente as pesquisas mais comuns são de intenção de voto. Mas no período de pré-campanha, é muito comum a realização de pesquisas qualitativas com o objetivo de entender o comportamento dos eleitores e também entender as imagens que eles têm sobre os pré-candidatos. “Trabalhamos muito com pesquisa de avaliação de governos, pesquisas focadas para entender a percepção em problemas do serviço público, principalmente focados nas questões mais sensíveis para a população, como saúde, educação, infraestrutura, segurança pública entre outras análises. Trabalhamos bastante também com pesquisas de mercado. Principalmente pesquisa para viabilidade de investimentos e avaliação de satisfação de clientes. Nós nos especializamos na área de supermercado”, disse Peter Abreu, frisando que realizou pesquisas para investimentos de uma rede local de Araçatuba. Todas as lojas novas do Supermercado Rondon (Cobrac, Ipanema e Concórdia) foram definidas após pesquisas.
INDICES DIVERGENTES
“Em relação aos índices divergentes, eu falo que todos precisam ficar atentos, porque infelizmente, no momento pré-eleitoral, aparecem institutos do nada, que você nunca ouviu falar, divulgando pesquisas. Infelizmente isso tem acabado por atrapalhar muito o nosso segmento. Nunca aceitei manipulação de dados de pesquisa e perdi clientes por isso”, disse o consultor político, frisando que “é um mercado extremamente promíscuo”. “Mas estas empresas também têm vida curta. Ficam no máximo no mercado até oito anos e depois desaparecem e depois reaparecem novamente com outro nome”, disse.
Segundo Peter Abreu, a população não acredita em pesquisa, principalmente quando você tem dados divergentes. Além disso, quando se observa a tentativa de manipulação da opinião pública. “O eleitor tem que ficar atento. Não existe confiança quando você tem resultados divergentes. Precisamos ficar atentos quando o instituto não tem experiência, ou seja, não é um instituto que já passou por outras eleições tento acertado resultados ou não. Nas nossas pesquisas, para cada 100, temos uma margem de erro se seis. Isso é normal. É estatístico. O pessoal tem que entender também que a pesquisa não é para prever resultado. O foco dela é analisar o momento em que está sendo realizada. Por isso, hoje não divulgo pesquisa. Meu foco é atender meus clientes”, garantiu Peter Abreu. “Nosso foco é tentar mudar o resultado das eleições. Com informações privilegiadas, você consegue mudar a sua estrutura, sua estratégia de marketing de campanha para tentar um pouco a cabeça do eleitor”, acrescentou.
INFLUÊNCIA DAS PESQUISAS
Quanto à influência das pesquisas na decisão do eleitor, Abreu disse que é muito pouco. “No máximo 3% dos eleitores são influenciados por pesquisas eleitorais. “Costumo dizer o voto do eleitor é influenciado pelo que chamamos de sentimento de vitória ou expectativa de vitória. Às vezes o eleitor vai votar em alguém, mas tem a impressão de que outro vau vencer. Essa sensação de vitória tem um peso muito maior do que os números das pesquisas”, enfatizou o consultor político.
DECISÃO PROFISSIONAL
Após mais de duas décadas de trabalho, desde 2012 Peter Abreu decidiu não divulgar pesquisas. “Fui procurado na eleição passada e na atual por candidatos e veículos de comunicação, mas indiquei outros institutos”, disse Peter Abreu. Nesta eleição ele está acompanhando o processo eleitoral em quase 100 municípios paulistas, pois, como consultor de larga experiência, tem muitos clientes com interesse nas disputas, seja de forma direta ou indireta. Por isso, continua fazendo pesquisas, mas o trabalho é apenas para nortear estratégias de campanha.
Para Peter Abreu, não seria ético ter cliente em uma determinada cidade e divulgar uma pesquisa. Desta forma, prefere manter-se fiel aos seus compromissos com os clientes que o acompanham há muitos anos. “Este ano tive que abrir mão de trabalhos fora do estado de São Paulo para atender apenas clientes em cidades paulistas. Por isso decidi não mais divulgar pesquisas. O trabalho é feito para nortear estratégias de campanha”, finalizou Peter Abreu.
