Opinião

Fidelidade aos princípios do bolsonarismo

O lema do ex-presidente Jair Bolsonaro, “Deus, pátria e família”, embora usado o longo do mandato, ganhou força durante a campanha eleitoral de 2022. O apelo foi tão forte, que muitos candidatos ligados ao bolsonarismo também o usaram na campanha de 2024. O lema foi largamente usado pelo movimento Integralista Brasileiro e acabou ficado associado à direita. Bolsonaro e sua equipe souberam explorar bem este lema, como se a fé em Deus, o amor à pátria e em defesa da família fossem princípios apenas de seus aliados e não de expressiva parcela da população brasileira, mesmo daqueles que não partilham do mesmo ideal político. Em Araçatuba, o então candidato Lucas Zanatta incorporou a mensagem do bolsonarismo. No governo, não agiu diferente.

 

Princípios mantidos no governo

O caráter religioso foi mantido no governo Zanatta. Ele fez uma oração durante a posse e a vice-prefeita, Maria Ionice é católica praticante. Logo, muitos dos convidados para ocupar cargo em comissão têm relação com religião. Isso não é demérito. Pelo contrário, é normal que pessoas do círculo mais próximo sejam convidadas para o governo. Igualmente, muitos dos nomeados aparecem em movimentos da direita, mantendo a fidelidade aos princípios bolsonaristas. Por fim, o que chama a atenção é a questão da família. Óbvio que a grande a maioria dos brasileiros defende os princípios da família. Porém, não se imaginava que no governo atual de Araçatuba o termo “família” ganharia outra dimensão. Ou seja, estão sendo nomeados casal, cunhado, irmão e outros familiares. Da mesma forma, neste vínculo de proximidade, amigos de pessoas com poder dentro do governo estão sendo convidadas, mesmo sem qualquer contato ou vínculo com o prefeito Lucas Zanatta. No final, todo o peso de tais nomeações recai sobre o prefeito. E ele já sabe disso.

 

Dois pesos e duas medidas

Para os princípios do prefeito Lucas Zanatta, vereador indicar ocupante de cargo comissionado é corrupção. Isso ele deixou muito claro em entrevista a uma rádio de Araçatuba. E repetiu a afirmação mais de uma vez. Dentro deste princípio, o que foi a nomeação do senador Ciro Nogueira, presidente nacional do PP, para a chefia da Casa Civil no governo de Jair Bolsonaro e outros nomes indicados para o ministério nos governos passado e atual? Foi corrupção? Foi corrupção o governo estadual nomear o presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab para a Secretaria de Governo e Relações Institucionais e também outros nomes das secretarias que foram indicados por grupos políticos? No regime democrático é comum o governo de coalizão, com partidos que estiveram ao lado do candidato eleito, participarem do governo. Corrupção é quando o acordo não é feito com base no interesse coletivo, mas apenas para satisfazer pequenos grupos ou quando os indicados são obrigados a dividir o salário com quem os indicou. A prática não é segredo para ninguém em Araçatuba, mas covardemente ou por interesse, a maioria, mesmo os honestos e com princípios, se calam.

 

Custos de campanha

A reforma eleitoral proibiu a doação de empresas às campanhas eleitorais. Mas permite que pessoa física possa fazer doação, mas dentro de alguns parâmetros. Isso não impede de empresários bem abastados encherem os cofres de campanhas de forma indireta ou via caixa dois. Todos sabem que a Justiça Eleitoral não tem como avaliar os custos reais de uma campanha. A fiscalização fica restrita aos documentos apresentados. Mera formalidade. Enquanto isso, custos deixam de ser contabilizados e pagos com dinheiro também não oficializado. O ex-prefeito Dilador Borges Damasceno chegou a dizer em entrevista que “queimou” duas fazendas para se eleger prefeito. Isso mostra que ele extrapolou os limites impostos de gastos para as campanhas ou as fazendas valiam muito pouco.

 

Legalidade de moralidade

Para quem segue rígidos preceitos de seriedade, ética, moralidade e legalidade, como o prefeito de Araçatuba, Lucas Zanatta, fica difícil entender como foram nomeadas para cargos comissionados pessoas que fizeram doação para a campanha ou quem doou e não quis um cargo, prefere indicar pessoas de sua confiança. É melhor ser padrinho de indicados do que assumir os riscos de um cargo. Isso é moral? É ético? Difícil entender quais são os parâmetros de moralidade e legalidade.

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