Conselho Federal de Odontologia orienta sobre causas, prevenção e opções de terapias para lesões bucais recorrentes
DA REDAÇÃO – SÃO PAULO
A maioria das pessoas já teve aftas em algum momento da vida. Essas úlceras dolorosas, que dificultam a alimentação e até a fala, são um dos problemas bucais mais comuns. Pensando nisso, o Conselho Federal de Odontologia (CFO), em parceria com os Conselhos Regionais, divulgou orientações sobre causas, evolução e principais tratamentos para as lesões, conhecidas no meio científico como Estomatite Aftosa Recorrente (EAR).
Segundo o secretário do CFO, Roberto de Sousa Pires, as aftas podem aparecer em diferentes regiões da boca — língua, gengiva, bochechas, lábios internos e palato — e, em geral, desaparecem espontaneamente em até 14 dias, sem deixar cicatrizes. “Apesar do desconforto, são lesões inofensivas. O organismo tende a curá-las sozinho, mas medidas de tratamento podem acelerar a cicatrização e reduzir a dor, sempre com orientação de um cirurgião-dentista”, explica.
Causas multifatoriais
A cirurgiã-dentista Celi Novaes Vieira lembra que o surgimento das aftas envolve múltiplos fatores: predisposição genética, alterações hormonais, estresse, ansiedade, traumas na cavidade oral, doenças sistêmicas (como Crohn e celíaca), além de deficiências nutricionais. O consumo exagerado de alimentos ácidos e duros também pode aumentar a recorrência.
Tipos de aftas
-
Menores: representam 85% dos casos, cicatrizam em até 14 dias e não deixam marcas.
-
Maiores: correspondem a 10% das ocorrências, são mais dolorosas, profundas e podem deixar cicatrizes.
-
Herpetiformes: cerca de 5% dos casos, caracterizadas por múltiplas pequenas úlceras agrupadas, que podem se unir e formar lesões maiores.
Tratamentos disponíveis
Entre as opções terapêuticas recomendadas estão:
-
Terapias tópicas: corticosteroides em pomadas ou elixires, analgésicos locais e antissépticos bucais.
-
Terapias sistêmicas: uso de corticoides e, em casos mais graves, imunossupressores como ciclosporina ou colchicina.
-
Laserterapia: aplicação de laser de baixa intensidade, que acelera a cicatrização e reduz a dor.
-
Controle de doenças associadas: como reposição de ferro, vitamina B12 e tratamento de enfermidades sistêmicas.
Prevenção e cuidados
Não há uma fórmula única para evitar aftas, mas medidas simples ajudam: manter boa higiene oral, ajustar próteses ou aparelhos para evitar traumas, adotar alimentação equilibrada, controlar estresse e ansiedade e evitar alimentos que desencadeiem as lesões.
“O papel do cirurgião-dentista é essencial, tanto para o tratamento quanto para a prevenção, já que em alguns casos as aftas podem estar relacionadas a outras doenças que precisam ser investigadas”, conclui Pires.






