Sábado, 26 de setembro de 2026
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Alunos de escola no Parque Infantil caminham sobre “passarela” de fezes de pássaros em Araraquara

Acúmulo de dejetos no caminho de acesso ao CER “Leonor Mendes de Barros” expõe falha na rotina de limpeza de uma das principais praças da cidade; problema também atinge áreas usadas para caminhadas

Fezes parque infantil

Na sexta-feira (25), principal acesso ao CER esrava tomado por fezes de pássaros. Crédito: Antônio Crispim

Um espaço que deveria oferecer condições adequadas para receber diariamente crianças, pais, professores e moradores convive com um problema tão visível quanto desagradável. O acúmulo de fezes de pássaros em corredores da Praça Major Abel Fortes, o tradicional Parque Infantil, obriga alunos e familiares a atravessarem trechos tomados pelos dejetos para chegar ao Centro de Educação e Recreação (CER) “Leonor Mendes de Barros”.

Em determinados pontos, a quantidade é tamanha que o caminho se transforma em uma verdadeira “passarela” de fezes de aves.

O problema não está escondido em uma área isolada da praça. Ocorre justamente em locais de circulação de pessoas, inclusive no trajeto utilizado por crianças que frequentam uma das instituições de educação infantil mais tradicionais de Araraquara.

Um dos principais espaços verdes da cidade

A Praça Major Abel Fortes é um dos maiores e mais importantes espaços públicos arborizados de Araraquara. Com aproximadamente quatro hectares, possui grande diversidade de árvores e é frequentada diariamente por moradores que utilizam o espaço para caminhadas, corridas e atividades físicas.

É também no interior da praça que funciona o CER “Leonor Mendes de Barros”, instituição com mais de oito décadas de história e reconhecida como a primeira escola infantil de Araraquara. A presença da unidade educacional ajudou, inclusive, a consolidar o nome pelo qual a área é popularmente conhecida: Praça do Parque Infantil.

Apesar da relevância histórica, ambiental, educacional e esportiva, a conservação do espaço deixa a desejar quando o assunto é limpeza.

Limpeza não acompanha o acúmulo

A grande arborização favorece a presença de diferentes espécies de aves. Trata-se de uma característica natural do espaço. O problema não é a presença dos pássaros, mas a necessidade de o poder público adaptar a frequência e a forma de higienização à realidade do local.

Há pontos onde a limpeza é realizada com maior regularidade. Na lateral da Rua Professor Jorge Correia, próximo aos sanitários, por exemplo, o funcionário responsável pelo local faz a higienização diariamente.

Em outros corredores, porém, a situação é diferente.

Um caminhão-pipa da Prefeitura também é utilizado para jogar água e retirar os dejetos de determinados trechos, amenizando o problema. A limpeza, entretanto, não alcança todos os pontos e não ocorre diariamente em todas as áreas onde há concentração de fezes.

O resultado pode ser visto no chão: pais e crianças precisam desviar dos dejetos ou simplesmente passar sobre eles para acessar a escola.

Crianças levam sujeira nos calçados

Além do evidente problema de conservação de um espaço público, a situação merece atenção especial porque envolve crianças pequenas.

Ao pisarem nos dejetos, os alunos podem carregar o material nos calçados para outros ambientes. Crianças também podem tocar inadvertidamente nos sapatos e, posteriormente, levar as mãos ao rosto, olhos ou boca.

Por isso, a situação exige mais do que limpezas esporádicas. A concentração frequente de aves em determinados pontos torna necessária uma rotina permanente de higienização, especialmente nos acessos à unidade escolar e nos corredores de maior circulação.

Acúmulo de dejetos exige cuidados

A preocupação com o acúmulo de fezes de aves não é apenas estética.

O Ministério da Saúde informa que fungos do gênero Cryptococcus, causadores da criptococose, podem ser encontrados em fezes de aves, principalmente de pombos. A exposição humana ocorre pela inalação dos fungos presentes no ambiente. O próprio Ministério recomenda que locais com acúmulo de fezes sejam umidificados durante a limpeza para evitar a dispersão de partículas no ar.

Outro fungo, o Histoplasma capsulatum, causador da histoplasmose, pode estar associado a solos e ambientes enriquecidos por excrementos de aves ou morcegos. A infecção ocorre principalmente pela inalação de partículas do fungo presentes no ambiente.

Isso não significa que os dejetos encontrados no Parque Infantil estejam contaminados ou que alunos tenham contraído alguma dessas doenças. Não há informação sobre análise do material nem registro apresentado à reportagem de pessoas infectadas em razão da situação encontrada na praça.

O alerta é para a necessidade de prevenção e de uma higienização adequada, sobretudo em um espaço utilizado diariamente por crianças.

Cartão-postal precisa de cuidado diário

A presença das aves faz parte do ambiente arborizado e não pode servir como justificativa para que corredores permaneçam cobertos por dejetos.

Em uma praça que reúne escola infantil, equipamentos públicos, áreas de caminhada e intensa circulação de moradores, a limpeza precisa acompanhar a demanda produzida diariamente.

No caso do acesso ao CER “Leonor Mendes de Barros”, a questão é ainda mais sensível. Crianças não deveriam precisar escolher onde pisar para chegar à escola.

A Prefeitura precisa estabelecer uma rotina de limpeza capaz de impedir que a “passarela” de fezes volte a se formar todos os dias.

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