Antas, lobos-guarás, onças-pardas e jaguatiricas estão entre os animais silvestres encontrados em uma reserva natural mantida pela CESP (Companhia Energética de São Paulo) em Brasilândia, no leste de Mato Grosso do Sul.
Um levantamento realizado pelo Programa de Monitoramento de Fauna da companhia já identificou 113 espécies na Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) Cisalpina.
Com 3.857 hectares preservados, a unidade está localizada na área de influência da Usina Hidrelétrica Porto Primavera e reúne ambientes de Cerrado, Mata Atlântica do Interior e áreas úmidas da planície do Rio Paraná.
Entre os animais catalogados estão espécies emblemáticas como a anta (Tapirus terrestris), o lobo-guará (Chrysocyon brachyurus), a onça-parda (Puma concolor), a jaguatirica (Leopardus pardalis), a arara-canindé (Ara ararauna) e o chora-chuva-preto (Monasa nigrifrons).
Segundo a CESP, esses registros incluem espécies com algum grau de ameaça de extinção nas listas oficiais consideradas pelo levantamento.
Reserva abriga 91 espécies de aves
O monitoramento começou no segundo semestre de 2025 e terá oito campanhas. Três delas já foram concluídas.
Até agora, foram identificadas 91 espécies de aves, 12 de mamíferos, oito de anfíbios e duas de répteis.
A diversidade é atribuída ao mosaico ambiental existente na Cisalpina, onde diferentes ecossistemas se encontram e oferecem condições para abrigo, alimentação e reprodução da fauna.
“A Cisalpina é um santuário para a fauna silvestre e uma reserva estratégica para o futuro do Cerrado”, afirma o gerente de Sustentabilidade da companhia, Odemberg Veronez.
Segundo ele, os 3.857 hectares da reserva estão inseridos em uma área de proteção permanente de aproximadamente 17 mil hectares. Somadas outras áreas preservadas, o conjunto ultrapassa 21 mil hectares conservados.
“Esse território oferece abrigo para espécies ameaçadas, como mostra o resultado parcial desse estudo, e ajuda a manter o equilíbrio de toda a região”, acrescenta.
Anta está entre espécies vulneráveis
Entre os animais encontrados, a anta apresenta o status de conservação mais crítico destacado pelo levantamento, sendo considerada Vulnerável (VU) nas avaliações nacional e internacional citadas pela companhia.
O lobo-guará, um dos símbolos dos ambientes abertos do Cerrado, também aparece como Vulnerável nas avaliações mencionadas no estudo.
A presença da onça-parda, classificada como Quase Ameaçada (NT) conforme o levantamento divulgado pela CESP, também chama atenção.
Grandes predadores estão entre os animais acompanhados pelo programa, que busca compreender a ocupação e o comportamento da fauna dentro da área preservada.
Câmeras registram animais sem interferência
Para descobrir quais animais utilizam a reserva, os pesquisadores empregam diferentes técnicas.
O trabalho combina pontos de escuta, transectos, busca ativa, armadilhas fotográficas e registros ocasionais.
Até agora, foram aproximadamente 1.483,5 horas de esforço amostral, incluindo o funcionamento contínuo das câmeras instaladas na área.
As armadilhas fotográficas permitem registrar principalmente mamíferos sem a necessidade da presença constante de pesquisadores, reduzindo a interferência sobre o comportamento dos animais.
O trabalho é realizado por uma equipe de biólogos especializados em fauna, responsável pela identificação das espécies encontradas.
Monitoramento continuará até 2027
O Programa de Monitoramento de Fauna tem como objetivo acompanhar a biodiversidade existente na unidade de conservação e produzir informações para orientar ações de proteção e manejo.
“Esse acompanhamento fortalece a gestão ambiental e contribui para a proteção desse patrimônio natural”, afirma Veronez.
Segundo ele, os dados ajudam a compreender a relação entre as espécies e os diferentes ambientes existentes na reserva.
Das oito campanhas previstas, três foram concluídas. As demais serão realizadas até 2027.
Com a continuidade do levantamento, a expectativa é ampliar o conhecimento sobre a fauna da RPPN Cisalpina e avaliar a efetividade das ações de conservação desenvolvidas nesse território preservado às margens da região do Rio Paraná.






