Quarta-feira, 30 de setembro de 2026
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Araçatuba e Araraquara somam 80 manifestações de intenção de doar órgãos

Araraquara registra 49 solicitações e Araçatuba, 31; autorização é gratuita, feita pela internet e permite formalizar a vontade de ser doador

Doação de órgão

Ferramenta para formalizar a intenção de doar foi lançada em 2024. Crédito: ilustração

Araçatuba e Araraquara somam 80 manifestações formais de intenção de doar órgãos registradas por meio da Autorização Eletrônica de Doação de Órgãos (AEDO), serviço disponibilizado pelos Cartórios de Notas.

De acordo com os dados divulgados pelos cartórios, Araraquara contabiliza 49 solicitações, enquanto Araçatuba tem 31 desde o lançamento da ferramenta, em 2024.

No Estado de São Paulo, já foram realizadas 9.399 solicitações, o maior número do País. Na sequência aparecem Paraná, com 3.818; Rio de Janeiro, com 2.930; Minas Gerais, com 2.172; e Rio Grande do Sul, com 2.012.

A AEDO já registra manifestações em todas as unidades da Federação.

Mais de 49 mil aguardam transplante

A possibilidade de registrar formalmente a intenção de ser doador ganha importância diante do número de pessoas que aguardam por transplantes no Brasil.

Dados do Ministério da Saúde citados pelo Colégio Notarial do Brasil – Seccional São Paulo (CNB/SP) apontam que mais de 49 mil pessoas estão na fila por um transplante no País, sendo cerca de 45 mil à espera de um rim.

Somente na fila por uma córnea estão 37.719 pessoas, segundo levantamento do Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO), número 15% superior ao registrado em dezembro de 2025.

“São Paulo concentra a maior quantidade de manifestações do país. O dado mostra a capacidade de alcance da AEDO, mas também reforça que ainda há muito espaço para informar a população e estimular conversas familiares capazes de transformar intenção em doação efetiva”, afirma Ana Paula Frontini, presidente do CNB/SP.

Recusa das famílias chega a 45%

Apesar das manifestações feitas em vida, a decisão da família continua sendo fundamental para que a doação seja realizada.

No Brasil, a retirada de órgãos após a morte depende da concordância dos familiares, mesmo quando a pessoa manifestou anteriormente o desejo de ser doadora.

Atualmente, segundo os dados divulgados pelo CNB/SP, a taxa média de recusa familiar está próxima de 45%.

Entre os motivos apontados estão justamente o desconhecimento sobre a vontade do potencial doador, além de dúvidas e receios relacionados ao procedimento.

Por isso, além de registrar formalmente a decisão, é importante que a pessoa converse com seus familiares e deixe clara a intenção de ser doadora.

Documento pode ser feito de casa

A Autorização Eletrônica de Doação de Órgãos permite que qualquer cidadão deixe formalmente registrada sua decisão.

Criada pelo Colégio Notarial do Brasil – Conselho Federal (CNB/CF), por meio da plataforma e-Notariado, e regulamentada nacionalmente pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), a AEDO é gratuita e totalmente digital.

O cidadão pode especificar quais órgãos, tecidos ou partes do corpo deseja doar.

Como fazer a autorização

O procedimento é realizado integralmente pela internet. O interessado acessa a plataforma da AEDO, preenche seus dados e escolhe um Cartório de Notas para realizar o procedimento.

Na sequência, participa de uma videoconferência com o tabelião para confirmação da identidade e da manifestação de vontade.

Depois da assinatura eletrônica, o documento passa a integrar a Central Nacional de Doadores de Órgãos, onde pode ser consultado por profissionais autorizados do Sistema Nacional de Transplantes.

A autorização pode ser feita de casa, sem comparecimento presencial ao cartório, e pode ser revogada a qualquer momento.

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