Sexta-feira, 25 de setembro de 2026
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Golpe do ‘falso delegado’: investigação de Araçatuba chega ao Sul e aponta mais de 100 possíveis vítimas em SP

Operação Salmoneus saiu de dois inquéritos da Polícia Civil de Araçatuba e avançou por cidades do Rio Grande do Sul e Santa Catarina; prejuízos relacionados aos casos investigados podem superar R$ 1 milhão

Preso na Operação

Polícia informou que foram presas 11 pessoas durante. a operação; cinco das quais já estavam no sistema prisional. Crédito: Divulgação Polícia Civil

Uma investigação conduzida pela Polícia Civil de Araçatuba contra o chamado golpe do “falso delegado” avançou nesta quinta-feira (24) para o Rio Grande do Sul e Santa Catarina e revelou a possível dimensão de um esquema de extorsão virtual com vítimas em diferentes cidades paulistas.

A Operação Salmoneus, deflagrada pela 1ª Delegacia de Investigações Gerais (DIG), da Deic/Deinter-10 de Araçatuba, tinha inicialmente como objetivo o cumprimento de 10 mandados de prisão temporária. Ao final das diligências, segundo o delegado José Abonizio, 11 pessoas foram alcançadas por mandados de prisão.

A diferença ocorreu porque, durante uma das buscas, os policiais localizaram um homem que não estava entre os dez alvos dos mandados temporários, mas contra quem havia um mandado de prisão decorrente de condenação definitiva no Rio Grande do Sul.

A operação cumpriu ainda 15 mandados de busca em diferentes municípios gaúchos. Também houve uma busca em Tijucas, Santa Catarina.

As investigações partiram de dois inquéritos policiais em tramitação em Araçatuba e apuram crimes de extorsão praticados por meio da internet.

Mais de 100 boletins podem ter ligação com investigados

O levantamento feito durante a investigação ampliou significativamente a dimensão inicialmente conhecida do caso.

Segundo Abonizio, a Polícia Civil identificou cerca de 100 boletins de ocorrência somente no Estado de São Paulo que podem ter relação com os grupos investigados.

Em uma das associações criminosas investigadas, formada por quatro pessoas, foram encontrados 61 boletins de ocorrência nos quais os suspeitos podem ter envolvimento. Em outro núcleo relacionado aos presos, foram localizados mais de 40 registros.

Vai passar de 100 vítimas só no Estado de São Paulo que a gente conseguiu detectar.

Delegado José Abonisio

A existência dos boletins, entretanto, ainda será confrontada com as provas reunidas nos inquéritos para estabelecer a participação de cada investigado nos diferentes episódios.

Prejuízo pode passar de R$ 1 milhão

Outro dado que chama a atenção é o impacto financeiro.

De acordo com o delegado, considerando os mandados cumpridos e os boletins de ocorrência identificados durante os levantamentos, os prejuízos podem ultrapassar R$ 1 milhão.

A Polícia Civil agora trabalha para individualizar as condutas e estabelecer quais ocorrências estão efetivamente relacionadas aos grupos investigados.

Golpe começa com perfil de mulher nas redes sociais

A investigação aponta um método estruturado para abordar as vítimas.

Segundo a Polícia Civil, integrantes do esquema criavam perfis falsos de mulheres jovens e procuravam principalmente homens de mais idade nas redes sociais.

A conversa avançava até a troca de informações particulares e mensagens de conteúdo íntimo.

Era então que surgia uma segunda personagem.

Outro integrante entrava em contato com a vítima se apresentando como delegado de polícia e alegava existir uma investigação relacionada à mulher com quem o homem havia conversado.

A partir dessa falsa ocorrência policial, começavam as exigências de dinheiro.

Segundo Abonizio, os valores eram cobrados sob a promessa de que, mediante pagamento, a suposta investigação não teria prosseguimento.

Em outras palavras, a própria situação criada pelos golpistas servia para provocar medo na vítima e abrir caminho para a extorsão.

Investigação aponta atuação a partir de presídios

Um dos aspectos mais relevantes da investigação é que, conforme a Polícia Civil, parte das ações teria sido comandada de dentro do sistema prisional gaúcho.

A apuração aponta que presos participariam tanto da criação dos falsos contatos quanto da etapa em que integrantes do grupo assumiam o papel do suposto delegado.

Dos dez alvos dos mandados de prisão temporária, cinco já estavam recolhidos em presídios.

Nesses casos, equipes da administração penitenciária do Rio Grande do Sul realizaram buscas nas unidades e deram cumprimento às novas ordens judiciais.

Um dos alvos tentou fugir

A operação previa dez prisões temporárias, mas terminou com 11 pessoas alcançadas por mandados.

Segundo José Abonizio, durante uma das buscas os policiais chegaram a um endereço relacionado a um investigado cuja qualificação ainda não estava completa.

Ao perceber a presença policial, o homem teria tentado fugir, mas foi capturado.

Durante a checagem, constatou-se que havia contra ele um mandado de prisão decorrente de condenação definitiva expedido pela Justiça gaúcha.

Com isso, além dos dez alvos da investigação de Araçatuba, houve uma 11ª prisão.

Operação percorreu cidades do Rio Grande do Sul

As diligências mobilizaram equipes em diferentes regiões gaúchas.

Foram cumpridas buscas em Charqueadas, Fontoura Xavier, Itapuca, Soledade, Paim Filho, Pelotas, São Leopoldo, Sapucaia do Sul, Novo Hamburgo, Campo Bom e Porto Alegre.

Também houve cumprimento de busca em Tijucas, Santa Catarina.

Por causa da dispersão dos alvos, os presos estão sendo encaminhados para diferentes unidades no Rio Grande do Sul.

A ação contou com policiais da Deic de Araçatuba que viajaram para o Sul e com apoio das forças policiais gaúchas.

Policiais de Araçatuba acompanharam operação no Sul

Equipes da Polícia Civil de Araçatuba estavam no Rio Grande do Sul antes da deflagração da operação para realizar levantamentos e acompanhar o cumprimento dos mandados.

No território gaúcho, a ação foi coordenada pelo Deic do Rio Grande do Sul, com participação da Core e de equipes da Draco em diferentes cidades.

José Abonizio destacou a colaboração das forças gaúchas e citou a participação do diretor do Deic-RS, João Paulo de Abreu, além dos delegados Casanova e Bolivar e das equipes responsáveis pelas diligências em Pelotas, Soledade e outras cidades.

Investigação continua

A Operação Salmoneus é resultado de dois inquéritos conduzidos em Araçatuba e a apuração não termina com as prisões.

A Polícia Civil deverá agora analisar o material apreendido durante as buscas e aprofundar o cruzamento das informações com os mais de 100 boletins de ocorrência identificados em São Paulo.

O objetivo é determinar quantas vítimas foram atingidas, qual foi o prejuízo efetivamente causado e qual teria sido a participação de cada investigado.

As prisões temporárias também não representam condenação. Os investigados permanecem sujeitos às etapas da investigação e do processo judicial, com direito à defesa.

O que começou com casos de extorsão investigados em Araçatuba levou a polícia a uma operação interestadual e à suspeita de que o golpe do “falso delegado” possa ter atingido mais de uma centena de vítimas somente no Estado de São Paulo.

Equipe se prepara para iniciar a operação no Rio Grande do Sul. Crédito: Polícia Civil
Policiais. ouvem as instruções para iniciar cumprimento de mandados. Crédito: Polícia Civil
Todos os detalhes foram observados para cumprimento dos mandados. Crédito: Polícia Civil
Parte do material apreendido. Crédito: Polícia Civil
No total 11 pessoas foram presas. Crédito: Polícia Civil
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