Decisão aponta indícios de compra de votos, uso de dinheiro e articulação com grupo criminoso; Dunga e mais três agora são reús
ANTÔNIO CRISPIM – ARAÇATUBA
A Justiça Eleitoral aceitou a denúncia do Ministério Público contra o ex-vereador Antônio Edwaldo Dunga Costa e outras três pessoas por suposto envolvimento em um esquema de corrupção eleitoral e ligação com organização criminosa em Araçatuba.
A decisão é do juiz eleitoral Rodrigo Marzola Colombini, que considerou haver indícios suficientes para abertura da ação penal.
Além do parlamentar, também se tornaram réus Paulo Giovane de Aguilar Carvalho, Elmo Fábio Hernandes Ferraz e Maria Helena Soares da Silva.
Esquema envolvia compra de votos e facção criminosa
Segundo a denúncia, os investigados teriam atuado em um esquema estruturado para obter votos por meio de vantagens indevidas, como dinheiro, favores e benefícios administrativos.
De acordo com o processo, o grupo também teria ligação com uma facção criminosa, responsável pelas ações na conhecida “Esquina Maluca”, que atuaria na influência do processo eleitoral local.
A acusação aponta que o ex-vereador seria o principal beneficiário do esquema, com apoio direto de aliados na articulação e execução das ações.
Conversas, PIX e benefícios entram como provas
A decisão judicial destaca uma série de elementos considerados relevantes na fase inicial do processo, entre eles:
-
Interceptações telefônicas com diálogos sobre compra de votos
-
Transferências via PIX, incluindo repasse de R$ 1 mil
-
Distribuição de vales-combustível
-
Promessas de interferência em multas e órgãos públicos
Também há menção a uma condenação anterior que ligaria um dos acusados à organização criminosa, reforçando a conexão apontada pelo Ministério Público.
Justiça vê indícios, mas não julga culpa
Na decisão, o juiz ressalta que ainda não há condenação, mas sim a existência de “justa causa” para o andamento da ação penal.
Ou seja, foram identificados indícios mínimos de crime e autoria que justificam a abertura do processo.
Com isso, os acusados deverão ser citados e terão prazo de 10 dias para apresentar defesa.
Próximos passos
A ação agora segue para a fase de instrução, quando serão analisadas provas, ouvidas testemunhas e apresentados os argumentos das defesas.
Somente ao final desse processo a Justiça decidirá se os réus são culpados ou inocentes.
Outros envolvidos
Parte das investigações integra ações da Operação Ligações Perigosas,que já resultpu na denúncia de mais cinco pessoas, entre os quais omédico Filipe Fornari, que foi candidato a prefeito de Araçatuba. Agora já são. nove reús nestes duas ações.
Investigação conduzida no âmbito de Procedimento Investigatório Criminal instaurado pelo GAECO inicialmente apurava a atuação de organizações criminosas ligadas ao tráfico de drogas no bairro São José, em Araçatuba. Durante as diligências, incluindo interceptações telefônicas e outras medidas cautelares autorizadas judicialmente, foi identificado um núcleo político que se valia da estrutura de grupos criminosos para obtenção ilícita de votos.
Segundo o Ministério Público, o então vereador promovia e financiava a organização criminosa conhecida como Esquina Maluca, grupo associado a integrantes da facção criminosa PCC, que atuava no controle territorial do tráfico de drogas na região do São José. Em troca do apoio eleitoral, havia promessa e concessão de vantagens indevidas, como intervenções administrativas, auxílio financeiro, custeio de advogados para integrantes do grupo criminoso e facilitação de acesso a serviços públicos. ( Com informações do MPSP)






