Terça-feira, 22 de setembro de 2026
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Pacientes e acompanhantes da região têm uma casa de amparo em Araçatuba

Com acolhimento humanizado, Casa de Apoio é referência para quem precisa descansar, e até mesmo pernoitar, se for necessário; usuários.

Pacientes e acompanhantes da região têm uma casa de amparo em Araçatuba

Com acolhimento humanizado, Casa de Apoio é referência para quem precisa descansar, e até mesmo pernoitar, se for necessário; usuários destacam a importância da iniciativa

DA REDAÇÃO – ARAÇATUBA

Quem precisa fazer um exame ou acompanhar um paciente em outra cidade sabe o quanto isso é difícil, penoso e oneroso. Agora, quando há necessidade de acompanhar um paciente internado, tudo fica ainda mais complicado. Araçatuba, por ser centro regional – a Santa Casa é referência em e média complexidade – recebe diariamente centenas de pacientes. É comum ver nas imediações da Santa Casa pessoas em bancos de praças ou em grupos. São pessoas que vêm de dezenas de cidades e muitos ficam o dia todo esperando o momento de retornar às suas cidades em veículos das prefeituras. Um quadro preocupante. Muitas vezes pacientes ainda em recuperação sem um local  adequado  para ficar. Essa dura realidade está mudando graças a uma iniciativa da Igreja Aliança de Amor.

Inspirada em princípios cristãos e de amor ao próximo, a Casa de Apoio é uma referência para estas pessoas, que têm um local que serve água, café, bolo, pão e leite. Na casa há muitas cadeiras para descanso e, se for o caso, há camas para quem precisa reposar enquanto espera o transporte. Tudo isso de graça e todo o trabalho é feito por voluntários da própria igreja. E tem mais, acompanhantes de  pacientes que não têm onde ficar, podem pernoitar. Há uma casa para homens e outra para mulheres. Tudo sem custo.  Quem quiser e puder, faz doações. 

O agricultor familiar Fábio Rodrigo da Costa, de Castilho, ficou semanas no local enquanto sua mulher estava internada se recuperando de um aneurisma e duas cirurgias. Magali Calandria Chiarelli, também de Castilho, está desde o dia 31 de julho, quando veio acompanhando um conhecido que sofreu um AVC (acidente vascular cerebral) e foi submetido a cirurgia. Ela está dividindo a casa com mais duas mulheres, Maria José Macedo de Souza, de Clementina (acompanha a mãe) e Luciana Dias dos Santos, de São Paulo, que acompanha o pai, residente em Pereira Barreto. Os pacientes estão internados na UTI (Unidade de Terapia Intensiva).

Como surgiu a ideia

A pastora Daniela Cristina Ribeiro dos Reis, coordenadora responsável pela Casa de Apoio

disse que a ideia surgiu “no coração” do pastor Valdiney Fabiano Cordeiro, presidente da Igreja Aliança de Amor. “Ele sempre observava várias pessoas que ficavam ali em volta da Santa Casa, muitas vezes no frio, chuva. Pessoas que vinham de outra cidade e tinham que aguardar o dia todo para retornar para suas cidades, ou até mesmo pernoitavam ali nos bancos do lado de fora”, disse a pastora Daniela. 

A primeira casa começou a funcionar em fevereiro, à Rua Oscar Rodrigues Alves, 1263. ”Mas a Casa ficou pequena e precisamos alugar outra devido à grande demanda de pessoas. Então alugamos também essa da Rua Tiradentes, 1218 onde agora é a Casa principal, pois é maior e mais espaçosa para acolher mais pessoas”, explicou a coordenadora, frisando que a casa da Rua Oscar Rodrigues Alves foi destinada à pernoite dos homens 

Segundo a pastora, não há limite diário de pessoas. “Vamos observando o fluxo que está dentro da Casa”, disse. 

“De segunda a sexta feira abrimos a Casa às 07h às 18h e temos voluntários neste período. Preparamos uma mesa com café, pães, bolo, chá, leite que fica posta durante todo o dia para as pessoas se servirem e também descansarem. No fim de semana, pode permanecer somente quem está pernoitando, deixamos a Casa abastecida com alimentos”, acrescentou. Para pernoite há disponibilidade de nove camas na casa maior (mulheres) e de cinco camas na casa menor (homens). “Não há limites de dias para permanência. Cada caso é um caso diferente e acolhemos conforme a necessidade de cada um. Já tivemos pessoas pernoitando na Casa por aproximadamente quase dois meses”, disse a pastora Daniela sobre o período de permanência nas casas. 

O foco da Casa de Apoio é acolher as pessoas para que elas possam descansar um pouco, tomar um café, e descansar até poder retornar para sua cidade. E nos casos de pernoites, fazem o possível para a Casa suprir todas as necessidades do hóspede.

Manutenção das casas 

De acordo com a pastora Daniela, o custo mensal é de aproximadamente R$ 4.500,00 para manter as duas casas, com as despesas fixas e variáveis. “Todos os recursos são doações e ajuda da nossa Igreja Aliança de Amor. Não temos funcionários. Temos uma escala de voluntários durante a semana, e eu na Coordenação geral da Casa de Apoio. Temos em torno de 25 voluntários fixos”, falou a pastora. 

As pessoas podem ajudar com doações de alimentos, produtos de higiene pessoal, produtos de limpeza e doações em pix na chave 18991459329. ASs maiores necessidades são recursos para pagar as despesas fixas como aluguel, água, energia, pois são duas casas para manter e os alimentos que são comprados todas as manhãs para montar a mesa do café, pães, bolo, chá, suco. 

A pastora disse que a assistente social encaminha alguns casos. Outros procuram a Casa diretamente. É feito um cadastro para avaliação. “Tentamos acolher o máximo de pessoas respeitando o limite de leitos da Casa. Preenchemos o cadastro e já acolhemos a pessoa, e procuramos estar sempre acompanhando-as, conversando, orientando, pois muitas chegam fragilizadas à Casa de Apoio”, afirmou Daniela. 

A Casa de Apoio recebe pacientes de dezenas de cidades de toda a região.

O que pensam os beneficiados

O agricultor familiar Fábio Rodrigo Costa, 48 anos, residente no Assentamento Anhumas, em Castilho, disse que a sua mulher passou mal e foi levada para a unidade de Castilho. Uma médica quis encaminhar para Mirandópolis e outra mandou direto para Araçatuba. Ele teve um aneurisma cerebral e foi necessária uma cirurgia. Nos dois primeiros  dias ele voltou para Castilho, a mais de 130 quilômetros de Araçatuba. Ele acabou vendo a casa e ficou no local por três semanas. “Não sei o que seria de mim sem sem casa. Não teria como ir e voltar todos os dias”, disse ele, que durante o período em que esteve na casa, ajudou na limpeza do quintal da residência maior. “Serei eternamente grato. O que eu puder fazer pela Casa de Apoio estarei sempre à disposição”, disse Fábio Costa, que conclamou as pessoas a fazerem doações. 

Quanto à sua mulher – Tänia Aires Costa – ele disse que está se recuperando aos poucos. Já está conversando, se alimentando normalmente e fazendo fisioterapia para voltar a andar. “Ela já fica de  pé, mas ainda insegura. Estamos confiantes de que em poucos dias ela voltará a caminhar”, finalizou.

A outra castilhense, Magali Calandria Chiarelli, disse que na madrugada do dia 31 de julho um conhecido sofreu um AVC. Como a sua mulher é cadeirante, ela o acompanhou até  Araçatuba, permanecendo até agora. Ela disse que sempre acompanhou o casal em suas consultas médicas. Se não fosse a Casa de Apoio, não teria como ficar em Araçatuba e a mulher do paciente não teria informações precisas. “Comerciantes e pessoas da comunidade podem doar alimentos e material de limpeza. Trata-se de um lugar onde as pessoas são acolhidas com carinho e humanização”, disse Magali Chiarelli.

Neste sábado (10 de agosto), Magali estava na Casa de Apoio com mais duas mulheres? Maria José Macedo de Souza , de Clementina, que acompanha a mãe e Lucina Dias dos Santos, de São Paulo, que acompanha o pai, de Pereira Barreto. 

As hóspedes da Casa de Apoio vão visitar os pacientes às 11 horas e depois às 20 horas, já que todos estão na UTI.

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