Terça-feira, 22 de setembro de 2026
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Pedido de CP contra prefeito de Araçatuba cita CPI da Guarda Municipal e aponta possível desvio de finalidade

Denúncia protocolada na Câmara pede abertura de Comissão Processante contra Lucas Zanatta por suposto uso de guardas municipais como seguranças.

Pedido de CP contra prefeito de Araçatuba cita CPI da Guarda Municipal e aponta possível desvio de finalidade

Denúncia protocolada na Câmara pede abertura de Comissão Processante contra Lucas Zanatta por suposto uso de guardas municipais como seguranças e motoristas particulares; no relatório aprovado  pelos vereadores, membros da CPI também citaram a possibilidade de CP

ANTÔNIO CRISPIM – ARAÇATUBA

O morador de Araçatuba Marcelo Martin Andorfato protocolou denúncia na Câmara Municipal pedindo a instauração de Comissão Processante (CP) contra o prefeito da cidade por supostas infrações político-administrativas relacionadas ao uso de guardas municipais em atividades de segurança pessoal e condução particular. Andorfato Foi vereador no período de 2005 a 2008. O relatório da CPI, que serviu de base ao cidadão, foi lido e aprovado na sessão de segunda-feira. O relatório também cita a possibilidade de CP. O pedido de CP foi protocolado nesta quarta-feira (27),

O pedido tem como base as conclusões da CPI nº 01/2025, instaurada pela Câmara para investigar possível desvio de função de integrantes da Guarda Municipal.

Na denúncia, Andorfato sustenta que o relatório final da CPI revelou “sistemática e profunda ilegalidade administrativa”, com utilização de recursos humanos e materiais da Prefeitura em benefício pessoal do chefe do Executivo e de familiares.

CPI apontou possível estrutura paralela

Segundo a denúncia apresentada à Câmara, guardas municipais formalmente designados para funções gratificadas administrativas teriam atuado, na prática, como motoristas e seguranças pessoais do prefeito.

O texto afirma que os servidores eram utilizados em:

  • deslocamentos urbanos;
  • viagens;
  • eventos sociais;
  • compromissos religiosos;
  • atividades particulares;
  • acompanhamento de familiares.

De acordo com o denunciante, os próprios guardas municipais ouvidos pela CPI relataram que não exerciam funções de chefia efetiva nem atuavam regularmente nos setores administrativos para os quais foram oficialmente designados.

A denúncia cita especialmente os depoimentos dos servidores Welton Nogueira de Carvalho e Paulo Guerbas Franco.

Pedido cita possível dano ao erário

O documento sustenta que houve pagamento de funções gratificadas sem a correspondente prestação de serviços administrativos previstos em lei.

Segundo a denúncia, isso teria gerado:

  • possível desvio de finalidade;
  • utilização personalizada da máquina pública;
  • afronta aos princípios da legalidade, impessoalidade e moralidade administrativa;
  • dano ao erário.

O texto argumenta ainda que a finalidade institucional da Guarda Municipal não contempla atuação permanente como escolta privada do prefeito.

Denunciante pede aplicação do Decreto-Lei 201

A peça jurídica fundamenta o pedido no Decreto-Lei nº 201/1967, que trata das infrações político-administrativas de prefeitos municipais.

O denunciante sustenta que as condutas podem se enquadrar nos seguintes dispositivos:

  • prática de ato contra expressa disposição de lei;
  • procedimento incompatível com a dignidade e o decoro do cargo.

Pedido não inclui afastamento cautelar

O denunciante também afirma que não pede afastamento cautelar do prefeito durante a tramitação da eventual Comissão Processante.

Segundo o documento, a estratégia busca evitar questionamentos judiciais sobre eventual nulidade processual, citando entendimento do Tribunal de Justiça de São Paulo de que o Decreto-Lei 201/1967 não prevê suspensão cautelar de prefeitos por decisão da Câmara.

O que a denúncia pede

Entre os pedidos feitos à Câmara Municipal estão:

  • leitura da denúncia em plenário;
  • votação da admissibilidade;
  • instauração da Comissão Processante;
  • sorteio dos vereadores que integrarão a comissão;
  • notificação do prefeito para apresentação de defesa;
  • produção de provas e oitivas de testemunhas;
  • julgamento final com eventual cassação do mandato.

O denunciante também apresentou rol de testemunhas, incluindo os guardas municipais citados no relatório da CPI.

Caso a denúncia seja aceita em plenário, a Câmara dará início formal à instação da Comissão Processante.

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