Terça-feira, 6 de outubro de 2026
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Santa Casa recebe 40 órteses para tratamento de bebês com pé torto congênito

Equipamentos, que podem custar de R$ 250 a R$ 700 o par, vão formar banco de empréstimos para atender crianças da região; doação foi viabilizada pelo Rotary Club Araçatuba Cruzeiro do Sul

Criança órtese

Programa vai beneficiar dezenas de crianças de várias cidades da regiãpo. Crédito: Santa Casa de Araçatuba

A Santa Casa de Araçatuba recebeu 40 órteses ortopédicas destinadas ao tratamento de bebês e crianças com pé torto congênito. Os equipamentos foram repassados pelo Rotary Club Araçatuba Cruzeiro do Sul e vão ajudar principalmente famílias que encontram dificuldades para arcar com o custo do tratamento.

Um par de órteses pode custar entre R$ 250 e R$ 700, dependendo do modelo e das especificações necessárias. Além disso, durante o crescimento da criança, pode ser necessária a substituição do equipamento por tamanhos maiores, aumentando o impacto financeiro para as famílias.

A doação também permitirá à Santa Casa iniciar um Banco de Órteses, no qual os equipamentos serão emprestados aos pacientes e posteriormente devolvidos para utilização por outras crianças.

Doação começou com previsão de 20 órteses

Os equipamentos foram conseguidos pela ortopedista pediátrica Dra. Renata Esteves Cassiano, coordenadora do Ambulatório de Ortopedia Pediátrica da Santa Casa, junto ao também ortopedista pediátrico Dr. Ricardo Innecco de Castro.

Ele coordena o projeto “Mudando a Vida das Crianças com Pé Torto no Brasil”, iniciativa social idealizada e desenvolvida pelo Rotary Club de São Carlos-Norte.

Segundo Renata, havia órteses remanescentes do programa realizado em São Carlos e, após o contato com Ricardo, os 40 equipamentos foram cedidos para Araçatuba. A transferência foi intermediada pelo Rotary Club Araçatuba Cruzeiro do Sul.

Inicialmente, a previsão era receber 20 unidades.

“Inicialmente seriam 20 órteses, que, para nossa alegria, tiveram a quantidade dobrada”, afirmou o presidente do Rotary Cruzeiro do Sul, Ricardo Mazzarioli.

A entrega reuniu integrantes do clube, o provedor da Santa Casa, Dr. Éverton Santos; a Dra. Renata Cassiano; e o coordenador do Serviço de Ortopedia e Traumatologia do hospital, Dr. Fabricio Benez.

Equipamentos serão emprestados às famílias

Uma das principais características do projeto é que as órteses não ficarão definitivamente com cada paciente. Elas serão disponibilizadas por empréstimo.

Conforme a criança cresce e precisa passar para outro tamanho, a família devolve o equipamento anterior, permitindo que ele seja destinado a outro bebê.

“As órteses serão utilizadas nos pacientes a título de empréstimo. Conforme forem sendo substituídas por tamanhos para acompanhar o crescimento dos pés das crianças, a família devolve a órtese anterior. Com isso, manteremos nosso banco de órteses abastecido”, explicou Renata.

A proposta busca garantir acesso ao tratamento principalmente para crianças de famílias em situação de vulnerabilidade econômica.

O provedor Éverton Santos destacou a atuação conjunta dos profissionais e do Rotary para viabilizar o projeto.

“O mérito desse projeto é dessa equipe maravilhosa e do Rotary Club, que, enquanto instituição, respalda iniciativas voltadas à comunidade”, declarou.

Ele lembrou ainda que a Santa Casa atende pacientes de uma região formada por cerca de 40 municípios.

O que é o pé torto congênito

O pé torto congênito é uma malformação musculoesquelética presente desde o nascimento, caracterizada pelo posicionamento do pé do bebê para dentro e para baixo.

A condição afeta músculos, tendões e ossos da região abaixo do joelho e pode atingir apenas um dos pés ou ambos.

As órteses utilizadas no tratamento são formadas por duas pequenas botas conectadas por uma barra metálica ou rígida. O equipamento mantém os pés da criança na posição adequada e ajuda a evitar que a deformidade retorne depois da fase de correção.

Tratamento deve começar nas primeiras semanas

Segundo a Dra. Renata, o ideal é que a alteração seja identificada ainda durante a gestação. O diagnóstico pode ocorrer a partir da 20ª semana, por meio do ultrassom morfológico, ou ser confirmado por pediatra ou ortopedista depois do nascimento.

O tratamento deve ser iniciado, preferencialmente, nas primeiras semanas de vida, período em que os tecidos do bebê apresentam maior flexibilidade.

Um dos tratamentos utilizados é o Método Ponseti, que prevê trocas sucessivas de gessos para corrigir gradativamente a posição dos pés. Depois dessa etapa, a criança utiliza a órtese para manter a correção obtida.

Ambulatório atende cerca de 50 pacientes por mês

O pé torto congênito está entre as principais demandas do Ambulatório de Ortopedia Pediátrica da Santa Casa de Araçatuba.

Criado há pouco mais de um ano, o serviço é referência regional e atende, em média, 50 pacientes por mês, sendo uma parcela significativa formada por crianças em tratamento da condição.

Atualmente, a média de idade dos pacientes atendidos varia entre seis meses e um ano. Embora ainda seja considerada tardia para o início do tratamento, a situação já representa uma mudança em relação ao começo das atividades do ambulatório.

Segundo Renata, inicialmente chegavam ao serviço crianças mais velhas, algumas já caminhando e apresentando sequelas.

“Recebemos crianças com mais idade e que, mesmo com as sequelas, já estavam andando. Mesmo assim, a gente fez o tratamento tanto com o gesso quanto cirúrgico”, afirmou.

Com o funcionamento do ambulatório, bebês que nascem na própria maternidade da Santa Casa também estão sendo avaliados e, quando necessário, encaminhados precocemente para acompanhamento especializado.

Banco de Órteses amplia alcance da doação

A criação do Banco de Órteses permitirá que os mesmos equipamentos beneficiem diferentes crianças ao longo do tempo.

Quando uma órtese deixar de servir em determinado paciente, ela poderá retornar ao ambulatório e ser disponibilizada para outra criança que necessite daquele tamanho.

A iniciativa ganha relevância também pelo custo do equipamento. Um par de órteses pode variar de R$ 250 a R$ 700, e a necessidade de troca durante o crescimento pode representar uma despesa significativa para famílias de menor renda.

Com o sistema de empréstimos, a expectativa é ampliar o acesso ao tratamento e contribuir para que mais crianças completem corretamente as etapas necessárias para evitar sequelas e limitações motoras no futuro.

Equioe da Santa Casa recebe a doação das órteses. Crédito: Santa Casa de Araçatuba
Problema pode ser diagnosticado ainda na gestão. Crédito: Santa Casa de Araçatuba
É recomendável iniciar o tratamento nas primeiras semanas. Crédito: Santa Casa de Araçatuba
Trocas sucessivas de gesso éum dos tratamentos recomendados. Crédito: Santa Casa de Araçatuba
Médica apresenta as órteses recebidas Crédito: Santa Casa de Araçatuba
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