Intervenção estratégica na Hidrovia Tietê-Paraná deve triplicar capacidade de transporte e garantir navegabilidade mesmo em estiagens; conclusão está prevista para 2026
DA REDAÇÃO – BURITAMA
O governador Tarcísio de Freitas vistoriou nesta quarta-feira (17) as obras de ampliação do canal de Nova Avanhandava, no trecho paulista da Hidrovia Tietê-Paraná, uma das principais rotas logísticas do agronegócio brasileiro. A iniciativa, que já alcançou 78,4% de execução, conta com investimento estimado em R$ 315,3 milhões e tem previsão de conclusão em 2026.
Durante a visita, o governador acompanhou uma das explosões controladas que marcam o avanço da obra. A agenda fez parte da Caravana 3D – Desenvolvimento, Diálogo e Dignidade, programa do Governo de São Paulo que leva investimentos e soluções para diferentes regiões do Estado. Ele esteve acompanhado da secretária de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística, Natália Resende, e do subsecretário de Logística e Transportes, Denis Gerage Amorim.
Triplicando a capacidade da hidrovia
As intervenções estão sendo executadas a jusante da eclusa de Nova Avanhandava, entre Buritama e Brejo Alegre. O projeto prevê o derrocamento e escavação de 16 km de canal, com 60 metros de largura e calado de 3,5 metros. Ao fim, cerca de 553 mil m³ de rochas terão sido removidos — volume equivalente a 222 piscinas olímpicas —, permitindo que a capacidade de transporte passe dos atuais 2,5 milhões para até 7 milhões de toneladas por ano.
Até o momento, 355 mil m³ de rochas já foram retirados, representando cerca de 64% do volume total planejado.
Tecnologia e sustentabilidade
A execução combina o uso de explosivos em detonações controladas e a tecnologia de plasma, que fragmenta rochas por reação termoquímica, com maior precisão e menor propagação de vibração. Além disso, medidas ambientais como cortinas de bolhas para proteção da fauna aquática e monitoramento sismográfico estão em curso.
“Cada comboio que navega pela hidrovia substitui cerca de 150 caminhões nas rodovias, o que reduz custos logísticos, melhora a segurança e contribui para a descarbonização do transporte”, destacou a secretária Natália Resende.
O subsecretário Denis Gerage Amorim reforçou que a obra é decisiva para a competitividade logística: “Quando entregue, o canal triplicará a capacidade de transporte, fortalecendo um modal mais eficiente e estratégico para a economia brasileira.”
Segurança contra estiagens
A ampliação é considerada fundamental para garantir a navegabilidade da hidrovia mesmo em períodos de estiagem severa. Antes da retomada pelo Governo de São Paulo, em 2023, as obras estavam paralisadas desde 2019, o que agravou os impactos das crises hídricas de 2021 e 2022, semelhantes às de 2014 e 2015.
A Hidrovia Tietê-Paraná conecta São Paulo a Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais e Paraná, sendo estratégica tanto para o escoamento da produção quanto para o turismo. Apenas em 2025, mais de 61 mil passageiros já utilizaram embarcações em passeios pelo rio, com destaque para a eclusa de Barra Bonita.
Com a ampliação do canal de Nova Avanhandava, São Paulo dá mais um passo para consolidar uma matriz de transporte equilibrada, sustentável e competitiva, reforçando o papel da hidrovia como elo econômico e turístico do país.






