Prefeito assinou termo de anuência em janeiro para transação que envolve a controladora GS Inima, adquirida por empresa de energia de Abu Dhabi por US$ 1,2 bilhão
ANTÔNIO CRISPIM – ARAÇATUBA
A venda da GS Inima, controladora da concessionária Samar (Soluções Ambientais de Araçatuba), para a empresa árabe Abu Dhabi National Energy Company PJSC (TAQA) recebeu a anuência da Prefeitura de Araçatuba. O termo foi assinado pelo prefeito Lucas Zanatta no dia 14 de janeiro de 2026.
A aquisição da GS Inima pela TAQA foi anunciada em 25 de agosto de 2025 e envolve uma transação estimada em US$ 1,2 bilhão, com conclusão prevista ao longo de 2026. A operação já havia sido aprovada pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) em outubro de 2025, sem restrições.
A confirmação da anuência municipal foi feita pela própria concessionária em resposta a requerimento apresentado pela presidente da Câmara Municipal, vereadora Edna Flor.
A GS Inima Brasil assumiu o controle da Samar no final de 2015, ao adquirir 100% das ações da concessionária junto ao Grupo OAS. O processo foi consolidado em 2016, após aprovação do Cade, marcando a entrada da empresa espanhola no controle do serviço de água e esgoto em Araçatuba.
Agora, com a venda da controladora, a gestão da empresa passa a integrar o grupo árabe de energia sediado em Abu Dhabi.
Questionamentos na Câmara
O tema chegou ao Legislativo em janeiro deste ano. No dia 21, a presidente da Câmara apresentou requerimento com diversos questionamentos sobre a operação.
Entre as perguntas, Edna Flor quis saber se a Prefeitura já havia formalizado a anuência para a venda do controle da GS Inima. No documento encaminhado à Câmara, a concessionária informou que o prefeito assinou o termo confirmando que não se opõe à alteração societária da empresa concessionária.
A vereadora também questionou se o município teve acesso integral ao processo de análise realizado pelo Cade. Na resposta, a empresa limitou-se a informar que o órgão federal aprovou a operação sem restrições.
Outro ponto levantado foi a possibilidade de alterações no contrato de concessão. A concessionária foi categórica ao afirmar que não haverá alteração, aditivo ou revisão das cláusulas do contrato atualmente vigente.
Cumprimento do contrato
Apesar da mudança no controle da empresa, vereadores demonstram preocupação com o acompanhamento do contrato de concessão.
Embora tenha sido criada em 2012, quando o serviço de água e esgoto foi concedido à iniciativa privada, a Agência Reguladora e Fiscalizadora Daea ainda não foi efetivamente implantada.
Passados mais de 12 anos, os cargos técnicos previstos não foram preenchidos e o órgão conta apenas com cargos comissionados. A situação levanta questionamentos sobre a capacidade de fiscalização e regulação do contrato.
Diante da mudança societária, alguns parlamentares defendem uma análise mais detalhada sobre o cumprimento das obrigações contratuais e sobre as obras executadas pela concessionária ao longo dos anos.






