Terça-feira, 22 de setembro de 2026
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Das redes sociais para a sala de aula: professores transformam febres da internet em ferramentas de aprendizagem

Expressões virais como “Six Seven” e “Farmei Aura” invadem escolas e desafiam educadores a equilibrar cultura digital, engajamento e ensino.

Das redes sociais para a sala de aula: professores transformam febres da internet em ferramentas de aprendizagem

Expressões virais como “Six Seven” e “Farmei Aura” invadem escolas e desafiam educadores a equilibrar cultura digital, engajamento e ensino

DA REDAÇÃO – ARAÇATUBA

O que viraliza nas redes sociais costuma atravessar rapidamente as telas dos celulares e desembarcar nas salas de aula. A mais recente tendência entre crianças e adolescentes é o chamado “Six Seven”, expressão popularizada no TikTok que provoca reações instantâneas sempre que os números 6 e 7 aparecem em qualquer contexto.

Inicialmente ligada às aulas de inglês, a brincadeira ultrapassou os limites da disciplina e passou a integrar o cotidiano escolar. Risadas, memes e novas gírias surgem diariamente entre estudantes do Ensino Fundamental II e do Ensino Médio, exigindo atenção dos educadores para compreender esse universo em constante transformação.

Professora usa tendências para estimular reflexão

A professora de Gramática e Redação do Colégio Salesiano “Dom Luiz Lasagna”, Cláudia Cristiane Oliveira, decidiu levar o tema para discussão em sala após assistir a uma reportagem sobre o assunto.

Segundo ela, as reações variam conforme a idade dos alunos.

“Na primeira série do Ensino Médio, muitos consideram a brincadeira uma ‘vergonha alheia’ e dizem que isso é coisa dos mais novos. Já na segunda série, eles utilizam bastante, principalmente em tom de brincadeira”, relata.

Durante os debates, outra expressão chamou sua atenção: “Farmei Aura”, uma das novas gírias que circulam entre os estudantes. A professora aproveitou a oportunidade para aproximar o conteúdo da realidade dos jovens.

“Transformei isso em ferramenta pedagógica. Às vezes até brinco com eles perguntando: ‘Farmei aura ou perdi aura?’”, conta.

Cultura digital muda hábitos em alta velocidade

Para Cláudia, a velocidade com que expressões, comportamentos e tendências surgem e desaparecem impressiona.

Ela relaciona o fenômeno ao conceito de modernidade líquida, desenvolvido pelo sociólogo Zygmunt Bauman, que descreve uma sociedade marcada por mudanças rápidas e constantes.

“Como professora, procuro estar sempre antenada ao que acontece para conversar com eles e gerar reflexão quando necessário”, afirma.

Aproximação entre professores e estudantes

O professor de Ciências, João Paulo Galdino, acredita que compreender essas tendências é essencial para fortalecer o vínculo com os alunos.

Segundo ele, todas as gerações tiveram suas próprias gírias e formas de expressão, e a escola não pode ignorar esse movimento.

“É necessário compreender nosso público e usar essas trends como estratégia de aproximação e pertencimento. O importante é orientar os estudantes para um uso consciente das redes sociais”, explica.

Para o educador, o desafio está em equilibrar o universo digital com experiências significativas de convivência e aprendizagem dentro da escola.

Matemática entra na brincadeira

Quem também decidiu aproveitar a onda foi o professor de Matemática, Fabrício Leonardi.

Em vez de combater a tendência, ele passou a utilizá-la como recurso didático durante as aulas.

“Proponho desafios para que os alunos criem contas cujo resultado seja 67. Hoje mesmo fiz algumas de propósito só para observar a reação deles”, conta.

Segundo o professor, utilizar elementos que fazem parte da rotina dos estudantes ajuda a aumentar o engajamento sem transformar a situação em conflito.

“É algo que está acontecendo no mundo todo. Então por que não trazer isso para o nosso favor dentro da sala de aula?”, questiona.

Escola reforça orientação sobre cidadania digital

A coordenadora pedagógica do Colégio Salesiano “Dom Luiz Lasagna”, Liliana Aparecida Corá, afirma que a instituição acompanha atentamente essas mudanças para apoiar professores e fortalecer o diálogo com os estudantes.

“Essas tendências mostram o quanto os jovens estão conectados ao universo digital. O papel da escola é orientar, acolher e transformar essas situações em oportunidades de aprendizagem, sempre com equilíbrio, respeito e diálogo”, destaca.

Atenção ao ECA Digital

Além das discussões sobre comportamento nas redes, o colégio também desenvolve ações ligadas ao chamado ECA Digital, promovendo a conscientização sobre cidadania e responsabilidade no ambiente virtual.

“Nós temos um cuidado muito especial com as questões ligadas ao ECA Digital e à conscientização dos alunos sobre o uso responsável das redes sociais. Inclusive, faremos encontros e conversas com os estudantes para reforçar essa orientação”, conclui Liliana.

O fenômeno do “Six Seven” pode ser passageiro, mas revela um desafio permanente para a educação: compreender a linguagem das novas gerações e transformar tendências digitais em oportunidades de aprendizagem, reflexão e convivência.

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