EVANDRO EVERSON DOS SANTOS
Confesso que julgo injusta a métrica dos 100 primeiros dias de um governo para a avaliação de uma administração pública. Esse “sistema de avaliação” teve origem no governo de Franklin D. Roosevelt, nos EUA, no ano de 1933, aliás, o mandato mais longo da historia de um Presidente dos EUA, que foi de 1933 á 1945. No auge da Grande Depressão, em um período economicamente conturbado, o povo americano exigia ações rápidas do governo para mitigar a crise instalada. Assessorado por uma boa equipe, Roosevelt, obteve resultados práticos e significativos como o início do New Deal, reformas emergenciais e a estabilização do sistema bancário.
Simbolicamente e na prática, essa métrica é aplicada em vários países, inclusive no Brasil em diversas gestões de entes federativos como um rito inicial de avaliação, impactando a imprensa e, principalmente eleitores. Esse valor avaliativo serve para medir a execução de promessas de campanha, o alinhamento de equipes e resultados visíveis de curto prazo.
Um bom desempenho do governante nos seus primeiros 100 dias constrói credibilidade, enquanto falhas podem estimular a descrença pública comprometendo o seu governo por um longo prazo. Mesmo assim, ainda sob o meu julgamento, há municípios, principalmente de médio e de grande porte, que necessitam de mais tempo para executarem alguns projetos. Em contrapartida, 365 dias de governo, é tempo suficiente para que gestores demonstrem suas capacidades de governança.
Destaco municípios em razão de ser o único ente federativo que realmente é concreto; é onde nascemos, crescemos, produzimos e construímos uma sociedade. É compreensível que no calor da emoção, Prefeitos tomados por retóricas populistas ao tomarem posse, proclamem em seu primeiro discurso que pautarão sua gestão com espírito público voltado em servir o bem comum, com dedicação, ética e compromisso. Entretanto, muitos ainda não desceram do palanque de campanha eleitoral e não perceberam que não se governa uma cidade em cercadinhos, tampouco como influencers de mídia digital.
A habilidade política, principalmente na escolha de pessoas para ocuparem cargos importantes para assessorar o mandatário de um município é de suma importância para o sucesso de uma gestão, o que geralmente fracassam em razão de escolhas de correligionários sem competências para assumirem cargos estratégicos. Passados 365 dias, é preciso questionar mandatários que não cumpriram com as promessas feitas em campanha em áreas sensíveis como na de saúde, educação, infraestrutura, entre outras (vide planos de governos), que foram cruciais para vitória em pleitos eleitorais os quais se candidataram.
Cumprir promessas para melhorar ou pelo menos amenizar o desconforto da sociedade no cotidiano de um município, está intrinsecamente ligada no “servir o bem comum, com dedicação, ética e compromisso”. Afinal, os eleitores merecem respeito e não improviso e mentira. Nada é irreversível que não possa corrigir erros cometidos em 2025 e reconquistar a confiança do povo neste ano de 2026. Entretanto, é necessário agir de imediato, ter coragem para mudanças e traçar trajetórias de sucesso.
Por fim, ressalto que é da natureza humana, sobretudo quando se inicia um novo ano renovar as esperanças e acreditar que tempos melhores virão.
Evandro Everson dos Santos é economista e policial militar aposentado






