Mulheres ampliam presença na pesquisa e inspiram novas gerações de estudantes a seguir carreiras historicamente dominadas por homens
DA REDAÇÃO – SÃO PAULO
A presença feminina na ciência brasileira cresce de forma consistente e tem inspirado novas gerações de estudantes a ocupar espaços que, por muito tempo, foram dominados por homens. O protagonismo de pesquisadoras, professoras e jovens estudantes reforça a transformação gradual no cenário científico do país.
Um exemplo desse avanço é a bióloga Tatiana Sampaio, que tem ganhado destaque por pesquisas conduzidas na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Seu trabalho envolve a polilaminina, substância que pode auxiliar na reconexão de neurônios entre o cérebro e o restante do corpo — conexões que são perdidas por pacientes com tetraplegia ou paraplegia.
O medicamento desenvolvido em laboratório já entrou na primeira fase de testes clínicos e, caso a eficácia seja comprovada, poderá representar um avanço inédito na medicina mundial. O reconhecimento do trabalho da pesquisadora também cumpre outro papel importante: inspirar meninas e mulheres a enxergarem na ciência um caminho possível.
Presença feminina em crescimento
Esse movimento já se reflete nos números da produção científica brasileira. Entre 2002 e 2022, a proporção de pesquisadoras autoras de artigos científicos saltou de 38% para 49%, segundo levantamento da Agência Bori em parceria com a editora Elsevier.
Com esse índice, o Brasil ocupa o terceiro lugar em um ranking de presença feminina na produção científica que reúne 18 países e a União Europeia.
A ciência começando na escola
Além de referências na pesquisa acadêmica, a inspiração também nasce dentro das próprias escolas. Joyce, de 17 anos, estudante da Escola Estadual Professora Maria Dolores Veríssimo Madureira, em São José dos Campos, sempre teve interesse pelos estudos, mas inicialmente pensava em seguir áreas como Pedagogia ou Comunicação.
Curiosa e motivada por desafios, ela só passou a considerar uma carreira científica quando teve acesso a projetos que aproximavam a Ciência, a Tecnologia e a Matemática da realidade dos estudantes.
Hoje, no terceiro ano do Ensino Médio, Joyce se prepara para prestar vestibular para Engenharia de Bioprocessos. A mudança de escolha profissional reflete a ampliação de repertório e de confiança proporcionada por experiências educacionais mais conectadas com a prática científica.
Projetos STEM ampliam horizontes
A rede pública de ensino de São José dos Campos tem investido em iniciativas voltadas às áreas de Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática por meio de projetos STEM (sigla em inglês para Science, Technology, Engineering and Mathematics).
As atividades são desenvolvidas pela organização da sociedade civil Parceiros da Educação, em parceria com a Boeing, e incluem formação específica para professores e desenvolvimento de projetos práticos nas escolas.
Na Escola Estadual Maria Dolores, esse trabalho ganha força com a atuação da professora de Química Nidinalva Tamacia da Silva, conhecida pelos alunos como professora Nidi. Com mais de uma década de experiência em projetos STEM, ela utiliza atividades práticas para tornar a ciência mais próxima da realidade dos estudantes.
“Quando os alunos se envolvem em atividades práticas, a motivação e o interesse pela aprendizagem surgem naturalmente. Com o STEM, não precisamos mais convencê-los da importância do que ensinamos. Eles querem aprender. Assim, com experimentos simples e poucos recursos, é possível trabalhar conteúdos complexos e desenvolver projetos inovadores”, afirma.
Segundo a professora, iniciativas desse tipo ajudam a transformar a escola pública em um ambiente onde ciência, criatividade e inovação caminham juntas.
Formação de novas lideranças femininas
Projetos em laboratório, participação em olimpíadas científicas, mostras para a comunidade e parcerias com instituições de referência, como o Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), ampliaram as oportunidades para estudantes da escola.
Foi nesse contexto que Joyce passou a integrar o projeto STEM para Meninas, do ITA. Além de aprender com pesquisadoras universitárias, ela também assumiu o papel de mentora de alunas mais novas, especialmente do Ensino Fundamental.
“Quando meninas têm acesso a experiências significativas, a escola pública se torna um espaço real de descoberta de talentos e de construção de futuros possíveis em ciência e tecnologia”, destaca Mônica Weinstein, diretora pedagógica da Parceiros da Educação.
Educação como motor de transformação
Para a Boeing, iniciativas educacionais desse tipo são fundamentais para ampliar oportunidades e fortalecer o ecossistema de inovação.
“Na Boeing, acreditamos que a educação é a chave para transformar futuros. Por meio da cooperação com a Parceiros da Educação, investimos no fortalecimento do ecossistema local e na geração de oportunidades reais para estudantes das escolas públicas de São José dos Campos”, afirma Juliana Pavão, diretora de Relações Institucionais da Boeing na América Latina e Caribe.






