Os governantes, em todos os níveis, precisam ouvir mais o quadro técnico das administrações. Muitos problemas surgem exatamente porque os interesses políticos e eleitorais levam os gestores a ignorarem os pareceres técnicos. Isso é recorrente em todas as esferas de governo. Foi assim no escândalo as aposentadorias do INSS, pois há vários anos o alerta tinha sido feito e mais recentemente no caso do Banco Master, onde princípios técnicos foram ignorados e a gestão criminosa do Master aproveitou o silêncio e omissão, provocada sabe-se lá por quem, para desviar bilhões, até que os técnicos do Banco Central agiram.
Em Araçatuba a situação não é diferente. Os desejos dos governantes são imperativos. Não há argumento técnico que os faça mudar de ideia. As consequências financeiras recaem sobre o já exaurido cofre público, ou dinheiro do povo. O governante que impôs a sua vontade nada sofre como consequência.
Apenas para exemplificar, três obras podem ser citadas: prolongamento da Pompeu de Toledo, Engenheiro Taveira e Terminal Urbano. As três começaram no mesmo governo e até hoje apresentam problemas.
O prolongamento da Pompeu, sonho antigo dos araçatubenses, foi uma decisão pessoal do prefeito da época. Enfrentou denúncias ambientais na justiça e outros obstáculos, A obra dobrou de preço, mas mesmo assim impôs a sua vontade. Os problemas persistem e uma pista esta interrompida.
A obra de Engenheiro Taveira, da mesma forma, foi uma decisão de interesse político, anunciada às vésperas de iniciar a campanha eleitoral. Os problemas se multiplicaram e até hoje não foi concluídos.
Para construção do terminal urbano, uma decisão de governo e sem respaldo popular, pelo contrário, enfrentou muita resistência. Mas mesmo assim levou adiante. O resultado é uma obra de mais de R$ 5 milhões até hoje sem uso depois que foi interditada.
E não adianta culpar prefeitos. Isso faz parte do sistema político brasileiro. É algo cultural e que precisa ser mudado. Obras de grande impacto precisam ser melhor discutidas com a população, principalmente se não fazem parte do programa de governo apresentado à sociedade e à Justiça Eleitoral pelo então candidato.
O documento assinado por dois engenheiros civis da Prefeitura de Araçatuba sobre a falta de planta precisa das redes de água e esgoto soa como pedido de socorro para a equipe técnica.
Os gestores passam, os governos ficam. Por isso a legislação impõe limites à ação de comissionados.






