Por enquanto nenhuma medida de contenção foi anunciada, mas há muita apreensão em relação aos exportadores
ANTÔNIO CRISPIM – ARAÇATUBA
O anúncio feito pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de taxar os produtos importados do Brasil em 50% a partir de agosto, gerou muita apreensão em todo o país. Governos estadual e federal se reuniram com empresários para tratar da questão. Na região, longe dos grandes centros de decisão, também há muita preocupação. Embora a região não seja considerada grande exportadora – o município com maior volume de venda para o exterior é Andradina e está em 157º no ranking nacional – há quem fique apreensivo, principalmente quando a cidade depende muito de uma empresa exportadora. Até o momento nenhuma empresa anunciou oficialmente plano de contingência,mas há rumores de medidas de desaceleração no processo produtivo.
A reportagem do portal Nossa Cidade (nossacidade.online) fez um levantamento dos maiores exportadores da região.
ANDRADINA – O município de Andradina, com aproximadamente 60 mil habitantes, é o maior exportador da região. No primeiro semestre deste ano exportou US$212,63 milhões e importou US$1,41 milhão, registrando um superávit na balança comercial de R$211,22 milhões. Praticamente o município só exporta carne e seus derivados. O maior comprador é a China, que nos seis primeiros meses do ano importou US$118 milhões (55,5% do total) e em segundo lugar, os Estados Unidos, que comprou US$32,9 milhões (15,5%). Historicamente a economia do município é muito dependente do frigorífico, que começou na década de 1950, como Mouran e hoje é Friboi, empregando mais de 2 mil pessoas. Quando o frigorífico ficou temporariamente fechado na década de 1990, até mesmo o transporte coletivo do município ficou comprometido. Por isso, autoridades e comerciantes não escondem a preocupação em relação a uma possível retração nas exportações para os EUA. Uma fonte ligada à Prefeitura revelou que vem monitorando a situação com muita cautela. Na cidade, há rumores de algumas medidas restritivas. Mas, oficialmente nada foi confirmado.
VALPARAÍSO – O município de Valparaíso, com população de aproximadamente 25 mil habitantes, é o segundo maior exportador da região,ficando em 307º no ranking nacional. No primeiro semestre deste ano o município exportou US$82,79 importou apenas US$0,7 milhão, tendo um superávit na balança comercial de US$82,04 milhões. Os principais produtos exportados são açúcares e sacarose na forma sólida. Os maiores importadores são a Índia, com volume de negócios de US$17,9 milhões (21,6%) e a Malásia, com negócios de US$14,3 milhões (17,3%).
GUARARAPES – Com aproximadamente 32 mil habitantes, Guararapes é o terceiro maior exportador da região, ocupando a 575ª colocação no ranking nacional. No primeiro semestre o município exportou US$ 31,48 milhões e importou US$ 0,07 milhão, registrando superávit na balança comercial de US$31,41 milhões. Os principais produtos exportados pelo município são estômago, tripas e bexigas de animais (exceto peixe),inteiros ou em pedaços, frescos, refrigerados, congelados, secos, salgados ou defumados (51%), ovos de aves, com casca, frescos, conservados ou cozidos (12%) e açúcares de cana (12%). O maior importador é o Vietnã, com US$8,15 milhões (25,9%). Em segundo lugar os Estados Unidos, com negócios de US$5,099 milhões (16,2%).
BIRIGUI – Com aproximadamente 120 mil habitantes, o município de Birigui é o quarto maior exportador da região, ficando em 618º lugar no ranking nacional. No primeiro semestre deste ano o município vendeu para o exterior US$ 26,95 milhões e importou US$6,27 milhões, registrando superávit na balança comercial de US$20,68 milhões. Além de exportar para dezenas de países, Birigui tem pauta diversificada de exportação, com destaque para transformadores e conversores elétricos (47%), calçados (18%), máquinas e aparelhos para agricultura (9,2%) e café (7,8%). Os principais compradores são os Estados Unidos, com US$8,22 milhões (30,5%) e Equador – US$2,58 milhões (9,56%).
ARAÇATUBA – A maior cidade da região, com aproximadamente 210 mil habitantes, não tem tradição em exportação e ocupa o 708º lugar no ranking nacional. No primeiro semestre vendeu US$19,51 milhões e comprou US$44,58 milhões, registrando um déficit na balança comercial de US$25,07 milhões. O município vende para vários países. Os principais produtos exportados são outros açúcares incluídos lactose, maltose, glicose e frutose quimicamente puras (19%), albuminas (incluídos concentrados de proteínas de soro de leite (17%). Os maiores compradores são Portugal, com US$1,99 milhão (10,2%) e Coreia do Sul, com US$1,81 milhão ((9,26%). Na sequência aparecem Estados Unidos, Paraguai e Peru. O município importa da Dinamarca, negócios de US$8,46 milhões (19%), Argentina – US$ 7,17 milhões (16,1%) e Estados Unidos US$7,076 milhões (15,9%).
Como se observa, a taxação de produtos brasileiros pelos Estados Unidos poderá ter reflexos diretos na região. Alguns exportadores terão de buscar novos mercados, o que demanda tempo. Por outro lado, se o governo brasileiro taxar os produtos dos Estados Unidos, algumas empresas da região podem perder competitividade no mercado devido à elevação de seus custos.






