Fundada pela gaúcha Karine Strapazzon com R$ 60 mil e uma ideia simples, a marca de beachwear cresceu apostando em modelagens inclusivas e agora avança para a América Latina
DA REDAÇÃO – PORTO ALEGRE
Em 2009, enquanto terminava o ensino médio, a gaúcha Karine Strapazzon tomou uma decisão que mudaria sua vida: criar uma marca de moda praia pensada para mulheres reais. Aos 18 anos, sem experiência empresarial e sem acesso a crédito, ela investiu R$ 60 mil — economizados com a família — em máquinas de costura e matéria-prima.
Assim nasceu a Arsie, marca de beachwear que hoje se tornou referência no setor e soma mais de 1.100 pontos de venda no Brasil, além de presença internacional.
A inspiração veio de uma experiência pessoal.
“Eu nunca tive um corpo padrão e sentia falta de biquínis que me valorizassem. Isso me impulsionou a criar uma marca pensada para a mulher real”, conta Karine.
Segundo ela, a ideia sempre foi transformar a moda praia em um espaço de conforto e confiança para todas as mulheres.
“Ir à praia sempre foi algo que eu amava, mas muitas vezes esse momento vinha com insegurança porque as peças não abraçavam minhas curvas. Percebi que, se isso acontecia comigo, acontecia com muitas outras”, afirma.
Moda praia pensada para todos os corpos
Desde o início, a proposta da Arsie foi apostar em modelagens inclusivas e confortáveis, desenvolvidas para se adaptar ao corpo da mulher — e não o contrário.
A marca trabalha com linhas slim e plus size com os mesmos modelos, cores e estampas, eliminando diferenciações estéticas e ampliando as opções para consumidoras de diferentes biotipos.
“Moda praia só é bonita quando é confortável, democrática e acessível para todos os corpos”, explica a fundadora.
As peças também utilizam tecnologias têxteis, como poliamidas com elastano tecnológico, proteção UV 50+, estampas exclusivas e texturas desenvolvidas internamente. Entre as novidades está um novo tecido jacquard criado para a coleção Resort.
Fábrica no RS produz até 800 mil peças por ano
A sede da Arsie fica em Guaporé (RS), onde a empresa mantém uma estrutura de 2 mil metros quadrados dedicada ao desenvolvimento de coleções, pesquisa de tecidos, compras, logística e controle de qualidade.
A capacidade produtiva atual é de 800 mil peças por ano. Em 2024, a marca produziu mais de 625 mil peças, após encerrar oficialmente a linha de lingerie para focar exclusivamente no segmento de beachwear.
A mudança também marcou um novo momento da empresa, que passou por um rebranding completo, com nova identidade visual e reposicionamento de mercado.
O crescimento nacional ocorreu principalmente por meio de representantes comerciais e lojas multimarcas, estratégia que a empresa considera mais adequada ao caráter sazonal da moda praia.
Expansão internacional e metas para 2026
Com presença consolidada no Brasil, a Arsie agora mira novos mercados.
Hoje os produtos da marca já são vendidos no Paraguai, na Bolívia e em países do Caribe, mas a meta é ampliar essa presença, com foco em outros países da América Latina.
Entre os objetivos para 2026, a empresa pretende:
-
Estar presente nos 27 estados brasileiros
-
Aumentar o faturamento em 15%
-
Aproximar-se de um marco simbólico: 1 milhão de peças vendidas por ano
Sustentabilidade e impacto social
Além da expansão comercial, a empresa também investe em iniciativas de sustentabilidade. Parte da produção já utiliza tecidos reciclados, como o tecido Bahia, fabricado 100% a partir de garrafas PET.
No campo social, a marca desenvolve o projeto “Um Toque de Amor”, realizado em parceria com a Liga Feminina de Combate ao Câncer.
O evento, que chega à quarta edição, reúne cerca de 250 mulheres e inclui apresentações, depoimentos e um desfile protagonizado por mulheres que venceram o câncer.
A iniciativa nasceu após Karine conhecer a história de uma colaboradora atendida pela instituição.
A renda dos ingressos cobre parte dos custos do evento, enquanto a Arsie financia o restante e doa o valor excedente à entidade, reforçando o compromisso da empresa com impacto social.






