Aos 66 anos e após perder a esposa, vereador optou por derixar a vida pública, mas com a “certeza do dever cumprido”.
ANTÔNIO CRISPIM – SUZANÁPOLIS
O motorista da Prefeitura de Suzanápolis (interior de São Paulo), José Novaes Santos, 66 anos, que é vereador desde a primeira legislatura (1993/1996), decidiu não ser candidato à reeleição. Após 32 anos, com oito mandatos consecutivos, ele decidiu deixar a vida pública. “Estou com a cabeça cansada, principalmente depois que perdi minha mulher, companheira por mais de quatro décadas”, disse o ainda vereador (vai terminar o mandato no dia 31 de dezembro), já em tom de despedida.
O município de Suzanápolis foi criado pela Lei 7.664, sancionada pelo governador Luiz Antônio Fleury Filho, em 30 de dezembro de 1991. Por meio desta lei foram criados dezenas de municípios. Além de Suzanápolis, foram criados na região Ilha Solteira, Santo Antônio do Aracanguá, Aspásia, Ubarana, Nova Canaã Paulista, Zacarias, São João de Iracema, Pontalinda e Lourdes, entre outros. A primeira eleição destes municípios, assim como os criados no ano anterior, como Dirce Reis e Rosana, foi em 1992. Os prefeitos e vereadores eleitos foram empossados no dia 1° janeiro de 1993. Entre os milhares de vereadores eleitos em 1992, estava José Novaes.
A reportagem fez amplo levantamento nos municípios criados na região em 1992. José Novaes é o único remanescente da eleição de 1992. Apenas ele conseguiu se manter na Câmara até agora, cumprindo seu oitavo mandato consecutivo.
Ao compor a primeira legislatura de Suzanápolis, José Novaes teve a missão de integrar a comissão constituinte, com o propósito de elaborar a lei orgânica do município. A constituição de Suzanápolis foi sancionada em evento realizado no em julho de 1993.
TRAJETÓRIA
Nascido em Rio de Contas no dia 7 de novembro de 1957, José Novaes veio para São Paulo aos 4 anos. A família chegou à estação de Lussanvira (Quilômetro 11, em Pereira Barreto), em meados de 1961. De lá, a família foi para São Félix (região rural do então Patrimônio de Santo Antônio D’Oeste).
A família Novaes Santos foi trabalhar na lavoura. Mas nem tudo saiu como foi planejado. Diante das dificuldades enfrentadas, em 1972 a família decidiu migrar para Paranaiguara, em Goiás, permanecendo até 1977, quando decidiu voltar para Suzanápolis.
O jovem José Novaes foi trabalhar na lavoura de mamão., onde permaneceu por vários anos.
Em 30 de julho de 1986 ingressou na Prefeitura de Pereira Barreto, trabalhando como motorista no transporte de alunos. Foi exatamente o bom relacionamento com os alunos e seus familiares que o levou à política. Sempre solícito e atencioso, José Novaes rapidamente tornou-se pessoa bastante conhecida.
Como motorista, acompanhou de perto as movimentações para emancipação de Suzanápolis de Ilha Solteira (desmembraram de Pereira Barreto). Da mesma forma viu e acompanhou as negociações para a partilha dos bens municipais, como máquinas, veículos, tratores e caminhões.
ELEIÇÃO
Em 1992 os grupos políticos se mobilizaram para lançar candidaturas nas três cidades – Pereira Barreto e os municípios recém-criados Ilha Solteira e Suzanápolis.
Cada grupo político procurou buscar nomes de projeção em diferentes áreas, como comércio, meio rural, saúde, educação e funcionalismo público.
José Novaes foi um dos convidados para disputar uma vaga na Câmara Municipal de Suzanápolis. Jamais tinha passado pela sua cabeça ser vereador, mas o convite mexeu com ele. Após conversa com a família e pessoas mais próximas aceitou o desafio.
Foi um dos vereadores mais votados. Começou a fazer história. A partir daí, foram mais sete eleições, sempre com expressiva votação.
TRAJETÓRIA POLÍTICA
Na Câmara, além da comissão constituinte, José Novaes foi presidente por duas vezes e também vice-presidente. Atuou sempre na área da educação, esporte, saúde e habitação. Ele tem uma extensa folha de serviços prestados ao município, mas orgulha-se de algumas conquistas, como o trabalho para iluminação do estádio de Suzanápolis; melhoria do estádio do patrimônio São Jorge. Outro trabalho meritório foi a conquista de conjunto habitacional de 176 unidades.
São muitos trabalhos realizados. Porém, duas conquistas são muito importantes para ele. A primeira proposta foi o projeto de sua autoria, aprovada pela Câmara e acatada pelo Executivo que criou o programa bolsa de estudos para o ensino superior e a segunda, a conquista de um conjunto habitacional de 45 unidades. Para José Novaes, que estudou até a 5ª série, a educação é a base de tudo. Por isso, empenhou-se tanto em garantir a bolsa de estudo para quem quer estudar e não tem condições de arcar com os custos. “Quanto ao Conjunto Habitacional Jardim Monte Vistoso, representa uma luta de muito tempo. A casa própria é a base da família, disse.
Preparando-se para deixar a Câmara, José Noves deixou uma mensagem a quem quer atuar como vereador. “Coloque sempre o interesse da comunidade e do município à frente das questões pessoais. Trabalhe para que a educação, saúde, cultura e esporte sejam sempre destaque em nosso município”.
VIDA PESSOAL
No dia 10 de outubro de 1978, José Novaes, então em 20 anos, casou-se com Aparecida Dias Costa Novaes Santos, que tinha apenas 16 anos. Foram décadas de intensa convivência. A esposa era uma das maiores entusiastas de sua atuação política e sempre esteve ao seu lado. Porém, ela faleceu em 2020. Foi um duro golpe para José Novaes, que agora optou deixar a vida pública, mantendo-se apenas como servidor público municipal enquanto aguarda o tempo certo para a aposentar-se pela Prefeitura. O casal teve duas filhas: Simone e Cristiane Novaes e duas netas: Sophia Rhyna Dias Novaes e Ana Carolina Novaes.






