Organizadores anunciaram nesta sexta-feira que evento previsto para setembro não será mais realizado; edição foi marcada por controvérsia com ambulantes, questionamentos envolvendo a Prefeitura e decisão da Justiça que proibiu a presença de menores de 18 anos
ANTÔNIO CRISPIM – ARAÇATUBA
Depois de semanas de polêmicas, questionamentos e uma disputa judicial envolvendo as condições para realização do evento, a Expô Araçatuba 2026 foi oficialmente cancelada. A decisão foi comunicada pelos organizadores nesta sexta-feira (21), por meio de nota oficial.
A festa estava programada para ocorrer entre os dias 10 e 13 de setembro, no Recinto de Exposições Clibas de Almeida Prado, em Araçatuba. No pedido apresentado à Justiça, a organização previa atividades diariamente das 19h às 6h, com shows musicais e exposição agropecuária.
Na nota divulgada nesta sexta-feira, os responsáveis informaram que a edição deste ano não será realizada e sinalizaram que os esforços passam agora a ser direcionados à organização da Expô Araçatuba 2027.
O cancelamento ocorre após uma sequência de controvérsias que antecederam a realização da festa, incluindo o embate entre ambulantes e a Prefeitura de Araçatuba sobre as condições para o comércio no entorno do recinto e questões jurídicas relacionadas à própria realização do evento.
Justiça proibiu entrada de menores
Um dos principais obstáculos surgiu na Vara das Execuções Criminais e da Infância e da Juventude de Araçatuba.
Em 1º de agosto, o juiz Carlos Gustavo de Souza Miranda indeferiu o pedido de alvará judicial apresentado pela empresa responsável pela Expô e determinou a proibição absoluta da entrada e permanência de crianças e adolescentes menores de 18 anos em todas as noites, horários e ambientes da festa, inclusive acompanhados pelos pais ou responsáveis.
A decisão levou em consideração um histórico de irregularidades apontadas em edições anteriores. Conforme registrado posteriormente pelo próprio Judiciário, entre os problemas mencionados estavam ocorrências relacionadas à venda e ao consumo de bebidas alcoólicas por adolescentes e ausência de controle etário efetivo.
O pedido inicial apresentado pela empresa organizadora pretendia justamente obter autorização para a presença de crianças e adolescentes. A documentação protocolada em julho previa, entre outras regras, a entrada de menores de 16 anos acompanhados e de adolescentes entre 16 e 18 anos mesmo desacompanhados, mediante as condições que seriam estabelecidas no alvará.
Organização tentou reverter decisão
Após o primeiro indeferimento, a organização apresentou pedido de reconsideração e anexou novos documentos ao processo.
O Ministério Público, ao analisar o caso, apontou que ainda havia uma série de providências e documentos a serem apresentados. Entre eles estavam comprovações relacionadas aos shows contratados e o alvará do Município de Araçatuba.
O MP também sugeriu a realização de audiência com os responsáveis pela organização e representantes de diversos órgãos, entre eles Prefeitura, Vigilância Sanitária, Fiscalização de Posturas, Secretaria Municipal de Saúde, Polícia Militar, Polícia Civil, Conselhos Tutelares e Corpo de Bombeiros.
Outro ponto levantado pelo Ministério Público foi a possibilidade de fixação de caução judicial, diante dos riscos apontados e do histórico relacionado à edição de 2025.
Reconsideração também foi negada
Em 12 de agosto, veio um novo revés. O juiz conheceu do pedido de reconsideração, mas negou a solicitação e manteve integralmente a decisão anterior.
Na nova decisão, o magistrado destacou que documentos considerados essenciais à segurança, entre eles aqueles relativos às estruturas temporárias e à segurança privada, ainda seriam apresentados posteriormente. Para o Judiciário, aceitar a entrega desses documentos somente próximo à abertura dos portões prejudicaria a fiscalização preventiva.
O juiz também lembrou problemas registrados na edição de 2025 e concluiu que não havia elementos novos suficientes para afastar o risco anteriormente identificado. Ao negar a reconsideração, ressaltou que a decisão não impedia a realização da Expô para público exclusivamente maior de idade, mas mantinha a vedação à presença de crianças e adolescentes.
Prefeitura também entrou no radar da Justiça
A eventual participação da Prefeitura de Araçatuba na realização da Expô também passou a ser objeto de questionamento no processo.
Em decisão de 6 de agosto, a Justiça determinou que o prefeito prestasse esclarecimentos sobre eventual participação direta ou indireta do Município na organização, promoção, patrocínio ou custeio do evento, incluindo possível cessão de espaço, estrutura ou servidores.
O assunto ganhou relevância depois que o Ministério Público informou à Justiça ter recebido notícias sobre possível participação municipal no evento. O MP também comunicou que, mesmo após a proibição judicial, havia indícios de divulgação da possibilidade de acesso de menores e comercialização de ingressos destinados a esse público.
Polêmica com ambulantes antecedeu cancelamento
Paralelamente à discussão judicial, a Expô também esteve no centro de uma polêmica entre ambulantes e a administração municipal, ampliando a incerteza em torno da festa nas últimas semanas.
Com o anúncio desta sexta-feira, entretanto, a edição de 2026 está definitivamente fora do calendário. A expectativa criada em torno da retomada da tradicional exposição dá lugar agora aos preparativos anunciados pelos organizadores para 2027.
A documentação judicial anexada ao processo mostra que a edição deste ano havia sido planejada como um evento de grande porte, com shows e feira agropecuária durante quatro noites.
Agora, pouco menos de três semanas antes da data prevista para a abertura dos portões, a Expô Araçatuba 2026 termina antes mesmo de começar.






