Rompimento de adutora não foi fato isolado; córrego vem transbordando com frequência e inundando a Avenida Joaquim Pompeu de Toledo
ANTÔNIO CRISPIM – ARAÇATUBA
Desde a noite de quarta-feira o rompimento de uma adutora da GS Inima Samar sobre o Córrego Machadinho, próximo à ponte da Rua Presidente Bernardes, mobilizou as atenções da sociedade porque milhares de moradores de 21 bairros da cidade ficaram sem água. A crise no abastecimento ofuscou o fato de que a elevação do nível da água do Córrego Machadinho acabou inundando extenso trecho da Avenida Pompeu de Toledo, fato que vem se tornando rotina nas últimas chuvas mais intensas. Por que isso está acontecendo? Essa ;ea pergunta que muitos estão fazendo. A reportagem do portal Nossa Cidade (nossacidade.online) falou com dois especialistas, que deram as explicações, desde que preservadas as fontes.
Os dois especialistas divergiram muito pouco e lembraram que a ação urbanizadora mudou a bacia do Machadinho. Um dos especialistas, que atuou no serviço público de Araçatuba, lembrou que a represa existente na esquina das avenidas Pompeu de Toledo e Brasília era um piscinão natural que controlava a vazão do córrego. Porém, a represa foi drenada e coberta, dando lugar a estabelecimentos comerciais e à rotatória mais famosa de Araçatuba, como descreveu o advogado Alceu de Batista de Almeida Júnior. Além disso, extenso trecho do córrego foi canalizado e transformado em galeria, como entre a rotatória da Saudade e a Rua Tupinambás.
A interferência direta no leito do córrego e a urbanização de extensas áreas na região sul de Araçatuba, contribuíram para eventos de transbordamento, que desafiaram sucessivas administrações. Praticamente todos os anos o Machadinho transbordava entre as avenidas Saudade e Brasília. Por diversas vezes as mesas do Restaurante Choppompeu ficaram boiando.
Redução dos problemas com nova canalização
No primeiro governo de Cido Sério (2009/2012), foi executada a obra de nova canalização do córrego, ampliando consideravelmente a capacidade de vazão do córrego. Com isso, as inundações praticamente desapareceram. O córrego chegou a transbordar, mas de forma menos agressiva e sem causar tantos transtornos.
O aumento da vazão do Machadinho e obras complementares na Lagoa das Flores resolveram até mesmo o antigo problema de transbordamento da lagoa, que causava sérios prejuízos a moradores do Jardim América. A razão simples. A água da Lagoa das Flores é drenada, por meio de galerias, para o Córrego Machadinho, próximo à Rua América do Sul. Com a água drenando mais rapidamente, o risco de reflexo da água para a lagoa era menos.
Obras impactaram o sistema de drenagem e aumentaram volume de água
Muitas obras urbanas foram executadas em extensa área de Araçatuba, desde o Iporã, Jussara e outros bairros, que receberam muitos empreendimentos imobiliários e pavimentação de vias. A impermeabilização de vias acaba aumentando o volume de água nos mananciais superficiais.
A lagoa da nascente do Córrego Iporá (próximo à Rua Rotary Cube) seria um piscinão natural para segurar a água. Mas jamais recebeu os cuidados necessários. Assim, o Córrego Iporã passa pela Avenida Paranapanema e depois Café Filho (canalizado) e deságua no Machadinho.
Nova Pompeu foi a gota d’água para agravar o problema
A área alagadiça e permeável (brejo) que margeava o Machadinho em longo trecho desapareceu com as obras da “Nova Pompeu”. O brejo funcionava como esponja, absorvendo toda água que chegava da região da Cussy de Almeida e ruas transversais e região do Icaray. Com a impermeabilização da área, toda água que chega vai para o leito do córrego rapidamente, aumentando o volume de água. A área canalizada consegue suportar, mas onde o córrego corre naturalmente e com obstáculos naturais, o nível da água sobe e transborda, chegando à parte mais baixa da pista da Pompeu de Toledo, sentido bairro-centro em frente à escola Thathi.
Em 2028, mesmo antes de iniciar as obras da “Nova Pompeu”, um secretário do governo anterior falou com muita clareza o que poderia acontecer no futuro. Foi profético. As inundações já estão ocorrendo.
O que precisa ser feito
Em 2018, o então secretário do governo Dilador Borges disse que uma das alternativas seria transformar a lagoa próximo à Rua Rotary Clube em uma área de contenção de água. No entanto, devido aos empreendimentos imobiliários, esta medida se torna mais difícil.
Os dois especialistas ouvidos pela reportagem afirmaram que é imperioso criar pelo menos um piscinão para contenção das águas do Machadinho. Porém, depende de estudos mais aprofundados.
O outro foi mais radical. Para ele, é necessária a construção de dispositivos redutores de velocidade imediatamente, não descartando a necessidade de dispositivo de retenção da água.
Uma coisa é certa. Na avaliação dos dois engenheiros, se não conseguirem reduzir a contribuição de águas pluviais no Machadinho, as inundações da Pompeu serão mais frequentes e perigosas.
Foto em destaque – Represana edsquina das avenidas Pompeu de Toledo e Braasília






