Terça-feira, 22 de setembro de 2026
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Audiência pública em Campo Grande vai debater reativação da Malha Oeste

Reunião acontece no dia 15 de agosto e discutirá impactos econômicos, sociais e ambientais da retomada ferroviária DA REDAÇÃO –.

Audiência pública em Campo Grande vai debater reativação da Malha Oeste

Reunião acontece no dia 15 de agosto e discutirá impactos econômicos, sociais e ambientais da retomada ferroviária

DA REDAÇÃO – CAMPO GRANDE

 A reativação da ferrovia Malha Oeste será tema de uma audiência pública no próximo dia 15 de agosto (sexta-feira), às 9h, no Plenário Olive Enciso, na Câmara Municipal de Campo Grande.

A proposta é discutir com a população, autoridades e setores produtivos o impacto da retomada da linha férrea, que pode transformar Mato Grosso do Sul em um hub logístico estratégico, conectando o estado ao Sudeste e promovendo desenvolvimento com responsabilidade social e ambiental.

Estão convidados representantes dos governos federal, estadual e municipal, além de empresários, trabalhadores, prefeitos, vereadores e lideranças comunitárias de Mato Grosso do Sul e São Paulo.

Segundo os organizadores, a reativação da ferrovia pode impulsionar a economia regional, atrair investimentos, facilitar o escoamento da produção agrícola e industrial e gerar empregos diretos e indiretos em todo o trajeto da malha.

A iniciativa é do deputado federal Vander Loubet, do deputado estadual Zeca do PT e da vereadora de Campo Grande Luíza Ribeiro,

INTERESSE PAULISTA

A Malha Oeste, que foi operada pela Rede Ferroviária Federal S.A., depois a América Latina Logística (ALL) e por fim pela RumoLogística, liga Bauru (SP) a Corumbá (MS). De Bauru há interligação com o Porto de Santos. A ferrovia passa por dezenas de municípios no Estado e São Paulo,  antes de chegar a Mato Grosso do Sul. Muitas dessas cidades nasceram exatamente devido à chegada da ferrovia. A reativação da Malha Oeste é esperada desde 2020, quando a Runo abriu mão da concessão e priorizou outras ferrovias. Em 2023, a Agênca Nacional de Transporte Terrestre realizou audiências públicas em Campo Grande e Brasília para discutir o assunto.

Em agosto de 2024, por iniciativa dos deputados Vander Loubet e Zeca do PT, foi realizada audiência pública na Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul.

O debate reuniu representantes de diversos segmentos e levantou dados para elaboração de documentos que serão enviados ao Governo Federal para justificar a relicitação da ferrovia e tornar Mato Grosso do Sul um potencial logístico para o país e América do Sul.

Zeca do PT explicou que a discussão é pensar no futuro, visto que a Rota Bioceânica, rodovia que ligará o Atlântico ao Pacífico, está em obras ligando o Brasil ao Chile para o escoamento da produção. “Ao lado dessa rodovia temos o trem no Brasil e no Paraguai foi deixado o espaço para os trilhos aonde ainda não existe. Olha a infraestrutura logística que estamos montando para superar a pobreza e o abandono dessa parte da América do Sul, incluindo Mato Grosso do Sul, tornando em uma das regiões mais prósperas do mundo. Imagina você chegar com toda nossa produção aos portos do Pacífico, encurtando em 10 mil quilômetros o transporte para o mercado asiático. Imagina você trazer o gás da Argentina, do maior campo de gás decoberto na América Latina, juntando com o gasoduto da Bolívia e distribuir para o Brasil. Só Mato Grosso do Sul é capaz de materializar esse sonho”, destacou.

Vander Loubet completou. “Não tem como falar na integração sem falar do transporte intermodal, que já existe aqui. A Malha Oeste foi uma privatização que deu errado. Queremos então fazer essa movimento político bem forte para retomar. É uma ferrovia consolidada, então não precisa de licenciamento ambiental. Temos carga para transportar. Reunimos todas as condições e agora precisamos pressionar o Governo Federal para retomar essas discussões. Estou muito otimista, que essa é a principal obra que devemos dar uma resposta à sociedade. Olha o tanto de caminhões que trafegam e a ferrovia é um transporte mais barato e mais limpo”, ressaltou o parlamentar que quer levar uma comissão até o presidente Lula, para que saiba a realidade sul-mato-grossense.

Nesse sentido, o representante da Secretaria Estadual de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc), assessor Lucio Lagemann, explicou que o abandono da ferrovia traz um atraso ao crescimento do Estado, sem contar o valor histórico da malha, que possibilitou o crescimento de diversas cidades. Segundo a apresentação do assessor, em nome do Governo do Estado, em 2021 a concessionária atual da malha, RUMO S/A, obteve a aprovação do pedido de devolução do trecho em modelo amigável e, assim, o Estado autorizou os estudos para a relicitação por parte da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT).  O Governo do Estado estima que sejam necessários R$ 4 bilhões para a revitalização da malha.

Mapa dos trechos ferroviários a serem interligados

“Esse recurso seria para a requalificação da ferrovia, com a substituição de dormentes. É uma ferrovia já existente, tem o berço já pacificado, não há necessidade de novas desapropriações e ela já corta o estado. Hoje, para fazer a construção de uma nova ferrovia precisaria de muito estudo de impacto ambiental e muito mais recursos. Temos que aproveitar aquilo que já está pronto. Temos um incremento significativo de cargas de mineração em Corumbá, com o licenciamento para 15 milhões de toneladas, sendo que a projeção dos próximos anos é de 50 milhões de toneladas. Isso torna evidente que precisamos atender a demanda, visto que é um local com muita geração de emprego. A ferrovia é o transporte mais adequado quando se fala de minério, que tem a necessidade de seguir longas distâncias, com um custo muito mais baixo do que pela rodovia”, argumentou Lagemann.

REDUZIR DISTÂNCIA

O governo brasileiro está empenhado em buscar alternativas para encurtar distância com a Ásia,, onde estão grandes parceiros econômicos. A relicitação da Malha Oeste pode ser a melhor alternativa, pois já existe a ferrovia precisando apenas a modernização.

Com informações da Assembleia Legislativa (Fernanda Kintschner   Foto: Luciana Nassar)

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