Djalma Trindade leva os netos para a terapia três vezes por semana, gastando mais de um salário mínimo ao ano para estacionar o carro na rua.
DA REDAÇÃO – SÃO PAULO
Djalma Trindade é avô de Benjamin e Emanuel, duplas de 4 anos que são autistas de nível 2 e 3 de suporte. Djalma ajuda a filha Denise na rotina dos netos, que inclui levá-los de carro para sessões de terapia em uma clínica a 14 quilômetros do bairro onde residem três vezes por semana.
“Próximo à clínica só há vagas rotativas Zona Azul com o custo de R$ 6,67 por hora e limite máximo de duas horas de uso”, explica Djalma, que mora na zona leste de São Paulo. O valor resulta em uma despesa de R$ 1920,96 ao ano para uma família, valor superior ao salário mínimo atualizado de R$ 1518 . “Além disso, duas horas não são suficientes, então preciso mudar o carro de local ou corro o risco de ser multado”, completa.
Certo de que muitas pessoas enfrentam as mesmas dificuldades, Djalma criou um abaixo-assinado na plataforma Change.org solicitando a gratuidade das vagas rotativas para idosos e pessoas com deficiência em todo o território nacional, além do aumento do limite de uso da vaga por três horas. Em poucos dias, a petição reuniu 10 mil assinaturas: change.org/RotativoGratuito
“Idosos e pessoas com deficiência já têm muitas despesas. Esse benefício garante mais acessibilidade e dignidade na mobilidade urbana para quem mais precisa”, defende Djalma. “Espero que a proposta chegue às autoridades e ajude muitas pessoas”, encerra.
Rotativo gratuito já é realidade em alguns locais
Em municípios como Guarulhos, Indaiatuba (SP), Campina Grande (PB) e Paulista (PE), a legislação local já garante a gratuidade do uso das vagas rotativas para idosos e pessoas com deficiência. Em Santos, no litoral paulista, pessoas com deficiência são isentas de pagamento, mas idosos não. Já no Espírito Santo, a gratuidade para idosos de todo o estado foi garantida por lei em maio de 2024.
Uso do carro entre idosos e pessoas com deficiência
Um estudo da Fundación Mapfre de 2022 mostra que 60% das pessoas com mais de 60 anos realizam suas posições com um automóvel. A porcentagem de pessoas desta faixa etária com habilitação subiu de 11% em 2013 para 18% em 2021. Uma pesquisa aponta também que esses idosos costumam ter papel importante na família e, como Djalma, levam e buscam familiares em compromissos.
De acordo com pesquisa realizada em 2023 pelo Instituto Locomotiva com o apoio da Uber, 47% da população PCD declarou usar carro particular para se deslocar. Os modais menos utilizados foram ônibus e vans municipais (34%) e metrô (14%). Além disso, 67% dos entrevistados responderam que se deslocaram por razões relacionadas a atendimentos de saúde.






