Aeronave supersônica de alta tecnologia é resultado de parceria entre indústria nacional e internacional
DA REFAÇÃO – GAVIÃO PEIXOTO
O Brasil deu um passo histórico na indústria de defesa ao apresentar, nesta quarta-feira (25), o primeiro caça supersônico produzido no país, o F-39E Gripen. A cerimônia ocorreu no complexo industrial da Embraer, em Gavião Peixoto, e marca a entrada do país em um seleto grupo de nações capazes de desenvolver e fabricar aeronaves de combate avançadas.
O projeto é fruto da parceria entre a Saab, a Embraer e a Força Aérea Brasileira, consolidando um dos maiores programas de transferência de tecnologia já realizados no Brasil.
Autoridades e cooperação internacional
A apresentação contou com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do vice-presidente Geraldo Alckmin, do ministro da Defesa José Múcio Monteiro Filho, além de autoridades militares e executivos das empresas envolvidas.
Também participaram o comandante da FAB, Marcelo Kanitz Damasceno, o CEO da Saab, Micael Johansson, e o presidente da Embraer, Francisco Gomes Neto, reforçando o caráter internacional da cooperação entre Brasil e Suécia.
Produção nacional e tecnologia de ponta

A produção do Gripen no Brasil ocorre na unidade da Embraer em Gavião Peixoto, com participação de uma cadeia de fornecedores nacionais e internacionais. Parte das estruturas também é fabricada na unidade da Saab em São Bernardo do Campo.
Antes da entrega final, a aeronave ainda passará por testes funcionais e voos de ensaio. Após essa etapa, será incorporada à frota do Primeiro Grupo de Defesa Aérea, sediado na Base Aérea de Anápolis.
Atualmente, o Brasil já recebeu 11 unidades do modelo, que começaram a ser entregues em 2020.
Capacidade estratégica
Considerado o mais avançado vetor de defesa aérea do país, o Gripen é projetado para atuar em missões de defesa aérea, reconhecimento e ataque. A aeronave conta com aviônicos modernos, sensores de última geração e sistemas integrados que permitem atuação em ambientes complexos.
Entre os diferenciais estão a arquitetura centrada em rede e a capacidade de compartilhamento de dados em tempo real, o que amplia a consciência situacional e a eficiência em operações militares.
Programa prevê 36 aeronaves
O contrato firmado em 2014 prevê a aquisição de 36 caças — sendo 28 modelos monoposto (Gripen E) e 8 biposto (Gripen F).
Com a estrutura industrial já instalada no país, a expectativa é que o Brasil não apenas fortaleça sua defesa, mas também se consolide como polo de produção e exportação de aeronaves militares.
Inovação, tecnologia e defesa
Presente no evento, o vice-presidente Geraldo Alckmin lembrou que o governo federal disponibilizou, por meio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (Bndes), R$ 108 bilhões para projetos com foco em inovação.
“Quem domina tecnologia domina o futuro”, disse Alckmin, que é também ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços. “A indústria de defesa é um seguro para a soberania nacional, além de vanguarda do desenvolvimento industrial”, complementou.
O ministro da Defesa, José Múcio, destacou, entre as vantagens de se produzir o caça no Brasil, o acesso às tecnologias de ponta, o que, segundo ele, impacta de forma positiva a indústria nacional.
“Ao investir em defesa, nossa indústria registra um marco de amadurecimento e competência, permitindo ao Brasil se posicionar como o maior polo produtor da América Latina. Consolidará também nosso poder dissuasório, ampliando a capacidade de garantir a soberania nacional e a segurança regional”, discursou o ministro.
Novo capítulo da aviação
Para o Comandante da Aeronáutica, o tenente-brigadeiro do Ar Marcelo Damasceno, a entrega da aeronave supersônica – “a mais importante da história da aviação nacional” – representa um marco.
Segundo ele, este batismo cerimonial consolida a transição do planejamento à execução, bem como da expectativa à realidade, disse ao lembrar que, das 36 aeronaves adquiridas, 15 serão produzidas em instalações brasileiras, o que favorecerá uma cadeia produtiva de elevado valor agregado.
“Temos totais condições de produzir mais aeronaves Gripen em território nacional, uma vez que já dispomos de uma base industrial e tecnológica sólida, de capital humano altamente qualificado e, principalmente, da visionária capacidade de empreender e inovar, típica do DNA brasileiro”, acrescentou.
Apresentação do “carro voador”
Durante a visita dopresidente Lula e demais autoridades, tambémfpi apresentado o eVTOL — aeronave elétrica de decolagem e pouso vertical, conhecida como “carro voador”. A aeronave está sendo desenvolvida pela Eve Air Mobi lity, subsidiária da Embraer.O projeto conta com financiamento do BNDES e é voltado à mobilidade aérea urbana.
(PARTE DO TEXTO – AGÊNCIA BRASIL)






