Terça-feira, 22 de setembro de 2026
MPJ | Mais Pelo Jornalismo
Publicidade

CACB reage à “taxa das blusinhas zero” e pede ao Congresso derrubada de medida do governo federal

Entidade que representa 24 milhões de pequenos negócios acusa governo de favorecer plataformas estrangeiras e alerta para risco de desemprego.

CACB reage à “taxa das blusinhas zero” e pede ao Congresso derrubada de medida do governo federal

Entidade que representa 24 milhões de pequenos negócios acusa governo de favorecer plataformas estrangeiras e alerta para risco de desemprego e concorrência desleal

DA REDAÇÃO – SÃO PAULO

A Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil (CACB) divulgou uma dura nota de repúdio contra a Medida Provisória nº 1.357/2026 e a Portaria MF nº 1.342/2026, editadas pelo governo federal em 12 de maio, que reduziram a zero a alíquota do Imposto de Importação sobre remessas internacionais de até US$ 50 — medida que esvazia a chamada “taxa das blusinhas”.

A entidade, que afirma representar 93,8% do tecido empresarial brasileiro formado por micro e pequenas empresas, pediu ao Congresso Nacional que rejeite a MP e restabeleça o regime tributário criado pela Lei nº 14.902/2024.

Segundo a CACB, a decisão beneficia diretamente gigantes estrangeiras do comércio eletrônico, como Shein, Shopee e AliExpress, enquanto penaliza o pequeno comerciante brasileiro que paga impostos, encargos trabalhistas e enfrenta elevados custos operacionais.

“Competição desleal”, diz presidente da CACB

O presidente da CACB, Alfredo Cotait Neto, criticou duramente a medida e afirmou que o governo criou um cenário de desigualdade tributária.

“Você deixa o mercado internacional importar sem impostos e, aqui, quem trabalha, produz e gera empregos continua pagando tributos e encargos sociais. É uma competição desleal”, afirmou.

Na avaliação da entidade, o setor mais atingido será o comércio varejista de vestuário e acessórios — considerado o maior segmento entre as micro e pequenas empresas do país.

Pequenos negócios já sentem impacto

Dados apresentados pela CACB mostram que o faturamento das micro e pequenas empresas do setor de moda caiu 15,9% em março de 2026, um dos piores desempenhos registrados no período.

A entidade afirma que a retirada da taxação pode agravar ainda mais a crise do comércio nacional, favorecendo a migração do consumo para plataformas internacionais.

Segundo estudo da Confederação Nacional da Indústria (CNI), citado pela CACB, a vigência da chamada “taxa das blusinhas” ajudou a preservar:

  • 135 mil empregos no Brasil
  • R$ 20 bilhões circulando na economia nacional

Governo é acusado de agir por interesse eleitoral

A nota também acusa o governo federal de mudar de posição por conveniência política e eleitoral.

A CACB relembra que:

  • Em 2023, o próprio governo zerou o imposto para plataformas do programa Remessa Conforme;
  • Em 2024, sancionou a Lei nº 14.902/2024 criando a taxação;
  • E agora, em 2026, voltou atrás sem audiência pública ou mudança técnica relevante.

A entidade afirma que a decisão teria sido motivada pelo desgaste eleitoral causado pela cobrança da taxa.

Segundo dados citados no documento:

  • 82,6 milhões de brasileiros já compraram em plataformas internacionais;
  • Pesquisa Atlas de março de 2026 apontou que 62% dos brasileiros consideram a “taxa das blusinhas” um dos maiores erros do governo.

CACB pede rejeição imediata da MP

Ao final do documento, a confederação faz três pedidos ao Congresso Nacional:

  • Rejeição da MP nº 1.357/2026;
  • Retomada das regras da Lei nº 14.902/2024;
  • Criação de audiências públicas obrigatórias antes de qualquer mudança tributária envolvendo comércio eletrônico internacional.

A entidade também cobra previsibilidade regulatória e segurança jurídica para o setor produtivo.

“Tributo não pode ser estratégia de campanha”

Em um dos trechos mais duros da nota, a CACB afirma que o tema tributário não pode ser tratado como ferramenta política.

“Tributo é matéria de Estado, não estratégia de campanha”, conclui o documento encaminhado ao Congresso Nacional.

A entidade informou ainda que permanece à disposição para participar do debate técnico e institucional sobre o futuro da tributação do comércio eletrônico internacional no Brasil.

Compartilhar
Publicidade

Leia também