Com cerca de 30 milhões de brasileiras vivendo o climatério, especialistas apontam resultados promissores do CBD no controle de insônia, ansiedade e dores associadas às mudanças hormonais
DA REDAÇÃO – CURITIBA
A menopausa e a perimenopausa têm ganhado cada vez mais espaço nas discussões sobre saúde feminina no Brasil. A fase, marcada por intensas mudanças hormonais, impacta milhões de mulheres e tem impulsionado a busca por tratamentos capazes de reduzir sintomas e melhorar a qualidade de vida.
Estimativas indicam que cerca de 30 milhões de brasileiras vivem o climatério. Apesar da alta prevalência, muitas ainda enfrentam esse período sem acompanhamento adequado. Uma pesquisa nacional encomendada pela farmacêutica Bayer ao instituto Kantar revelou que 44% das mulheres que relatam sintomas da menopausa não realizam nenhum tipo de tratamento — seja por falta de informação, dificuldade de acesso ou por acreditarem que os sintomas fazem parte natural do envelhecimento.
Sintomas podem começar antes dos 50 anos
De acordo com o médico clínico-geral Adam Alborta, a transição hormonal pode começar ainda na faixa dos 40 anos e se estender por vários anos.
Entre os sintomas mais comuns estão:
-
ondas de calor
-
suores noturnos
-
insônia
-
ansiedade
-
alterações de humor
-
queda da libido
-
dificuldade de concentração
-
dores articulares
Além dos efeitos físicos, a menopausa também pode afetar autoestima, relações pessoais e desempenho profissional, tornando o cuidado com a saúde feminina ainda mais importante nessa fase.
“É fundamental entender que a menopausa não é uma doença, mas uma fase de intensas mudanças hormonais que podem gerar sintomas relevantes e impactar a qualidade de vida. O acompanhamento médico é essencial para avaliar cada caso e definir estratégias individualizadas”, explica Alborta.
Cannabis medicinal ganha espaço no tratamento
Nesse cenário, cresce o interesse por abordagens complementares para o controle dos sintomas. Entre elas, o canabidiol (CBD) — composto não psicoativo derivado da cannabis — tem sido estudado por suas propriedades anti-inflamatórias, ansiolíticas e moduladoras do sono.

Segundo o especialista, a ação do CBD ocorre no sistema endocanabinoide, responsável por regular funções importantes do organismo, como sono, dor e equilíbrio emocional.
“A cannabis medicinal, especialmente formulações com canabidiol, tem sido associada ao alívio de sintomas como insônia, ansiedade, irritabilidade, dores musculares e articulares, inflamação e alterações de humor”, afirma Alborta.
Estudos internacionais também apontam relatos de melhora em sintomas comuns da transição menopausal, desde que o tratamento seja realizado com prescrição e acompanhamento médico.
Avanço regulatório amplia acesso no Brasil
O debate sobre novas terapias ocorre em paralelo ao avanço da regulamentação no país. Após atualização das normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em 2026, o Brasil passou a contar com regras mais claras para cultivo, produção e comercialização de produtos à base de cannabis medicinal.
A medida amplia a oferta nacional e fortalece a segurança sanitária e jurídica do setor.
Interesse de mulheres cresce no país
Na prática, o aumento da procura por alternativas terapêuticas já é percebido por empresas do setor.

À frente da Cannabis Company, primeira farmácia do país especializada exclusivamente em cannabis medicinal com produtos de CBD à pronta entrega, Michele Farran afirma que o interesse de mulheres tem crescido nos últimos anos.
“Temos recebido muitas mulheres que chegam com indicação médica ou buscando informações sobre o uso do canabidiol para aliviar sintomas da perimenopausa e menopausa. Para muitas delas, melhorar o sono, reduzir a ansiedade e controlar dores já representa um ganho enorme de qualidade de vida”, afirma.
Para ela, ampliar o debate sobre o tema é fundamental.
“Discutir menopausa e perimenopausa é garantir que milhões de mulheres tenham acesso à informação, diagnóstico e opções de tratamento seguras. Ao lado das terapias tradicionais, o uso responsável do canabidiol surge como uma alternativa complementar que pode contribuir para mais qualidade de vida nessa fase”, conclui.
Crédito foto destaque – Sílvia Rita






