Assessor de Planejamento e Elaboração de Projetos afirma que não participou da contratação da decoração da Praça Olímpica e explica medidas adotadas para controlar o acesso ao Estádio Adhemar de Barros
ANTÔNIO CRISPIM – ARAÇATUBA
Alvo de críticas nesta semana por dois episódios envolvendo a Secretaria Municipal de Esportes, o assessor de Planejamento e Elaboração de Projetos, Vlademir Luís Poerschke, o Careca, rompeu o silêncio e falou com exclusividade ao Nossa Cidade (nossacidade.online).
Os questionamentos envolveram a decoração da Praça Olímpica durante a Copa do Mundo da Fifa e decisões relacionadas ao controle de acesso ao Estádio Municipal Adhemar de Barros, especialmente para atividades de atletismo e eventos promovidos por entidades esportivas.
Embora os fatos tenham ocorrido em períodos distintos — a decoração no fim de junho e as mudanças no acesso ao estádio no início do ano passado —, ambos ganharam repercussão apenas nesta semana.
Um dia após as críticas e sem manifestação oficial da Prefeitura, a reportagem procurou diretamente o assessor, que respondeu aos questionamentos e apresentou sua versão dos fatos.
Decoração da Praça Olímpica
Sobre as críticas relacionadas aos gastos com a decoração da Praça Olímpica durante a Copa do Mundo, Careca afirmou que não participou de qualquer procedimento administrativo referente à contratação de serviços ou aquisição de materiais.
Segundo ele, a iniciativa foi fruto de uma parceria entre o TH+ SBT Interior e a Prefeitura de Araçatuba.
“A princípio, a parceria seria conduzida pela Secretaria Municipal de Cultura. Porém, poucos dias antes do início da Copa do Mundo, a responsabilidade foi transferida para a Secretaria de Esportes”, explicou.
De acordo com o assessor, sua participação ocorreu exclusivamente por causa de sua trajetória no futebol.
“Por ser ex-jogador profissional, ter uma carreira ligada ao futebol e já ter acompanhado uma Copa do Mundo, fui escalado para ser o porta-voz da iniciativa. Por isso concedi entrevistas e gravei vídeos, inclusive ao lado do prefeito Lucas Zanatta, convidando a população para participar das atividades”, afirmou.
Careca negou qualquer envolvimento na execução financeira do projeto.
“Jamais tive qualquer participação na compra de materiais ou na contratação de serviços. Desafio alguém a apresentar qualquer documento assinado por mim autorizando qualquer despesa.”
Ele também disse estranhar que as críticas tenham sido direcionadas especificamente a ele quase dois meses após a realização do evento.
Controle de acesso ao estádio
Outro tema abordado foi a mudança no controle de acesso ao Estádio Municipal Adhemar de Barros, que gerou reclamações de integrantes do atletismo e de participantes de atividades esportivas realizadas no local.
Segundo Careca, a decisão não foi individual nem arbitrária.
“Como profissional ligado ao futebol, fui incumbido de zelar pelo estádio.”
Ele explicou que, no início do ano passado, foram furtados equipamentos utilizados na manutenção do gramado.
“Desapareceram dois sopradores e um equipamento costal. A Guarda Municipal e a Polícia Militar foram acionadas. Após vistoria, verificou-se que não havia sinais de arrombamento. Descobrimos que diversas pessoas, inclusive sem vínculo com o serviço público, possuíam chaves de acesso ao estádio.”
Diante dessa situação, segundo o assessor, a orientação recebida foi substituir todos os cadeados.
“A partir daí, quem precisasse utilizar o estádio deveria solicitar o acesso.”
Caso envolvendo o Nipo
Careca confirmou que houve um problema logo após a troca dos cadeados.
Segundo ele, os dispositivos foram substituídos numa sexta-feira e, no domingo seguinte, integrantes do Nipo ficaram sem acesso ao estádio.
“Eles procuraram o vereador Hideto Honda, que acionou o secretário Mauro Yamanoi. O secretário foi ao local, resolveu a situação e o problema não voltou a acontecer.”
Atletismo continuou utilizando o estádio
Em relação às críticas sobre supostas restrições aos treinamentos de atletismo, o assessor afirmou que nunca houve proibição.
“O que existia era uma necessidade de organização. Nos dias de jogos da Associação Esportiva Araçatuba, o estádio ficava à disposição da Federação Paulista de Futebol.”
Segundo ele, nessas ocasiões, a Secretaria disponibilizava transporte para que os atletas treinassem na pista de Birigui.
“Também havia restrições em dias de treinos por questões de segurança.”
Careca destacou que, embora seja um estádio de futebol, o espaço é amplamente utilizado pela população.
“O Adhemar de Barros recebe muitas pessoas para caminhadas e outras atividades. Temos a obrigação de preservar tanto a segurança das pessoas quanto o patrimônio público.”
Controle trouxe mais segurança
Na avaliação do assessor, a mudança desagradou apenas um pequeno grupo.
“Poucas pessoas ficaram insatisfeitas, porque já não tinham qualquer ligação com o atletismo local e, mesmo assim, queriam acesso irrestrito ao estádio.”
Para ele, o novo sistema trouxe maior controle sobre o uso do espaço.
“Passamos a ter mais zelo pelo patrimônio, sabendo exatamente quem utiliza o estádio. Antes, o acesso ocorria sem qualquer controle.”
Trajetória em Araçatuba
Natural de Santa Maria (RS), Vlademir Luís Poerschke chegou a Araçatuba em 1985 para defender a Associação Esportiva Araçatuba (AEA).
Após encerrar a carreira como jogador profissional, permaneceu na cidade, onde constituiu família e trabalhou em diversas empresas da iniciativa privada.
Segundo ele, esta é sua primeira experiência em cargo comissionado na administração pública.
Careca afirma que participou da campanha do prefeito Lucas Zanatta sem qualquer compromisso de ocupar cargo posteriormente. Após a eleição, foi convidado para integrar a Secretaria Municipal de Esportes em razão de sua trajetória no esporte.
Além da experiência no futebol, é formado em Direito, Marketing e Teologia.






