Terça-feira, 22 de setembro de 2026
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CESP implanta microchips em 600 peixes do Rio Paraná para monitorar migração durante a piracema

Ação integra o Programa de Conservação da Biodiversidade e reforça estudos sobre espécies prioritárias da bacia DA REDAÇÃO – PORTO.

CESP implanta microchips em 600 peixes do Rio Paraná para monitorar migração durante a piracema

Ação integra o Programa de Conservação da Biodiversidade e reforça estudos sobre espécies prioritárias da bacia

DA REDAÇÃO – PORTO PRIMAVERA

A CESP (Companhia Energética de São Paulo) iniciou a marcação de até 600 peixes nativos de espécies migratórias prioritárias da bacia do Rio Paraná. A operação, que segue até o fim da piracema, faz parte do Programa de Conservação da Biodiversidade da Usina Hidrelétrica Engenheiro Sérgio Motta (UHE Porto Primavera), com foco no monitoramento do comportamento reprodutivo das espécies.

Conservação e pesquisa

Segundo Odemberg Veronez, gerente de Sustentabilidade da CESP, o monitoramento é fundamental para orientar ações de conservação.
“A CESP tem o compromisso de contribuir para a conservação da biodiversidade de toda a região. As informações obtidas por meio dessa pesquisa são essenciais e, somadas à tecnologia empregada na escada de transposição, irão nortear nossas ações de preservação”, afirma.

Entre 2009 e 2025, 8.048 peixes já foram marcados no reservatório e nos principais rios tributários, como Peixe, Aguapeí, Verde e Pardo.

Como funciona a marcação

Os peixes recebem microchips (PIT tags) e etiquetas externas de identificação, permitindo o acompanhamento da movimentação ao longo do rio e da escada de transposição.
O processo segue protocolos rigorosos de bem-estar animal: após a captura, os peixes são anestesiados, medidos, marcados, descansam para recuperação total e são devolvidos ao rio.

As espécies monitoradas neste ciclo incluem: Piapara, Jurupoca, Piauçu, Pacu, Mandi-amarelo, Mandi-paraguaio, Barbado, Curimba, Pintado, Peixe-cachorro, Dourado, Jaú, Jurupesen e Cascudo-preto, típicas da piracema entre outubro e fevereiro.

Tecnologia a serviço da biodiversidade

A UHE Porto Primavera conta com uma das mais avançadas estruturas de monitoramento do país. A escada de transposição possui nove antenas de radiofrequência, alimentadas por energia solar, que registram automaticamente cada passagem de peixes marcados — identificando espécie, dia, horário e direção do deslocamento.

A escada, com quase meio quilômetro de extensão, simula condições naturais de migração e garante conectividade entre áreas rio acima e rio abaixo.
Segundo o Programa de Ictiofauna da CESP, 100% das 18 espécies migradoras da região utilizam a estrutura durante a piracema.

Participação de pescadores e ribeirinhos

Alguns peixes também recebem etiquetas visuais com o telefone do canal Diálogo Aberto. Após a piracema, quando a pesca volta a ser permitida, pescadores são convidados a informar eventuais capturas, relatando local, data e hora.

“Essas informações ajudam a entender a distribuição das espécies pelo reservatório e pela bacia. São dados essenciais para aprimorar as ações de conservação”, reforça Veronez.

Entre os registros mais relevantes do programa está a confirmação de peixes marcados que chegaram ao sistema de transposição de Itaipu, percorrendo mais de 400 km — além da primeira comprovação de que as espécies também utilizam a escada para descer o rio.

Biodiversidade preservada

O reservatório da UHE Porto Primavera, com 245 km de extensão, abriga 125 espécies nativas de peixes, representando 59% de todas as espécies da planície de inundação do alto Rio Paraná.

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