Municípios de menor porte ganham protagonismo ao apostar em identidade, planejamento e experiência para atrair visitantes
Em diferentes regiões do país, cidades com menos de 100 mil habitantes estão mostrando que tamanho não limita crescimento. Com planejamento, valorização da identidade local e organização da oferta turística, esses municípios vêm transformando o turismo em um dos principais motores da economia.
O movimento ocorre em meio à expansão do setor no país. Dados do Ministério do Turismo apontam que as atividades turísticas geraram 79.632 empregos formais nos 12 meses encerrados em janeiro de 2026. O setor também fechou 2025 com saldo positivo superior a 80 mil vagas, segundo o Novo Caged.
O que explica o avanço das cidades menores
Para a especialista em turismo Santuza Macedo, o crescimento desses destinos está longe de ser por acaso. Segundo ela, os municípios que se destacam têm algo em comum: estratégia.
“Não basta ter beleza natural. É preciso estruturar acesso, hospedagem, gastronomia, comunicação e criar uma experiência completa. O turista percebe quando o destino foi planejado”, afirma.
Entre os principais fatores estão:
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planejamento de longo prazo
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identidade territorial bem definida
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qualificação de serviços
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calendário de eventos
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integração entre setores
Destinos que viraram referência
Algumas cidades se tornaram exemplos claros desse modelo de desenvolvimento turístico:
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Gramado: referência nacional, recebeu 7,9 milhões de turistas em 2025, com crescimento expressivo
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Caldas Novas: destaque pelas águas termais e grande capacidade hoteleira
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Holambra: consolidou turismo baseado em flores e identidade cultural
Segundo a especialista, o sucesso desses destinos está no posicionamento claro. “O turista atual valoriza autenticidade. Cada cidade precisa saber exatamente o que oferece”, explica.
Outros destinos ganham força
Além dos mais conhecidos, outros municípios vêm ampliando sua relevância no turismo nacional, como:
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Pirenópolis
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Bento Gonçalves
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Monte Verde
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Bonito
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Jijoca de Jericoacoara
Nesses locais, o turismo funciona como um ecossistema econômico, movimentando hotéis, restaurantes, comércio, transporte e serviços.
Planejamento faz a diferença
Especialistas apontam que o sucesso dessas cidades está diretamente ligado à continuidade das políticas públicas. Em vez de ações pontuais, os destinos que avançam investem em:
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infraestrutura urbana
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qualificação profissional
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segurança e mobilidade
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monitoramento de fluxo turístico
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parcerias com a iniciativa privada
“Marketing atrai, mas é a estrutura que sustenta o crescimento. Sem organização, o turismo vira problema, não solução”, destaca Santuza.
Turismo como estratégia econômica
Mais do que lazer, o turismo tem se consolidado como uma política de desenvolvimento econômico, especialmente em cidades menores que buscam diversificar suas fontes de renda.
Ao transformar vocação em estratégia, esses municípios conseguem:
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gerar empregos
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aumentar a arrecadação
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fortalecer negócios locais
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reduzir desigualdades regionais
Para especialistas, o avanço dessas cidades também muda o mapa do turismo brasileiro, tradicionalmente concentrado em capitais e destinos de praia.
“Hoje, o interior mostra que é possível competir com organização, identidade e experiência de qualidade. Isso descentraliza o turismo e fortalece economias locais”, conclui Santuza Macedo.






