Evandro Everson dos Santos
Aproveitando momentos do meu ócio raramente criativo, no último feriado de 21 de abril, dia de Tiradentes, assisti uma excelente entrevista do ex-presidente da República Michel Temer, concedida ao economista e CEO da Warren Investimentos, Felipe Salto, no podcast Warren Política.
Professor de Direito Constitucional, Secretário de Estado, Deputado Federal por seis mandados consecutivos e Presidente da República (2016-2018), Temer deu uma aula magistral sobre política, economia e geopolítica. Além de diagnósticos precisos, prescreveu medicamentos institucionais para corrigir inconsistências e, em casos graves, tratamentos de choque.
O ápice da entrevista veio ao ser questionado sobre estabilidade econômica e política: “O governo tem que ser crível, e não incrível”.
Essa lição, ampla para qualquer governabilidade, ressoa perfeitamente nas prefeituras. Em um pleito com pouco mais de 101 mil votos válidos, um prefeito eleito com míseros 35% dos votos, surfou em promessas de resolver o caos na saúde, infraestrutura, educação e desenvolvimento econômico. Consumiu quase metade do mandato sem cumprir nada.
Pelo contrário: no início, interditou uma avenida vital da cidade, gerando prejuízos bilionários, e até hoje as inconsistências persistem, sem solução à vista.
Pior: isola-se em seu gabinete. Não recebe vereadores nem a população com suas demandas. Comunica-se só por redes sociais, menosprezando a Câmara Municipal e seus representantes.
Desdenha requerimentos de vereadores pedindo explicações – recentemente, sobre falhas em serviços de água, a concessionária através da Prefeitura respondeu à Câmara com um relatório… em inglês!
Absurdo que ignora a transparência e o diálogo. Mais uma vez, desdenha a Câmara Municipal, um poder autônomo, porém, que deveria ser harmônico.
Temer ensina que credibilidade não é carisma passageiro, mas ação concreta: ouvir, responder, cumprir. Um bom prefeito dialoga com o Legislativo, atende demandas populares, resolve problemas reais e não posa de “incrível” em lives direcionadas para o seu cercadinho. Mesmo que a margem de votos obtida não reflita a vontade majoritária do povo, independentemente das peculiaridades da legislação eleitoral, seu governo é de todos e deve governar para todos.
Sem credibilidade, o mandato vira fiasco, como vemos aqui. Hora de aplicar o remédio: governar com seriedade, ou o caos só crescera.






