Terça-feira, 22 de setembro de 2026
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Crível, e não incrível: dicas para ser um bom prefeito

Evandro Everson dos Santos Aproveitando momentos do meu ócio raramente criativo, no último feriado de 21 de abril, dia de.

Crível, e não incrível: dicas para ser um bom prefeito

Evandro Everson dos Santos

Aproveitando momentos do meu ócio raramente criativo, no último feriado de 21 de abril, dia de Tiradentes, assisti uma excelente entrevista do ex-presidente da República Michel Temer, concedida ao economista e CEO da Warren Investimentos, Felipe Salto, no podcast Warren Política.

Professor de Direito Constitucional, Secretário de Estado, Deputado Federal por seis mandados consecutivos e Presidente da República (2016-2018), Temer deu uma aula magistral sobre política, economia e geopolítica. Além de diagnósticos precisos, prescreveu medicamentos institucionais para corrigir inconsistências e, em casos graves, tratamentos de choque.

O ápice da entrevista veio ao ser questionado sobre estabilidade econômica e política: “O governo tem que ser crível, e não incrível”.

Essa lição, ampla para qualquer governabilidade, ressoa perfeitamente nas prefeituras. Em um pleito com pouco mais de 101 mil votos válidos, um prefeito eleito com míseros 35% dos votos, surfou em promessas de resolver o caos na saúde, infraestrutura, educação e desenvolvimento econômico. Consumiu quase metade do mandato sem cumprir nada.

Pelo contrário: no início, interditou uma avenida vital da cidade, gerando prejuízos bilionários, e até hoje as inconsistências persistem, sem solução à vista.

Pior: isola-se em seu gabinete. Não recebe vereadores nem a população com suas demandas. Comunica-se só por redes sociais, menosprezando a Câmara Municipal e seus representantes.

Desdenha requerimentos de vereadores pedindo explicações – recentemente, sobre falhas em serviços de água, a concessionária através da Prefeitura respondeu à Câmara com um relatório… em inglês!

Absurdo que ignora a transparência e o diálogo. Mais uma vez, desdenha a Câmara Municipal, um poder autônomo, porém, que deveria ser harmônico.

Temer ensina que credibilidade não é carisma passageiro, mas ação concreta: ouvir, responder, cumprir. Um bom prefeito dialoga com o Legislativo, atende demandas populares, resolve problemas reais e não posa de “incrível” em lives direcionadas para o seu cercadinho. Mesmo que a margem de votos obtida não reflita a vontade majoritária do povo, independentemente das peculiaridades da legislação eleitoral, seu governo é de todos e deve governar para todos.

Sem credibilidade, o mandato vira fiasco, como vemos aqui. Hora de aplicar o remédio: governar com seriedade, ou o caos só crescera.

Evandro Everson dos Santos é policial militar aposentado e economista

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