Especialista destaca que abordagem não é sinônimo de fim de vida, mas de qualidade e respeito às escolhas do paciente
DA REDAÇÃO – SÃO PAULO
Os cuidados paliativos são uma modalidade de assistência que visa garantir qualidade de vida a pacientes com doenças graves e progressivas, mesmo quando a cura já não é uma opção. Muito além do alívio da dor, a abordagem promove conforto físico e suporte emocional, respeitando os desejos e valores de cada indivíduo, desde o diagnóstico até os momentos mais críticos da enfermidade.
O médico geriatra Felipe Vecchi, diretor clínico das Clínicas de Transição Sainte Marie e da Assistcare Home Care, explica que cuidados paliativos “não são sinônimo de sentença de morte”. “O foco é suavizar o sofrimento, controlar sintomas e promover conforto e dignidade, sempre respeitando os desejos do paciente”, destaca.
Um exemplo recente e marcante dessa abordagem foi a trajetória da cantora Preta Gil, que após o diagnóstico de câncer, optou pelos cuidados paliativos para lidar com a fase mais delicada da doença. Cercada pela família e amigos, ela mostrou que é possível viver com conforto, acolhimento e serenidade, mesmo em meio à dor e à fragilidade.
Segundo Vecchi, a possibilidade de aproximação com entes queridos é uma das premissas fundamentais dos cuidados paliativos. “Permitir que amigos e familiares estejam por perto no auge da doença ajuda o paciente a realizar seus desejos, reduz angústias e reforça vínculos afetivos”, afirma.
Ação integrada de profissionais
Os cuidados paliativos contam com uma equipe multidisciplinar formada por médicos, enfermeiros, psicólogos, fisioterapeutas, nutricionistas e assistentes sociais. Juntos, esses profissionais oferecem um plano de cuidado personalizado que atende às necessidades físicas, emocionais, sociais e espirituais do paciente e de sua família.
Nesse contexto, as Clínicas de Transição exercem um papel estratégico ao fazer a ponte entre os diferentes níveis de atendimento. “Elas avaliam as necessidades do paciente, coordenam o plano terapêutico e garantem um ambiente mais acolhedor fora do hospital”, explica Vecchi. “É um suporte essencial para a continuidade do cuidado com dignidade e tranquilidade.”
O médico reforça a importância de desmistificar os cuidados paliativos, que ainda são erroneamente associados à morte. “Essa abordagem representa uma alternativa humanizada e compassiva, que valoriza a vida em todas as suas fases. É uma oportunidade de viver com mais qualidade, cercado de respeito, escuta e amor”, finaliza.






