Dados do Mapa das Câmaras, do TCE-SP, mostram despesas de 28 Legislativos paulistas entre maio de 2025 e abril de 2026; grupo reúne 6,17 milhões de habitantes, 461 vereadores e gasto médio de R$ 150,50 por morador
ANTÔNIO CRISPIM – ARAÇATUBA
Quanto custa manter uma Câmara Municipal em cidades paulistas de porte semelhante? Dados do Mapa das Câmaras, ferramenta do Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCE-SP), mostram diferenças expressivas entre os Legislativos de 28 municípios com população entre 160 mil e 300 mil habitantes.
O levantamento considera as despesas realizadas no período de maio de 2025 a abril de 2026. Juntas, essas cidades possuem 6.173.330 habitantes, 461 vereadores e despesas legislativas que somam aproximadamente R$ 929,1 milhões.
Quando o gasto total das 28 Câmaras é dividido pela população conjunta, a despesa média é de R$ 150,50 por habitante.
Araçatuba aparece em posição intermediária. Com 208.415 habitantes e 15 vereadores, a Câmara registrou despesa de R$ 28.587.239,35, equivalente a R$ 137,17 por morador.
O valor fica cerca de 9% abaixo da média per capita de R$ 150,50 do conjunto dos 28 municípios.
Araçatuba é a 13ª em custo por habitante
Quando os municípios são ordenados do maior para o menor gasto per capita, Araçatuba ocupa a 13ª posição entre as 28 Câmaras.
Doze municípios apresentam custo por habitante superior ao araçatubense e 15 registram valores inferiores.
Logo acima de Araçatuba aparecem Itapecerica da Serra, com R$ 139,74 por habitante, e Americana, com R$ 140,74. Abaixo estão Marília, com R$ 128,36, e Bragança Paulista, com R$ 128,26.
Diferença entre os extremos passa de oito vezes
A comparação mais impactante aparece entre São Caetano do Sul e Presidente Prudente.
São Caetano do Sul tem população de 172.693 habitantes e despesa legislativa de R$ 78 milhões, o equivalente a R$ 451,73 por morador.
Presidente Prudente, com população bem maior, de 234.706 habitantes, registra gasto de apenas R$ 12,74 milhões, ou R$ 54,27 por habitante.
Isso significa que o gasto per capita de São Caetano é aproximadamente 8,3 vezes superior ao de Presidente Prudente.
A diferença mostra como municípios enquadrados na mesma faixa populacional podem manter estruturas legislativas com custos completamente distintos.
Presidente Prudente custa menos da metade de Araçatuba
A comparação com Presidente Prudente também chama atenção diretamente em relação a Araçatuba.
Apesar de Prudente possuir cerca de 26 mil habitantes a mais, sua Câmara gastou aproximadamente R$ 15,85 milhões menos no período analisado.
O custo per capita prudentino, de R$ 54,27, corresponde a menos da metade dos R$ 137,17 de Araçatuba.
Em outras palavras, proporcionalmente à população, a Câmara de Araçatuba custa aproximadamente 2,5 vezes mais por morador do que a de Presidente Prudente.
Isso não significa, isoladamente, que uma Câmara seja mais eficiente que a outra. Estrutura administrativa, número de funcionários, salários, contratos, prédios, serviços, investimentos e outras despesas interferem no resultado. Mas a diferença é suficientemente grande para justificar uma análise mais aprofundada.
Araraquara tem mais habitantes e gasta menos
Outra comparação regional importante envolve Araraquara.
O município possui 253.474 habitantes, cerca de 45 mil a mais que Araçatuba, e 18 vereadores.
Mesmo assim, sua Câmara gastou R$ 27.278.570,34, valor aproximadamente R$ 1,3 milhão inferior aos R$ 28,59 milhões registrados em Araçatuba.
Por habitante, Araraquara apresenta custo de R$ 107,62, contra R$ 137,17 em Araçatuba.
A diferença é de quase R$ 30 por morador.
Rio Claro tem população semelhante e gasto maior
Rio Claro oferece uma comparação quase direta em população.
São 210.323 habitantes, apenas 1.908 a mais que Araçatuba.
Sua Câmara, entretanto, registrou despesa de R$ 36.472.827,94, aproximadamente R$ 7,9 milhões superior à de Araçatuba.
O gasto por habitante em Rio Claro chega a R$ 173,41, contra os R$ 137,17 araçatubenses.
Guarujá lidera em gasto absoluto
Se o critério for apenas o valor total gasto, o Guarujá aparece no topo.
Com população de 294.871 habitantes e 19 vereadores, sua Câmara gastou R$ 94.980.787,56 entre maio de 2025 e abril deste ano.
O custo por morador chega a R$ 322,11, o segundo maior do grupo.
São Caetano, mesmo com população significativamente menor, aparece em segundo lugar no gasto total, com R$ 78 milhões, mas lidera com folga no indicador per capita.
Cotia também se destaca, com R$ 67,72 milhões e R$ 233,93 por habitante.
Veja o ranking das 28 Câmaras
| Posição | Município | População | Vereadores | Despesa | Por habitante |
| 1 | São Caetano do Sul | 172.693 | 21 | R$ 78.011.181,04 | R$ 451,73 |
| 2 | Guarujá | 294.871 | 19 | R$ 94.980.787,56 | R$ 322,11 |
| 3 | Cotia | 289.493 | 17 | R$ 67.719.980,54 | R$ 233,93 |
| 4 | Santana de Parnaíba | 163.787 | 17 | R$ 31.923.211,39 | R$ 194,91 |
| 5 | Hortolândia | 248.842 | 19 | R$ 44.107.702,05 | R$ 177,25 |
| 6 | Rio Claro | 210.323 | 19 | R$ 36.472.827,94 | R$ 173,41 |
| 7 | Itapevi | 242.995 | 17 | R$ 41.298.260,88 | R$ 169,96 |
| 8 | Taboão da Serra | 285.307 | 13 | R$ 47.224.816,03 | R$ 165,52 |
| 9 | Embu das Artes | 259.788 | 21 | R$ 39.537.031,13 | R$ 152,19 |
| 10 | Santa Bárbara d’Oeste | 189.456 | 19 | R$ 27.547.100,27 | R$ 145,40 |
| 11 | Americana | 247.571 | 19 | R$ 34.842.825,84 | R$ 140,74 |
| 12 | Itapecerica da Serra | 163.003 | 15 | R$ 22.778.540,69 | R$ 139,74 |
| 13 | Araçatuba | 208.415 | 15 | R$ 28.587.239,35 | R$ 137,17 |
| 14 | Marília | 247.348 | 17 | R$ 31.749.026,77 | R$ 128,36 |
| 15 | Bragança Paulista | 185.688 | 19 | R$ 23.816.272,85 | R$ 128,26 |
| 16 | Sumaré | 291.116 | 21 | R$ 36.775.649,94 | R$ 126,33 |
| 17 | Ferraz de Vasconcelos | 186.479 | 17 | R$ 22.576.677,25 | R$ 121,07 |
| 18 | São Carlos | 266.427 | 21 | R$ 31.088.095,40 | R$ 116,69 |
| 19 | Jacareí | 250.952 | 13 | R$ 29.128.299,28 | R$ 116,07 |
| 20 | Pindamonhangaba | 172.681 | 11 | R$ 19.175.536,42 | R$ 111,05 |
| 21 | Araraquara | 253.474 | 18 | R$ 27.278.570,34 | R$ 107,62 |
| 22 | Itu | 175.047 | 13 | R$ 18.204.685,27 | R$ 104,00 |
| 23 | Indaiatuba | 269.657 | 12 | R$ 26.914.261,75 | R$ 99,81 |
| 24 | Itapetininga | 164.256 | 19 | R$ 16.311.703,38 | R$ 99,31 |
| 25 | Atibaia | 167.161 | 11 | R$ 15.973.735,13 | R$ 95,56 |
| 26 | Mogi Guaçu | 160.318 | 13 | R$ 11.595.555,00 | R$ 72,33 |
| 27 | Francisco Morato | 171.476 | 12 | R$ 10.737.095,62 | R$ 62,62 |
| 28 | Presidente Prudente | 234.706 | 13 | R$ 12.736.434,63 | R$ 54,27 |
São 461 vereadores para 6,17 milhões de habitantes
Os 28 municípios analisados somam 461 vereadores.
Há cidades com apenas 11 parlamentares, como Atibaia e Pindamonhangaba, enquanto outras possuem 21, casos de São Caetano do Sul, Embu das Artes, São Carlos e Sumaré.
Araçatuba tem 15 vereadores.
O número de cadeiras, porém, é apenas um dos componentes do custo. As Câmaras também mantêm assessores, servidores efetivos e comissionados, contratos de prestação de serviços, prédios, veículos, equipamentos e estruturas administrativas próprias.
Por isso, dividir a despesa apenas pelo número de vereadores pode criar a impressão equivocada de que todo o recurso é gasto diretamente com os parlamentares.
R$ 929 milhões em um ano
Somadas, as despesas das 28 Câmaras chegam a R$ 929.093.103,74 no período entre maio de 2025 e abril de 2026.
É praticamente R$ 1 bilhão em um ano apenas neste grupo de municípios paulistas de porte médio.
Dividido pela população total de 6.173.330 habitantes, o valor equivale a R$ 150,50 por morador.
Há uma diferença metodológica importante: o Mapa das Câmaras também apresenta referência de R$ 148,12, que corresponde à média simples dos indicadores individuais. Já os R$ 150,50 resultam da divisão de toda a despesa das 28 Câmaras pela população conjunta, oferecendo uma média ponderada pelo número de habitantes.
Números precisam estimular comparação
O objetivo do Mapa das Câmaras do TCE-SP é justamente permitir que a população compare estruturas e despesas dos Legislativos.
Os dados não permitem afirmar, isoladamente, que determinada Câmara seja eficiente apenas porque gasta menos ou ineficiente porque gasta mais.
Mas diferenças superiores a oito vezes no custo por morador entre cidades da mesma faixa populacional são suficientes para levantar questões importantes.
Quanto da despesa vai para pessoal? Quantos cargos efetivos e comissionados existem? Quais são os valores dos contratos? Quanto se gasta com estrutura administrativa? Há devolução de recursos ao Executivo? O tamanho da estrutura corresponde efetivamente ao serviço oferecido?
São essas respostas que permitem avançar da simples comparação de valores para uma avaliação real da eficiência do gasto público.
Para o Nossa Cidade, o levantamento coloca Araçatuba em uma posição intermediária: não está entre as Câmaras mais caras do grupo e apresenta gasto por morador inferior à média geral, mas existem 15 municípios do mesmo porte com custo per capita menor.
O dado serve menos para celebrar ou condenar e mais para fazer aquilo que deve acompanhar permanentemente o uso de dinheiro público: comparar, questionar e cobrar transparência.






