Terça-feira, 22 de setembro de 2026
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Custo das Câmaras varia mais de 8 vezes; Araçatuba gasta R$ 28,6 milhões e R$ 137 por morador

Dados do Mapa das Câmaras, do TCE-SP, mostram despesas de 28 Legislativos paulistas entre maio de 2025 e abril de.

Custo das Câmaras varia mais de 8 vezes; Araçatuba gasta R$ 28,6 milhões e R$ 137 por morador

Dados do Mapa das Câmaras, do TCE-SP, mostram despesas de 28 Legislativos paulistas entre maio de 2025 e abril de 2026; grupo reúne 6,17 milhões de habitantes, 461 vereadores e gasto médio de R$ 150,50 por morador

ANTÔNIO CRISPIM – ARAÇATUBA

Quanto custa manter uma Câmara Municipal em cidades paulistas de porte semelhante? Dados do Mapa das Câmaras, ferramenta do Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCE-SP), mostram diferenças expressivas entre os Legislativos de 28 municípios com população entre 160 mil e 300 mil habitantes.

O levantamento considera as despesas realizadas no período de maio de 2025 a abril de 2026. Juntas, essas cidades possuem 6.173.330 habitantes, 461 vereadores e despesas legislativas que somam aproximadamente R$ 929,1 milhões.

Quando o gasto total das 28 Câmaras é dividido pela população conjunta, a despesa média é de R$ 150,50 por habitante.

Araçatuba aparece em posição intermediária. Com 208.415 habitantes e 15 vereadores, a Câmara registrou despesa de R$ 28.587.239,35, equivalente a R$ 137,17 por morador.

O valor fica cerca de 9% abaixo da média per capita de R$ 150,50 do conjunto dos 28 municípios.

Araçatuba é a 13ª em custo por habitante

Quando os municípios são ordenados do maior para o menor gasto per capita, Araçatuba ocupa a 13ª posição entre as 28 Câmaras.

Doze municípios apresentam custo por habitante superior ao araçatubense e 15 registram valores inferiores.

Logo acima de Araçatuba aparecem Itapecerica da Serra, com R$ 139,74 por habitante, e Americana, com R$ 140,74. Abaixo estão Marília, com R$ 128,36, e Bragança Paulista, com R$ 128,26.

Diferença entre os extremos passa de oito vezes

A comparação mais impactante aparece entre São Caetano do Sul e Presidente Prudente.

São Caetano do Sul tem população de 172.693 habitantes e despesa legislativa de R$ 78 milhões, o equivalente a R$ 451,73 por morador.

Presidente Prudente, com população bem maior, de 234.706 habitantes, registra gasto de apenas R$ 12,74 milhões, ou R$ 54,27 por habitante.

Isso significa que o gasto per capita de São Caetano é aproximadamente 8,3 vezes superior ao de Presidente Prudente.

A diferença mostra como municípios enquadrados na mesma faixa populacional podem manter estruturas legislativas com custos completamente distintos.

Presidente Prudente custa menos da metade de Araçatuba

A comparação com Presidente Prudente também chama atenção diretamente em relação a Araçatuba.

Apesar de Prudente possuir cerca de 26 mil habitantes a mais, sua Câmara gastou aproximadamente R$ 15,85 milhões menos no período analisado.

O custo per capita prudentino, de R$ 54,27, corresponde a menos da metade dos R$ 137,17 de Araçatuba.

Em outras palavras, proporcionalmente à população, a Câmara de Araçatuba custa aproximadamente 2,5 vezes mais por morador do que a de Presidente Prudente.

Isso não significa, isoladamente, que uma Câmara seja mais eficiente que a outra. Estrutura administrativa, número de funcionários, salários, contratos, prédios, serviços, investimentos e outras despesas interferem no resultado. Mas a diferença é suficientemente grande para justificar uma análise mais aprofundada.

Araraquara tem mais habitantes e gasta menos

Outra comparação regional importante envolve Araraquara.

O município possui 253.474 habitantes, cerca de 45 mil a mais que Araçatuba, e 18 vereadores.

Mesmo assim, sua Câmara gastou R$ 27.278.570,34, valor aproximadamente R$ 1,3 milhão inferior aos R$ 28,59 milhões registrados em Araçatuba.

Por habitante, Araraquara apresenta custo de R$ 107,62, contra R$ 137,17 em Araçatuba.

A diferença é de quase R$ 30 por morador.

Rio Claro tem população semelhante e gasto maior

Rio Claro oferece uma comparação quase direta em população.

São 210.323 habitantes, apenas 1.908 a mais que Araçatuba.

Sua Câmara, entretanto, registrou despesa de R$ 36.472.827,94, aproximadamente R$ 7,9 milhões superior à de Araçatuba.

O gasto por habitante em Rio Claro chega a R$ 173,41, contra os R$ 137,17 araçatubenses.

Guarujá lidera em gasto absoluto

Se o critério for apenas o valor total gasto, o Guarujá aparece no topo.

Com população de 294.871 habitantes e 19 vereadores, sua Câmara gastou R$ 94.980.787,56 entre maio de 2025 e abril deste ano.

O custo por morador chega a R$ 322,11, o segundo maior do grupo.

São Caetano, mesmo com população significativamente menor, aparece em segundo lugar no gasto total, com R$ 78 milhões, mas lidera com folga no indicador per capita.

Cotia também se destaca, com R$ 67,72 milhões e R$ 233,93 por habitante.

Veja o ranking das 28 Câmaras

Posição Município População Vereadores Despesa Por habitante
1 São Caetano do Sul 172.693 21 R$ 78.011.181,04 R$ 451,73
2 Guarujá 294.871 19 R$ 94.980.787,56 R$ 322,11
3 Cotia 289.493 17 R$ 67.719.980,54 R$ 233,93
4 Santana de Parnaíba 163.787 17 R$ 31.923.211,39 R$ 194,91
5 Hortolândia 248.842 19 R$ 44.107.702,05 R$ 177,25
6 Rio Claro 210.323 19 R$ 36.472.827,94 R$ 173,41
7 Itapevi 242.995 17 R$ 41.298.260,88 R$ 169,96
8 Taboão da Serra 285.307 13 R$ 47.224.816,03 R$ 165,52
9 Embu das Artes 259.788 21 R$ 39.537.031,13 R$ 152,19
10 Santa Bárbara d’Oeste 189.456 19 R$ 27.547.100,27 R$ 145,40
11 Americana 247.571 19 R$ 34.842.825,84 R$ 140,74
12 Itapecerica da Serra 163.003 15 R$ 22.778.540,69 R$ 139,74
13 Araçatuba 208.415 15 R$ 28.587.239,35 R$ 137,17
14 Marília 247.348 17 R$ 31.749.026,77 R$ 128,36
15 Bragança Paulista 185.688 19 R$ 23.816.272,85 R$ 128,26
16 Sumaré 291.116 21 R$ 36.775.649,94 R$ 126,33
17 Ferraz de Vasconcelos 186.479 17 R$ 22.576.677,25 R$ 121,07
18 São Carlos 266.427 21 R$ 31.088.095,40 R$ 116,69
19 Jacareí 250.952 13 R$ 29.128.299,28 R$ 116,07
20 Pindamonhangaba 172.681 11 R$ 19.175.536,42 R$ 111,05
21 Araraquara 253.474 18 R$ 27.278.570,34 R$ 107,62
22 Itu 175.047 13 R$ 18.204.685,27 R$ 104,00
23 Indaiatuba 269.657 12 R$ 26.914.261,75 R$ 99,81
24 Itapetininga 164.256 19 R$ 16.311.703,38 R$ 99,31
25 Atibaia 167.161 11 R$ 15.973.735,13 R$ 95,56
26 Mogi Guaçu 160.318 13 R$ 11.595.555,00 R$ 72,33
27 Francisco Morato 171.476 12 R$ 10.737.095,62 R$ 62,62
28 Presidente Prudente 234.706 13 R$ 12.736.434,63 R$ 54,27

São 461 vereadores para 6,17 milhões de habitantes

Os 28 municípios analisados somam 461 vereadores.

Há cidades com apenas 11 parlamentares, como Atibaia e Pindamonhangaba, enquanto outras possuem 21, casos de São Caetano do Sul, Embu das Artes, São Carlos e Sumaré.

Araçatuba tem 15 vereadores.

O número de cadeiras, porém, é apenas um dos componentes do custo. As Câmaras também mantêm assessores, servidores efetivos e comissionados, contratos de prestação de serviços, prédios, veículos, equipamentos e estruturas administrativas próprias.

Por isso, dividir a despesa apenas pelo número de vereadores pode criar a impressão equivocada de que todo o recurso é gasto diretamente com os parlamentares.

R$ 929 milhões em um ano

Somadas, as despesas das 28 Câmaras chegam a R$ 929.093.103,74 no período entre maio de 2025 e abril de 2026.

É praticamente R$ 1 bilhão em um ano apenas neste grupo de municípios paulistas de porte médio.

Dividido pela população total de 6.173.330 habitantes, o valor equivale a R$ 150,50 por morador.

Há uma diferença metodológica importante: o Mapa das Câmaras também apresenta referência de R$ 148,12, que corresponde à média simples dos indicadores individuais. Já os R$ 150,50 resultam da divisão de toda a despesa das 28 Câmaras pela população conjunta, oferecendo uma média ponderada pelo número de habitantes.

Números precisam estimular comparação

O objetivo do Mapa das Câmaras do TCE-SP é justamente permitir que a população compare estruturas e despesas dos Legislativos.

Os dados não permitem afirmar, isoladamente, que determinada Câmara seja eficiente apenas porque gasta menos ou ineficiente porque gasta mais.

Mas diferenças superiores a oito vezes no custo por morador entre cidades da mesma faixa populacional são suficientes para levantar questões importantes.

Quanto da despesa vai para pessoal? Quantos cargos efetivos e comissionados existem? Quais são os valores dos contratos? Quanto se gasta com estrutura administrativa? Há devolução de recursos ao Executivo? O tamanho da estrutura corresponde efetivamente ao serviço oferecido?

São essas respostas que permitem avançar da simples comparação de valores para uma avaliação real da eficiência do gasto público.

Para o Nossa Cidade, o levantamento coloca Araçatuba em uma posição intermediária: não está entre as Câmaras mais caras do grupo e apresenta gasto por morador inferior à média geral, mas existem 15 municípios do mesmo porte com custo per capita menor.

O dado serve menos para celebrar ou condenar e mais para fazer aquilo que deve acompanhar permanentemente o uso de dinheiro público: comparar, questionar e cobrar transparência.

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