Terça-feira, 22 de setembro de 2026
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Democracia nunca foi o foco de Donald Trump

A invasão da Venezuela e o sequestro do ditador Nicolás Maduro por forças militares dos Estados Unidos, por ordem do.

Democracia nunca foi o foco de Donald Trump

A invasão da Venezuela e o sequestro do ditador Nicolás Maduro por forças militares dos Estados Unidos, por ordem do presidente Donald Trump, fez cair a máscara de democrata de Donald Trump. Restabelecer a democracia na Venezuela e preocupação com o povo venezuelano não fazem parte dos planos de poder de Trump. Ele e outras autoridades norte-americanas deixaram isso bem claro. O que interessa é o petróleo e ampliar o poder dos Estados Unidos no Caribe e América do Sul. Tanto que já ameaçou outros presidentes. 

O ocorrido na Venezuela é inexplicável para milhões de moradores da América Latina que não estão acostumados com ocupações desta forma. É impossível analisar o presente sem revisitar o passado,  principalmente a partir da segunda metade do século passado, quando vários países viveram sob ditaduras apoiadas pelos norte-americanos. 

Na década de 1950, no período pós-guerra e com o acirramento da  Guerra Fria, a América Latina passou por instabilidades. Em 1953 começou a revolução cubana, que terminou em 1959 com a vitória de Fidel Castro, depondo o ditador Fulgêncio Batista (que era apoiado pelos EUA) e implantando o regime socialista, resultando  em uma nova ditadura. Isso muito próximo dos Estados Unidos, que até hoje mantêm embargos a Cuba.

Em 1954, o general Alfredo Stroessner, com apoio dos Estados Unidos, deu golpe de estado no Paraguai, derrubando do poder seu aliado do partido colorado, Federico Chaves.  Stroessner governou o Paraguai com mão de ferro, com muita repressão e clientelismo. Foi a ditadura mais longa da América do Sul, de 1954 a 1989 – 35 anos.

Posteriormente vieram outros golpes de estado e ditaduras, sempre com a participação dos EUA, como no Brasil, Argentina, Uruguai, Peru, Chile, Nicarágua e Bolívia. Além da repressão, que resultou em milhares de mortes e desaparecidos (Bolsonaro disse que deveria ter matado mais), os países do Cone Sul ainda criaram a Operação Condor, que consistia em combater os resistentes que buscam refúgio em outros países do bloco. Muitos brasileiros sofreram em países vizinhos.

Como se observa, os Estados Unidos, após o problema com Cuba, sempre  agiu para que tivesse aliados em países importantes ou estratégicos. Estimulando ou contribuindo para a derrubada de governos mais progressistas, como foi o caso de João Goulart, no Brasil. Essas interferências dos EUA em governos da América Latina estão retratados em vários filmes. Tratam isso com normalidade. Mas até agora a ação era de forma indireta. Fomentava movimentos de resistência e até golpes de  estado, quando necessário. Os novos governos eram submissos aos interesses dos EUA. Agora, Trump  deixou de rodeios e agiu diretamente para depor um governo de país soberano. E já deu recados diretos para os presidentes de Cuba e Colômbia, além de ameaça à presidente da Venezuela. Ou seja, deixou claro que a invasão da Venezuela pode ter sido apenas um movimento de algo mis audacioso, que é submeter toda a América Latina ao governo de Washington. 

O objetivo está bem claro: poder e riquezas naturais. Não está preocupado com o povo (que ele enxotou dos EUA como bandidos) ou com aliados que não lhe oferecem vantagens (como os Bolsonaro). Para Trump, o que interessa é o poder, custe o que custar.

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