Especialista explica por que mentir pode ser comum na infância e orienta como pais devem agir sem piorar a situação
DA REDAÇÃO – SÃO PAULO
No Dia da Mentira, o tema costuma ser tratado com leveza. Mas dentro de casa, quando uma criança começa a negar o óbvio ou inventar histórias para escapar de broncas, a situação pode gerar dúvidas — e até preocupação.
Afinal, mentir na infância é um problema de comportamento ou parte natural do desenvolvimento?
Segundo a educadora Jacqueline Cappellano, coordenadora pedagógica da Escola Internacional de Alphaville, as primeiras mentiras costumam surgir entre os 3 e 4 anos — fase em que a criança começa a desenvolver imaginação, linguagem e noção das regras sociais.
“Na maioria das vezes, a mentira não está ligada à malícia. Ela surge por medo de punição, vontade de agradar ou até como extensão do faz de conta”, explica.
Mentira nem sempre é o que parece
De acordo com a especialista, nem tudo que parece mentira é, de fato, uma tentativa consciente de enganar. Muitas vezes, a criança mistura fantasia com realidade — algo comum no desenvolvimento emocional.
Situações como negar que fez algo errado ou inventar histórias, como uma viagem que nunca aconteceu, podem ser formas de autoproteção ou expressão da imaginação.
Reação dos pais pode piorar o problema
Um dos pontos mais importantes, segundo Jacqueline Cappellano, é a forma como os adultos reagem.
Broncas duras, castigos exagerados ou humilhações tendem a ter efeito contrário: aumentam o medo — e, consequentemente, a mentira.
O caminho mais eficaz é outro:
Manter a calma
Conversar com a criança
Explicar a importância da verdade
Valorizar quando ela fala a verdade
“Ambientes acolhedores fazem com que a criança se sinta segura para dizer a verdade, mesmo quando erra”, reforça.
O exemplo começa em casa
Outro fator decisivo é o comportamento dos adultos. Pequenas mentiras do dia a dia — como dizer que “não está em casa” para evitar alguém — são observadas pelas crianças e podem ser reproduzidas.
Ou seja, a construção da honestidade começa no exemplo.
Quando é hora de se preocupar?
Apesar de comum, a mentira pode se tornar um sinal de alerta em alguns casos:
Quando é frequente e sem motivo aparente
Quando prejudica outras pessoas
Quando envolve histórias muito elaboradas e distantes da realidade
Nessas situações, a orientação é buscar ajuda profissional, como um terapeuta infantil.
No fim das contas, o que parece apenas um “problema de comportamento” pode ser, na verdade, uma oportunidade de fortalecer vínculos e ensinar valores essenciais — como confiança, diálogo e honestidade.






