Terça-feira, 22 de setembro de 2026
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Dia da Mentira: quando a criança mente, é alerta ou parte do crescimento?

Especialista explica por que mentir pode ser comum na infância e orienta como pais devem agir sem piorar a situação.

Dia da Mentira: quando a criança mente, é alerta ou parte do crescimento?

Especialista explica por que mentir pode ser comum na infância e orienta como pais devem agir sem piorar a situação

DA REDAÇÃO – SÃO PAULO

No Dia da Mentira, o tema costuma ser tratado com leveza. Mas dentro de casa, quando uma criança começa a negar o óbvio ou inventar histórias para escapar de broncas, a situação pode gerar dúvidas — e até preocupação.

Afinal, mentir na infância é um problema de comportamento ou parte natural do desenvolvimento?

Segundo a educadora Jacqueline Cappellano, coordenadora pedagógica da Escola Internacional de Alphaville, as primeiras mentiras costumam surgir entre os 3 e 4 anos — fase em que a criança começa a desenvolver imaginação, linguagem e noção das regras sociais.

“Na maioria das vezes, a mentira não está ligada à malícia. Ela surge por medo de punição, vontade de agradar ou até como extensão do faz de conta”, explica.

Mentira nem sempre é o que parece

De acordo com a especialista, nem tudo que parece mentira é, de fato, uma tentativa consciente de enganar. Muitas vezes, a criança mistura fantasia com realidade — algo comum no desenvolvimento emocional.

Situações como negar que fez algo errado ou inventar histórias, como uma viagem que nunca aconteceu, podem ser formas de autoproteção ou expressão da imaginação.

Reação dos pais pode piorar o problema

Um dos pontos mais importantes, segundo Jacqueline Cappellano, é a forma como os adultos reagem.

Broncas duras, castigos exagerados ou humilhações tendem a ter efeito contrário: aumentam o medo — e, consequentemente, a mentira.

O caminho mais eficaz é outro:

Manter a calma

Conversar com a criança

Explicar a importância da verdade

Valorizar quando ela fala a verdade

“Ambientes acolhedores fazem com que a criança se sinta segura para dizer a verdade, mesmo quando erra”, reforça.

O exemplo começa em casa

Outro fator decisivo é o comportamento dos adultos. Pequenas mentiras do dia a dia — como dizer que “não está em casa” para evitar alguém — são observadas pelas crianças e podem ser reproduzidas.

Ou seja, a construção da honestidade começa no exemplo.

Quando é hora de se preocupar?

Apesar de comum, a mentira pode se tornar um sinal de alerta em alguns casos:

Quando é frequente e sem motivo aparente

Quando prejudica outras pessoas

Quando envolve histórias muito elaboradas e distantes da realidade

Nessas situações, a orientação é buscar ajuda profissional, como um terapeuta infantil.

No fim das contas, o que parece apenas um “problema de comportamento” pode ser, na verdade, uma oportunidade de fortalecer vínculos e ensinar valores essenciais — como confiança, diálogo e honestidade.

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