Segunda-feira, 28 de setembro de 2026
MPJ | Mais Pelo Jornalismo
Publicidade

Eleições sob hipnose: o Brasil vota sem debate

No próximo domingo, 4 de outubro, o Brasil vai às urnas escolher presidente, governadores, senadores e deputados. Em vez de um debate robusto sobre o futuro do país, o eleitor foi capturado por uma briga de bastidores no Supremo Tribunal Federal.

Decisões de ministros do STF transformaram a propaganda eleitoral em campo minado. O que deveria ser analisado desde o início, como  currículo, histórico e propostas dos candidatos foi interditado, deixando o eleitor praticamente impedido de escrutinar quem pede seu voto.

A poucas horas do pleito, dificilmente veremos a exposição concreta de propostas para enfrentar os principais desafios nacionais. Responsabilidade fiscal, crescimento econômico, segurança pública, saúde, educação, reindustrialização, revolução digital e transição energética não podem ficar ausentes dos debates em TVs, jornais e rádios.

Essa disputa de poder e egos no STF arrasta as instituições brasileiras para um mar de lama, desacreditando o próprio pilar da democracia. Assistimos, atônitos, a um Judiciário que legisla, a um Legislativo que executa e a um Executivo enfraquecido, esvaziado de suas funções constitucionais. Não à toa, segundo pesquisa do Datafolha divulgada em 26 de setembro, a avaliação negativa do STF atingiu o recorde de 47%, enquanto a desaprovação do Congresso Nacional ficou em 37%.

De acordo com o TSE, o número de candidatos a deputado federal nestas eleições é o menor registrado no país em 20 anos. A explicação pode estar nas mudanças nas regras eleitorais, como a cláusula de barreira, e no desalento do povo brasileiro com a política.

Democracias sólidas dependem de instituições fortes e críveis. Pessoas passam, instituições ficam. Hipnotizados, vemos o Brasil como um transatlântico comparado ao Titanic, em rota de colisão com um iceberg. A diferença para o Titanic real, naufragado em 1912, é que hoje o país tem instituições, técnicos e equipamentos para diagnosticar um colapso fiscal, monetário e social que se aproxima.

Em 2027, o mapa de navegação e o diagnóstico preveem mares revoltos e tempos difíceis. Como diz o velho ditado, “em tempos revoltos, o bom comandante se revela”. Independentemente da ausência de discussão de políticas públicas pelos candidatos mais bem pontuados, o presidente eleito terá um caminho árduo pela frente.

No dia 4, temos um dever com a República: que nós, eleitores, mesmo sem acesso a informações imprescindíveis para um voto racional, despidos de paixões de qualquer espectro político e vacinados contra o veneno dos extremismos, façamos a diferença tanto em São Paulo, na escolha de governador, senadores e deputados estaduais, quanto em Brasília, na escolha do presidente e dos deputados federais.

Que Deus nos ajude ou, ao menos, que a República sobreviva ao espetáculo.

Evandro Everson dos Sants é. policial militar aposentado e economista

Compartilhar
Publicidade

Leia também