Ministério Público de São Paulo integra força-tarefa; consumidora está internado
DA REDAÇÃO – ARAÇATUBA
O Ministério Público de São Paulo, por intermédio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO), instaurou Procedimento Investigatório Criminal para apurar a ocorrência de possível contaminação por metanol em bebidas alcoólicas comercializadas na cidade de Araçatuba. A medida decorre da internação hospitalar de um paciente com sintomas compatíveis de intoxicação por metanol após consumo de bebidas supostamente adulteradas ou falsificadas.
PACIENTE
GOVERNO ESTADUAL APREENDE BEBIDAS
A força-tarefa do Governo de São Paulo que combate os casos de intoxicação por metanol apreendeu, nesta quinta-feira (2), 50 caixas de bebidas que estavam em um caminhão em Diadema. O flagrante, realizado pela Polícia Civil, ocorreu durante uma operação voltada ao combate da comercialização de bebidas falsificadas.
Os agentes estavam fiscalizando um estabelecimento comercial na Vila Santa Maria quando o veículo encostou para descarregar a mercadoria. Durante a vistoria, os policiais desconfiaram de parte da carga.
De acordo com o boletim de ocorrência, havia 1,2 mil garrafas de cerveja preenchidas com um líquido semelhante a cachaça. O rótulo também era inapropriado, com indícios de ter sido trocado.
A nota fiscal indicou que a mercadoria foi adquirida de uma distribuidora em São Bernardo do Campo. Em diligências no local, os policiais constataram que no terreno havia maquinário, reservatórios, tonéis, botijões de gás, lenha e destiladoras.
Diante das suspeitas, cerca de 1,2 mil garrafas da bebida e o veículo usado para a entrega foram apreendidos. O material foi encaminhado para a perícia. O caso foi registrado no 4º Distrito Policial de Diadema como crime contra as relações de consumo. Um homem de 50 anos é investigado.
GOVERNO VAI COMPAR ANTÍDOTO
O Ministério da Saúde comprará, em caráter emergencial, antídotos contra intoxicações por metanol, a serem utilizados por estados e municípios para o tratamento de vítimas que tenham tomado bebidas alcoólicas adulteradas.
O governo pretende adquirir 150 mil ampolas de etanol farmacêutico, além da possibilidade de adquirir Fomepizol junto a produtores e agências internacionais. O anúncio foi feito pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha, via redes sociais.
“Determinamos a compra emergencial de 150 mil ampolas de etanol farmacêutico para reforçar estados e municípios no tratamento de vítimas. A Anvisa também acionou produtores e agências internacionais para adquirir Fomepizol, outro antídoto usado em casos de intoxicação”, postou o ministro.
Na quinta-feira (2), Padilha detalhou ações estratégicas de enfrentamento a esse tipo de intoxicação, durante reunião da sala de situação, criada pelo governo federal visando o monitoramento e a coordenação das iniciativas, em meio aos casos de suspeita e contaminação que vêm sendo identificados.
“O Ministério da Saúde estruturou, em parceria com a Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), um estoque estratégico em hospitais universitários federais e serviços do SUS com 4,3 mil ampolas de etanol farmacêutico. Além disso, está em andamento a compra emergencial de mais 5 mil tratamentos (150 mil ampolas), garantindo a reposição e distribuição do produto conforme a necessidade de estados e municípios”, informou o ministério.
Chamada Pública
De acordo com a pasta, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) fez uma chamada pública para identificar “fornecedores internacionais do fomepizol, medicamento específico para intoxicação por metanol, atualmente não disponível no Brasil”.
Esta ação vai mobilizar as 10 maiores agências reguladoras do mundo para que indiquem, em seus países, quais são os produtores do fomepizol.
O governo oficializou também um pedido à Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) para a doação imediata de 100 tratamentos de fomepizol.
Precaução
O ministério manifestou a intenção de adquirir outras 1 mil unidades do medicamento por meio da linha de crédito do Fundo Estratégico da Opas, o que poderá ampliar ainda mais o estoque nacional.
Ao anunciar as medidas, Padilha disse que esses pedidos e compras de antídotos estão sendo feitos por precaução.
“Nos últimos anos, não ultrapassamos 20 casos por ano, mas temos observado um registro maior no estado de São Paulo. Essas são medidas preventivas do Ministério da Saúde”, disse o ministro.
Casos suspeitos
Até a tarde de quinta-feira (2), o Brasil havia registrado 48 casos suspeitos de intoxicação por metanol. Outros 11 casos já haviam sido confirmados por meio de detecção laboratorial pelo Centro de Informações Estratégicas e Resposta de Vigilância em Saúde (Cievs), segundo a Sala de Situação instalada pelo governo federal
Apenas uma morte decorrente desse tipo de intoxicação foi confirmada pelo Ministério da Saúde no estado de São Paulo. Mais sete óbitos seguem em investigação, sendo dois em Pernambuco e os outros cinco também em São Paulo. ( AGÊNCIA BRASIL)







