EVANDRO EVERSON DOS SANTOS
Desde a nossa existência, as frustrações vivenciadas são inerentes à nossa condição humana. Acredito que parte delas é impossível não vivenciá-las. Porém, a outra parte, significativa, pode ser evitada. E o santo remédio; o bálsamo para evitar ou amenizar tal sentimento, é a ignorância.
A ignorância do saber, da informação, do senso crítico, do senso analítico, enfim, viver em um universo alheio à informação. Aliás, o Brasil é prolífico em produzir escândalos, fraudes, corruptores e corrompidos, o que inevitavelmente nos leva a mais frustrações.
O escândalo do Banco Master é o mais recente capítulo desse sentimento filosófico e emocional. Até então desconhecida pela maioria de nós brasileiros, a instituição financeira ganhou visibilidade no final do ano passado com a sua liquidação extrajudicial e a prisão de seu controlador o banqueiro Daniel Vorcaro.
Fraudes bilionárias em créditos fictícios e lavagem de dinheiro emergiram a superfície chocando o país, com prejuízos estimados entre R$ 47 á R$ 50 bilhões. Com uma ardilosa engenharia financeira, Vorcaro fez vítimas em toda instância do poder da república. Do legislativo ao judiciário a líderes proeminentes da política e dirigentes partidários, deixou prejuízos financeiros em investidores de alto risco, em fundos de pensões, bancos públicos, como também prejuízo moral e ético aos amigos detentores do poder.
Vencendo obstáculos quase instransponíveis impostos por autoridades máximas do Poder Judiciário, a imprensa independente e a Polícia Federal, tiveram papéis preponderantes e complementares jogando luz em uma cleptocracia de gravatas que até então, agiam sob uma opacidade. Cronologias da fraude á parte o que era improvável aconteceu.
Dias Toffoli, Ministro do STF, sob pressão e com fortes indícios de seu envolvimento deixou a relatoria do caso. E, tudo isso me remete a Eremildo o idiota. Personagem satírico, criada pelo jornalista, colunista e escritor Elio Gaspari; ingênuo e muitas vezes tolo, ele acredita em informações falsas, argumentos fracos ou discursos políticos superficiais, servindo como ferramenta para criticar a credulidade pública e posições políticas.
Eremildo, ingênuo por natureza, mesmo com revelações de poderosos envolvidos no caso Master, considerado a maior fraude bancária da história do Brasil, acredita que os responsáveis serão punidos com o rigor da lei. Parafraseando René Descartes “penso, logo hesito”, penso que ninguém será punido; haverá um grande acordo. Autoridades do BC a gabinetes ministeriais, todas serão salvas pela República. Deliberações premiadas, arquivos sigilosos e CPIs abortadas garantirão impunidade.
O povo, Eremildo coletivo, engolirá a narrativa oficial: Bancos e legisladores ditam regras; o FGC salvará o pequeno investidor com nosso dinheiro, elevando juros para o pobre. Reformas, códigos de condutas? Ilusão. Leis que prometem punições acabam virando piadas, enquanto fortunas evaporam em complexos ecossistemas financeiros.
A ignorância salva: quem ignora detalhes analíticos evita fúria estéril. Por fim, fica a indagação: ser feliz ou ter razão? Seremos eternos Eremildos o idiota, aplaudindo o grande acordo que preservará a elite ou estaremos condenados a frustrações crônicas do cotidiano?






