Relatório internacional aponta que quase um quarto das espécies está ameaçado; pesca excessiva e destruição de habitats são os principais vilões
A pressão das atividades humanas está levando centenas de espécies migratórias a um cenário crítico de sobrevivência. Aves, peixes e até grandes mamíferos enfrentam riscos crescentes de extinção em todo o planeta — um alerta reforçado durante a COP15 da Convenção sobre Espécies Migratórias, realizada neste mês em Campo Grande.
Os dados apresentados são preocupantes: cerca de 24% das espécies migratórias monitoradas já enfrentam risco global de extinção, enquanto 49% das populações estão em declínio.
Impactos diretos da ação humana
Especialistas apontam que a principal causa desse cenário é a interferência humana nos ecossistemas. Entre os fatores mais críticos estão:
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Destruição e fragmentação de habitats
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Expansão agrícola e uso de agrotóxicos
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Construção de barragens e infraestrutura
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Poluição em rotas migratórias
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Pesca predatória
Segundo o pesquisador Paulo Horta, da Universidade Federal de Santa Catarina, essas ações impactam diretamente a sobrevivência das espécies.
“Atividades humanas como agricultura, infraestrutura e barragens continuam sendo os principais impulsionadores do declínio, afetando 75% dessas espécies”, alerta.
Pesca predatória ameaça espécies
Entre os pontos mais críticos está a sobrepesca. Dados apresentados na conferência mostram que 70% das espécies migratórias são afetadas pela exploração excessiva, colocando em risco não apenas a biodiversidade, mas também comunidades tradicionais que dependem da pesca.
Além disso, populações de peixes migratórios de água doce sofreram uma queda de 81% desde 1970, evidenciando um colapso silencioso nos rios.
Exemplos que preocupam
Os impactos já são visíveis em diferentes regiões do Brasil:
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No Sul, a baleia-franca-austral enfrenta riscos com poluição e redução de áreas protegidas
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No Cerrado e no Pantanal, a onça-pintada perde território para o avanço agrícola
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Aves migratórias lidam com poluição e perda de áreas de descanso ao longo das rotas
Avanços e compromissos ambientais
Apesar do cenário preocupante, a conferência também trouxe avanços importantes:
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Inclusão de 40 novas espécies em listas de proteção internacional
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Fortalecimento da preservação de biomas como Pantanal e Amazônia
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Assinatura da Declaração do Pantanal, com foco em cooperação entre países
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Criação e ampliação de unidades de conservação
Durante o evento, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou medidas que somam 174 mil hectares de novas áreas protegidas.
O desafio global
Outro ponto levantado por especialistas é a fragilidade dos acordos internacionais, que dependem de consenso entre países — o que muitas vezes atrasa ações mais efetivas.
Ainda assim, iniciativas como programas de conservação e financiamento ambiental são apontadas como caminhos essenciais para reverter o cenário.
“Mais do que nunca, precisamos investir em conservação, monitoramento e educação ambiental para garantir o futuro dos ecossistemas”, reforça Paulo Horta.
Um alerta que não pode ser ignorado
O diagnóstico é claro: sem mudanças estruturais, a tendência é de agravamento da crise ambiental. A sobrevivência de espécies migratórias depende de ações coordenadas, proteção de rotas completas e redução dos impactos humanos.
O que está em jogo não é apenas a biodiversidade — mas o equilíbrio dos ecossistemas e o próprio futuro ambiental do planeta.






