Terça-feira, 22 de setembro de 2026
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Espécies migratórias entram em alerta global: ação humana coloca aves e peixes à beira da extinção

Relatório internacional aponta que quase um quarto das espécies está ameaçado; pesca excessiva e destruição de habitats são os principais.

Espécies migratórias entram em alerta global: ação humana coloca aves e peixes à beira da extinção

Relatório internacional aponta que quase um quarto das espécies está ameaçado; pesca excessiva e destruição de habitats são os principais vilões

A pressão das atividades humanas está levando centenas de espécies migratórias a um cenário crítico de sobrevivência. Aves, peixes e até grandes mamíferos enfrentam riscos crescentes de extinção em todo o planeta — um alerta reforçado durante a COP15 da Convenção sobre Espécies Migratórias, realizada neste mês em Campo Grande.

Os dados apresentados são preocupantes: cerca de 24% das espécies migratórias monitoradas já enfrentam risco global de extinção, enquanto 49% das populações estão em declínio.

Impactos diretos da ação humana

Especialistas apontam que a principal causa desse cenário é a interferência humana nos ecossistemas. Entre os fatores mais críticos estão:

  • Destruição e fragmentação de habitats

  • Expansão agrícola e uso de agrotóxicos

  • Construção de barragens e infraestrutura

  • Poluição em rotas migratórias

  • Pesca predatória

Segundo o pesquisador Paulo Horta, da Universidade Federal de Santa Catarina, essas ações impactam diretamente a sobrevivência das espécies.

“Atividades humanas como agricultura, infraestrutura e barragens continuam sendo os principais impulsionadores do declínio, afetando 75% dessas espécies”, alerta.

Pesca predatória ameaça espécies

Entre os pontos mais críticos está a sobrepesca. Dados apresentados na conferência mostram que 70% das espécies migratórias são afetadas pela exploração excessiva, colocando em risco não apenas a biodiversidade, mas também comunidades tradicionais que dependem da pesca.

Além disso, populações de peixes migratórios de água doce sofreram uma queda de 81% desde 1970, evidenciando um colapso silencioso nos rios.

Exemplos que preocupam

Os impactos já são visíveis em diferentes regiões do Brasil:

  • No Sul, a baleia-franca-austral enfrenta riscos com poluição e redução de áreas protegidas

  • No Cerrado e no Pantanal, a onça-pintada perde território para o avanço agrícola

  • Aves migratórias lidam com poluição e perda de áreas de descanso ao longo das rotas

Avanços e compromissos ambientais

Apesar do cenário preocupante, a conferência também trouxe avanços importantes:

  • Inclusão de 40 novas espécies em listas de proteção internacional

  • Fortalecimento da preservação de biomas como Pantanal e Amazônia

  • Assinatura da Declaração do Pantanal, com foco em cooperação entre países

  • Criação e ampliação de unidades de conservação

Durante o evento, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou medidas que somam 174 mil hectares de novas áreas protegidas.

O desafio global

Outro ponto levantado por especialistas é a fragilidade dos acordos internacionais, que dependem de consenso entre países — o que muitas vezes atrasa ações mais efetivas.

Ainda assim, iniciativas como programas de conservação e financiamento ambiental são apontadas como caminhos essenciais para reverter o cenário.

“Mais do que nunca, precisamos investir em conservação, monitoramento e educação ambiental para garantir o futuro dos ecossistemas”, reforça Paulo Horta.

Um alerta que não pode ser ignorado

O diagnóstico é claro: sem mudanças estruturais, a tendência é de agravamento da crise ambiental. A sobrevivência de espécies migratórias depende de ações coordenadas, proteção de rotas completas e redução dos impactos humanos.

O que está em jogo não é apenas a biodiversidade — mas o equilíbrio dos ecossistemas e o próprio futuro ambiental do planeta.

Foto destaque – Ave Maçarico-de-bico-torto (Foto de Rodrigo Agostinho)
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