Pesquisa da UFSCar aponta avanço da vegetação nativa, mas também pressão urbana e agrícola em áreas protegidas
DA REDAÇÃO – SÃO CARLOS
Um levantamento inédito mostra como leis ambientais e a ocupação do solo mudaram profundamente as matas ciliares em São Paulo nas últimas décadas — e acende um alerta sobre o uso irregular dessas áreas protegidas.
O estudo, desenvolvido por pesquisadores da UFSCar e publicado na revista Perspectives in Ecology and Conservation, analisou quase 40 anos de transformações nas Áreas de Preservação Permanente (APPs) ao longo de rios e cursos d’água, entre 1985 e 2022.
Avanços e retrocessos no mapa ambiental
Os dados revelam uma mudança significativa no cenário das APPs ripárias. Se em 1985 mais da metade dessas áreas (54%) era ocupada por agricultura e silvicultura, hoje a vegetação natural voltou a ganhar espaço.
Em 2022, as formações florestais passaram a representar 49% dessas áreas — um avanço importante, mas ainda longe do ideal.
A análise detalhada mostra um cenário misto:
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39% das áreas permaneceram preservadas ao longo de todo o período
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44% seguem ocupadas por atividades produtivas
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9% passaram por regeneração natural
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4% perderam vegetação nativa para novos usos
Pressão urbana cresce mais de 100%
Outro dado que chama atenção é o crescimento acelerado das áreas antrópicas, que aumentaram 113% no período analisado, com forte concentração na Região Metropolitana de São Paulo.
Além disso, apenas 0,4% das ocupações em APPs são consideradas antigas o suficiente para possível regularização — o que indica que a maior parte das intervenções ocorreu já sob regras ambientais mais rígidas.
Ferramentas tecnológicas ganham protagonismo
O estudo também destaca o papel das geotecnologias e dos Sistemas de Informações Geográficas (SIG) na fiscalização e no planejamento ambiental.
Segundo os pesquisadores, o uso dessas ferramentas permite:
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Identificar áreas prioritárias para restauração
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Melhorar a fiscalização ambiental
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Tornar o licenciamento mais eficiente
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Ampliar a transparência na gestão pública
Para os autores, integrar dados ambientais e legais é essencial para decisões mais assertivas.
Base para políticas públicas
A pesquisa foi conduzida pelo estudante Vinicius Moura Costa, com orientação do professor Paulo Guilherme Molin, e contou com a colaboração de especialistas, como Felipe Rosafa Gavioli.
Os resultados reforçam a necessidade de políticas públicas baseadas em evidências e monitoramento contínuo das áreas protegidas.
Desafio continua
Apesar dos avanços na regeneração, o estudo deixa claro: ainda há forte pressão sobre áreas que deveriam estar preservadas por lei.
O futuro das matas ciliares em São Paulo dependerá diretamente da capacidade de equilibrar produção, crescimento urbano e conservação ambiental — um desafio que segue no centro das discussões sobre sustentabilidade no país.
CRÉDITO. FOTO DESTAQUE – Paulo Guilherme Molin






