Terça-feira, 22 de setembro de 2026
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Estudo revela transformação nas matas ciliares em SP e acende alerta sobre uso irregular da terra

Pesquisa da UFSCar aponta avanço da vegetação nativa, mas também pressão urbana e agrícola em áreas protegidas DA REDAÇÃO –.

Estudo revela transformação nas matas ciliares em SP e acende alerta sobre uso irregular da terra

Pesquisa da UFSCar aponta avanço da vegetação nativa, mas também pressão urbana e agrícola em áreas protegidas

DA REDAÇÃO – SÃO CARLOS

Um levantamento inédito mostra como leis ambientais e a ocupação do solo mudaram profundamente as matas ciliares em São Paulo nas últimas décadas — e acende um alerta sobre o uso irregular dessas áreas protegidas.

O estudo, desenvolvido por pesquisadores da UFSCar e publicado na revista Perspectives in Ecology and Conservation, analisou quase 40 anos de transformações nas Áreas de Preservação Permanente (APPs) ao longo de rios e cursos d’água, entre 1985 e 2022.

Avanços e retrocessos no mapa ambiental

Os dados revelam uma mudança significativa no cenário das APPs ripárias. Se em 1985 mais da metade dessas áreas (54%) era ocupada por agricultura e silvicultura, hoje a vegetação natural voltou a ganhar espaço.

Em 2022, as formações florestais passaram a representar 49% dessas áreas — um avanço importante, mas ainda longe do ideal.

A análise detalhada mostra um cenário misto:

  • 39% das áreas permaneceram preservadas ao longo de todo o período

  • 44% seguem ocupadas por atividades produtivas

  • 9% passaram por regeneração natural

  • 4% perderam vegetação nativa para novos usos

Pressão urbana cresce mais de 100%

Outro dado que chama atenção é o crescimento acelerado das áreas antrópicas, que aumentaram 113% no período analisado, com forte concentração na Região Metropolitana de São Paulo.

Além disso, apenas 0,4% das ocupações em APPs são consideradas antigas o suficiente para possível regularização — o que indica que a maior parte das intervenções ocorreu já sob regras ambientais mais rígidas.

Ferramentas tecnológicas ganham protagonismo

O estudo também destaca o papel das geotecnologias e dos Sistemas de Informações Geográficas (SIG) na fiscalização e no planejamento ambiental.

Segundo os pesquisadores, o uso dessas ferramentas permite:

  • Identificar áreas prioritárias para restauração

  • Melhorar a fiscalização ambiental

  • Tornar o licenciamento mais eficiente

  • Ampliar a transparência na gestão pública

Para os autores, integrar dados ambientais e legais é essencial para decisões mais assertivas.

Base para políticas públicas

A pesquisa foi conduzida pelo estudante Vinicius Moura Costa, com orientação do professor Paulo Guilherme Molin, e contou com a colaboração de especialistas, como Felipe Rosafa Gavioli.

Os resultados reforçam a necessidade de políticas públicas baseadas em evidências e monitoramento contínuo das áreas protegidas.

Desafio continua

Apesar dos avanços na regeneração, o estudo deixa claro: ainda há forte pressão sobre áreas que deveriam estar preservadas por lei.

O futuro das matas ciliares em São Paulo dependerá diretamente da capacidade de equilibrar produção, crescimento urbano e conservação ambiental — um desafio que segue no centro das discussões sobre sustentabilidade no país.

CRÉDITO. FOTO DESTAQUE – Paulo Guilherme Molin

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