O governo do prefeito Lucas Zanatta convidou a imprensa para entrevista coletiva no dia 26 de novembro, quando foi anunciada a liberação do primeiro trecho das obras da Avenida Joaquim Pompeu de Toledo até o fim da segunda semana de dezembro (terminou ontem e o trecho não foi liberado). Qualquer pessoa que entrasse no Climatempo iria ver a previsão de chuva nos próximos 15 dias. Logo, não era difícil imaginar que a obra não teria como ser concluída. Armaram um palco para o prefeito fazer um anúncio de algo que se concretizaria. A oposição não precisa fazer nada, o entorno do prefeito o desgasta naturalmente. Ainda fizeram questão de dizer que tudo foi solicitação do prefeito à Samar, pensando nas famílias que não conseguem chegar com carro na residência. Tudo gravado e divulgado. Para que tal desgaste?
Risco de governos personalistas
Os governos personalistas são típicos de ditaduras, mas também ocorrem em sistemas democráticos, mas há muitos riscos. José Sarney tinha muita gente em seu entorno, como Fernando César Mesquita e o próprio Ulysses Guimarães, que o defendia. Fernando Collor de Mello, sem lastro político e partido minúsculo, investiu na sua pessoa e deu certo por pouco tempo e depois fracassou e foi cassado. Fernando Henrique Cardoso, mesmo com partido forte, tinha a blindagem de Sérgio Motta. Lula chegou ao poder e tinha muita gente em seu entorno. Depois Dilma, que tentou impor governo personalista e perdeu força, caindo em seguida. Jair Bolsonaro também quis impor seu estilo de governo, acabou se desgastando por seus erros em comentários desnecessários. Lula voltou mais isolado, sem os nomes fortes do passado e se tornou refém do Parlamento e ainda comete alguns erros em discursos. Governo personalista exige carisma e lastro político. Sem isso, pode fraquejar.
Moderação nas redes sociais
Os governantes precisam usar as redes sociais com moderação e não para ficarem expostos o tempo todo. Há momentos que é necessário, como em vários momentos o prefeito Lucas Zanatta fez para esclarecimentos importantes. Mas o prefeito ir às redes sociais para comemorar 100 sarjetões e depois ter que conviver com enchentes em vários pontos da cidade, sem ter um plano de emergência definido, é falta de alguém para impedir aparições desnecessárias. Ou ele é daqueles que não ouve ninguém.
Por falar em inundações
Atribuir as inundações da região da Lagoa das Flores apenas ao elevado volume de chuvas é menosprezar a capacidade de raciocínio das pessoas. A meteorologia hoje é muito precisa e é possível antecipar medidas preventivas. O ONS (Operador Nacional do Sistema), monitora os reservatórios de todo o país, determinando volume que pode ou deve ser liberado. Isso é gestão. Já prevendo o elevado volume de chuva que atingiria a cidade, o que foi feito? Além disso há o agravante de que o Córrego Machadinho, para onde a água da lagoa é drenada, foi canalizado e suas margens foram impermeabilizadas. Tudo isso precisa ser analisado. Seguramente há mais de 13 anos não houve inundação de casas na região da Lagoa das Flores. A lagoa chegou a transbordar, mas sem invadir casas próximas. Neste período houve precipitações elevadas também, próximas da que foi registrada sábado. O assunto precisa ser analisado do ponto de vista técnico e sem paixões políticas. Mas também sem esconder verdades.






