Anvisa analisa novos medicamentos com semaglutida, mas especialista reforça que tratamento não substitui mudança de hábitos
DA REDAÇÃO – SÃO PAULO
A expiração da patente do Ozempic no Brasil abre caminho para uma possível ampliação do acesso a medicamentos com o mesmo princípio ativo. No entanto, especialistas alertam que o avanço no mercado não resolve, por si só, os desafios relacionados à saúde metabólica da população.
Segundo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária, atualmente há oito processos em análise para novos produtos com semaglutida e outros nove aguardando avaliação técnica. Apesar disso, a liberação não é imediata, já que todos os medicamentos precisam comprovar eficácia, segurança e qualidade antes de chegar às farmácias.
Mais oferta, mas sem solução imediata
Para a nutricionista Bela Clerot, especialista em diabetes, a maior concorrência pode, ao longo do tempo, facilitar o acesso ao tratamento, mas não substitui o cuidado contínuo com a saúde.
“O fim da patente pode ampliar o acesso, mas isso não acontece da noite para o dia e não substitui prevenção, acompanhamento e mudança de hábitos”, afirma.
Crescimento do diabetes e da obesidade preocupa
Dados do Ministério da Saúde mostram um cenário preocupante: entre 2006 e 2024, o diagnóstico de diabetes entre adultos mais que dobrou nas capitais brasileiras, passando de 5,5% para 12,9%.
No mesmo período:
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o excesso de peso subiu de 42,6% para 62,6%
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a obesidade avançou de 11,8% para 25,7%
Para a especialista, esses números indicam que o problema vai além do acesso a medicamentos.
Medicamento não substitui mudança de rotina
Apesar de eficaz no tratamento do diabetes tipo 2 e no controle do peso, a semaglutida — classe dos medicamentos conhecidos como agonistas de GLP-1 — não resolve sozinha as causas do problema.
De acordo com Bela, o risco é tratar o remédio como solução completa, ignorando fatores essenciais como alimentação, sono, rotina e acompanhamento médico.
“Muita gente já apresenta sinais como cansaço, fome frequente, ganho de peso abdominal e exames alterados, mas atribui isso ao estresse ou à rotina. O corpo dá sinais antes do diagnóstico”, explica.
Debate precisa ir além do acesso
A popularização de medicamentos como o Ozempic ampliou o debate sobre emagrecimento e controle glicêmico, mas, segundo a especialista, ainda há uma lacuna importante na discussão pública.
Para ela, o foco não deve ser apenas quando o medicamento ficará mais barato ou acessível, mas por que tantas pessoas chegam a depender de soluções rápidas para problemas que se desenvolvem ao longo dos anos.
“O debate sobre preço é importante, mas não pode apagar o que vem antes: prevenção, orientação e estratégia de longo prazo”, conclui.






