Terça-feira, 22 de setembro de 2026
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Fortuna incinerada

José Renato Nalini 2025 marca os dez anos do Acordo de Paris, os dez anos da Encíclica “Laudato Si” do.

Fortuna incinerada

José Renato Nalini

2025 marca os dez anos do Acordo de Paris, os dez anos da Encíclica “Laudato Si” do Papa ecológico, Francisco Bergoglio, mais a COP30 na Amazônia. Só que o Brasil não tem muita coisa bonita para mostrar. A devastação da floresta, que gera o efeito-estufa, em lugar de arrefecer ou de cessar, só aumentou.

O círculo vicioso de temperaturas elevadas, estiagens oriundas da mudança climática aumentam a destruição. A plataforma Global Forest Watch – GFW, divulgou que em 024 o planeta perdeu mais de trinta milhões de hectares de cobertura arbórea, cinco por cento a mais do que em 2023. Os incêndios emitiram 4,3 gigatoneladas de gases do efeito estufa, quatro vezes mais do que as viagens aéreas em 202. O Brasil registrou uma alta de 154% de incêndios em 2024. Com os quase três milhões de hectares, o Brasil possui quase metade da área total destruída nas regiões tropicais do planeta, comparando-se 2024 com 2023, em que a destruição foi de pouco mais de um milhão de hectares.

É ridículo afirmar-se que o desmatamento ilegal poderá cessar em 2030. Essa leniência estatal, essa inércia e esse conformismo estão acabando com o maior patrimônio brasileiro, que é sua cobertura vegetal. Isso significa a fabricação muito célere de um novo deserto: o deserto amazônico. Em lugar de sequestrar carbono, a redução da umidade do solo causará o estresse que abreviará essa temível e terrível tragédia.

Mais de um terço da chuva que cai sobre a Amazônia é produzida pela própria floresta. Ela resulta da evapotranspiração, o fenômeno pelo qual moléculas de água liberadas pelas folhas, voltam para a atmosfera. Estamos condenando à morte essa imensa caixa d’água, essa monumental bomba hidráulica do clima planetário.

O cataclismo que Marcelo Leite enxerga como chegando em câmera lenta (“Amazônia sobreviveria à crise do clima?”) parece ganhar velocidade, como na lei da física: uniformemente acelerada.

E assim destruímos nosso patrimônio, mesmo sem antes de conhecê-lo integralmente e de recuperar nossa economia capenga, servindo-nos daquilo que nos foi ofertado gratuitamente. E, talvez por isso, tão desprezado pelo ingrato bicho-homem que aqui aportou.

*José Renato Nalini é Reitor da UNIREGISTRAL, docente da Pós-graduação da UNINOVE e Secretário-Executivo das Mudanças Climáticas de São Paulo.     

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