Atuação rápida e especializada foi decisiva para preservar a vida do animal, que segue em recuperação sob monitoramento contínuo
DA REDAÇÃO – ARAÇATUBA
A atuação ágil, técnica e integrada do Hospital Veterinário do Unisalesiano foi fundamental para salvar a vida de um queixada (Tayassu pecari) do Zoológico Municipal Dr. Flávio Leite Ribeiro, em Araçatuba. O animal passou por uma cirurgia de emergência na última segunda-feira (2), após sofrer um grave trauma ocular provocado por brigas com outros indivíduos da mesma espécie.
Diante da gravidade do caso, a Secretaria Municipal de Meio Ambiente (SMMA) acionou imediatamente o Hospital Veterinário do Unisalesiano, que mobilizou sua equipe multiprofissional e toda a estrutura necessária para o atendimento. O animal foi encaminhado à unidade, onde recebeu cuidados intensivos e passou por procedimentos cirúrgicos essenciais para sua recuperação.
Procedimentos cirúrgicos
A médica-veterinária Juliana Lopes Gobi, responsável pela cirurgia, explicou que foram realizados dois procedimentos principais. “Realizamos a enucleação, que é a retirada do globo ocular, além do desbridamento e sutura de feridas que o animal apresentava”, detalhou.
Segundo a profissional, a enucleação foi necessária devido ao comprometimento severo do olho. “Havia tecido sobressalente e o globo ocular já estava atrofiado e mais profundo. Iniciamos a cirurgia com uma incisão ao redor do olho, realizamos a desinserção da musculatura e, em seguida, a retirada do globo ocular. O procedimento transcorreu sem intercorrências”, afirmou. O fechamento foi feito com técnica intradérmica, o que dispensa a retirada posterior de pontos.
Durante a avaliação clínica, a equipe também identificou múltiplas feridas e abscessos pelo corpo do animal, possivelmente causados por mordeduras. “Fizemos a tricotomia das regiões afetadas, limpeza exaustiva com solução fisiológica e antisséptico, seguida do desbridamento das feridas, reavivando bordos que já estavam desgastados e epitelizados”, explicou Juliana.
Alguns abscessos foram drenados e lavados, e em determinadas lesões foi possível realizar pontos de aproximação para acelerar o processo de cicatrização. “Ao final, aplicamos a pomada Furanyl e realizamos o fechamento das áreas tratadas. Todo o procedimento ocorreu de forma tranquila”, completou.
Integração entre equipes
A coordenadora do Hospital Veterinário do Unisalesiano, Tatiane Poló, destacou a rapidez e a integração entre as equipes envolvidas. “Assim que a Secretaria de Meio Ambiente entrou em contato, verificamos a viabilidade do atendimento e mobilizamos imediatamente a equipe. Levamos todo o suporte anestésico, enquanto a Prefeitura ficou responsável pelo transporte do animal até o hospital, onde a cirurgia foi realizada”, explicou.
O procedimento foi decisivo para evitar infecções generalizadas, aliviar o sofrimento do animal e preservar sua vida. “O queixada recebeu cuidados pré e pós-operatórios e contou com a estrutura de ponta e a expertise dos médicos-veterinários e professores do Unisalesiano. A intervenção foi um sucesso, e o animal já retornou ao zoológico, onde segue em recuperação assistida”, ressaltou o secretário municipal de Meio Ambiente e Sustentabilidade, Marcelo Marques.
Recuperação e acompanhamento
A resposta clínica do animal surpreendeu positivamente a equipe. Em menos de 24 horas após a cirurgia, o queixada já havia recuperado a postura, se levantado e demonstrado comportamento ativo, indicando a eficácia do atendimento. O animal permanece sob monitoramento contínuo até a completa recuperação.
Atendimento de alta complexidade
O pró-reitor de Ensino, Pesquisa e Pós-Graduação do Unisalesiano, professor André Ornellas, destacou que o Hospital Veterinário da instituição reúne conhecimento técnico, infraestrutura especializada e profissionais altamente qualificados, permitindo respostas rápidas e eficazes em situações de alta complexidade.
“Além de salvar vidas, esse tipo de atendimento impacta diretamente a formação acadêmica. Os alunos têm contato com casos reais, vivenciam situações clínicas complexas e compreendem, na prática, o papel social da Medicina Veterinária e da universidade”, concluiu.






