ADELMO PINHO
Vão-se reis, santos, togados,
borboletas e pescados.
Ficam restos, mazelas, narrativas,
em meio a tanta “cabeça erguida”.
Égide da aristocracia —
à maioria, o estômago chia;
no extremo da miséria, a mulher perdia a “barriga”;
o chão secou, a planta não vingou;
o povo — cidadão — sumiu,
o público — espectador — surgiu.
Errante não é o bicho,
nem a planta, nem a terra, nem o mar,
quiçá o céu estrelado.
Errado é o pensar conformado,
é não acolher o des(amparado).
A palavra que sucede o verbo,
dantes tão louvada,
cai em des(arranjo),
des(afiando) arcanjos
numa terra ensanguentada.
Segue o des(assemelhado) —
semelhança profetizada —
rumo à encruzilhada,
ao encontro de tudo
ou nada.
Fé e razão — é o que resta?
Guerras, egoísmo… há solução?
E o caboclo do sertão,
com fome, sede
e suor na testa?
A dor de não ter pra dar
e matar o que lhe mata
leva ao des(acreditar).
O real é obscuro
à cognição limitada;
compreensão contestada,
fé questionada.
Niilismo é opção?
Nova forma de oração?
Tragédia humana —
inafastável caminhada;
des(igualdade),
des(umanizada).
Igualdade, só de epitáfio;
no epílogo,
injusta jornada.






