Laudo de consultoria apontou fragilidade do emissário de esgoto, mas Samar optou pelo não substituição e direção da Agência Reguladora e Fiscalizadora Daea concordou com a medida
ANTÔNIO CRISPIM – ARAÇATUBA
Os problemas da Avenida Pompeu de Toledo que se arrastam desde a madrugada do dia 27 de dezembro de 2022 e que culminaram com a interdição da pista sentido bairro-centro entre as ruas Anhanguera e Tupinambás não foram causados por intempéries, mas sim pela falta de fiscalização e rigor na execução das obras. A questão é tão complexa que um integrante do governo Dilador Borges Damasceno sugeriu que fosse feita denúncia ao Ministério Público. “Alguém precisa fazer denúncia ao MP para que o seu corpo técnico de engenheiros investigue toda obra e diga se fato de quem é a culpa”, disse o membro do antigo governo, sugerindo que o portal fizesse a denúncia, garantindo que a “verdade aparecerá”.
Há muitos documentos relacionados a esta obra, que enfrenta problemas e denúncias mesmo antes de ser iniciada. No início de 2023, diante dos sucessivos problemas registrados na avenida, houve esforço concentrado para encontrar as causas e buscar soluções. No entanto, um documento ao qual a reportagem do portal Nossa Cidade (nossacidade.online) teve acesso, deixa claro que todos sabiam da fragilidade da rede de esgoto e que mesmo assim a opção da Samar foi não fazer a substituição. Essa decisão foi aprovada pela Agência Reguladora e Fiscalizadora Daea e pelos responsáveis da empresa Infra, que fazia a consultoria para a agência. Porém, houve a ressalva de que a S amar ficaria responsável se surgissem novos problemas. E surgiram.
O relatório de vistoria realizada no dia 30 de março de 2023 e emitido no dia 4 de abril, assinado pelos engenheiros Aluízio Barros Fagundes e Júlio Fagundes Neves (Infra Engenharia e Consultoria), é bastante claro quanto aos problemas. Foi uma conjunção de fatores, como condição do solo, chuvas e fragilidade da rede emissária.
Relatou-se ainda que foi novamente televisado o interior da antiga tubulação de esgoto de concreto, não denunciando nenhuma fratura adicional. É opinião do Consultor da SAMAR/GS Inima, Eng. Jaime Scatena, que não haverá necessidade de ser feita sua substituição por tubos novos. Os tubos, poços de visita e bocas de lobo estão sendo consertados. A nova camada de rachão, associada com a da base do canal, funcionará como dreno. Em reunião posterior, no escritório da SAMAR, o Comissário Geral da AGRF, com anuência da INFRA, concordou com a não remoção do emissário antigo, esclarecendo, no entanto, que o risco de novas avarias continuaria sob a exclusiva responsabilidade da concessionária”, diz o relatório.
Em outro trecho, o relatório aponta que “Confirmou-se que o emissário antigo de tubos de concreto ф 600 mm, está bastante deteriorado em certos pontos, possibilitando infiltrações no solo adjacente e deficiência em poços de visita com fraturas, possibilitando infiltrações”. O relatório recomendou, também, construção de linha de drenos sub-superficial (tubos furados, a aproximadamente um metro de profundidade) próxima à guia da avenida, lado oposto ao córrego. Não se sabe se este trabalho foi executado pela Secretaria Municipal de Planejamento Urbano e Habitação.
PROBLEMAS RECORRENTES
Agora os problemas estão surgindo distante do ponto inicial. Os problemas de 2022 e 2023 foram nas proximidades da Rua Peru. Agora, os trabalhos estão sendo executados a aproximadamente 800 metros de distância, próximo à Travessa Morumbi. Está sendo construída uma rede nova paralela à antiga.A movimentação de máquinas já causou desmoronamento e sucessivos vazamentos da rede antiga, o que compromete o ritmo dos trabalhos. A nova rede de 600 milímetros será interligada a uma rede já existente de 400 milímetros. O poço de visita da interligação, segundo informações, fica na área de um posto de combustível.
Mesmo com desmoronamentos e vazamento de esgoto, não há informações sobre fiscalização do Crea (Conselho Regional de Engenharia e Agronomia) e da Cetesb (Companhia Ambiental do Estado de São Paulo).
DENÚNCIA AO MINISTÉRIO PÚBLICO
A reportagem apurou que a denúncia ao Ministério Público do Estado de São Paulo, como sugeriu o integrante do governo Dilador, foi feita pelo Observatório Social do Brasil, unidade de Araçatuba. Consultado, um representante do OSB disse que na denúncia foram apontados os riscos que hoje são reais. Porém, o promotor entendeu por arquivar a denúncia.






