Neste período foram registrados índices pluviométricos elevados, sem ameaçar residências; Câmara tem o dever de apurar o que aconteceu
ANTÔNIO CRISPIM – ARAÇATUBA
No dia 13 de dezembro de 2025 o transbordamento da Lagoa das Flores, em Araçatuba, com a inundação de muitas casas surpreendeu muita gente. O Corpo de Bombeiros e a Defesa Civil tiveram de agir para resgatar idosos, crianças e até animais. O portal Nossa Cidade (nossacidade.online) procurou muitos moradores e líderes da comunidade do Jardim América – imediações da lagoa – para saber quando houve a última enchente. A maioria fala em mais de 20 anos e teve quem falou no fim dos anos 1990. Porém, o técnico de futebol e ex-jogador da AEA, Rogério Ferreira, o China, que mora no local há muitos anos, disse que se recorda de enchente em 2010. Ou seja, pouco mais de 15 anos. Há regostros,também, de problemas em 2011.
Neste período foram registradas precipitações pluviométricas muitos próximas da registrada no dia 13 e a Lagoa das Flores chegou a transbordar, mas ficando muito distante das casas, sem qualquer risco de inundação, como ocorria no passado e lamentavelmente muitas famílias tiveram suas casas atingidas e elevados prejuízos. Porém, sempre houve trabalho preventivo nos meses que antecedem o período chuvoso, tanto no desassoreamento da lagoa para aumentar a capacidade de armazenamento como a limpeza de galerias e outras medidas preventivas.
A água da Lagoa das Flores é drenada, por meio de galerias, para o Córrego Machadinho, que antes, tinha grande extensão de várzea (brejo), exatamente no ponto onde a água chega. A várzea funcionava como esponja, absorvendo a água que chegava e liberando posteriormente para o leito do córrego. Com a canalização e a impermeabilização da várzea, o volume de água pode ter sido maior do que a capacidade de escoamento. Assim, a lagoa transbordou.
Exatamente por isso era necessário um trabalho preventivo, como acionamento da bomba para esvaziar a lagoa e também a limpeza (desassoreamento) aumentando a capacidade de armazenamento. Não se sabe se isso foi feito. Este é um ponto que precisa ser esclarecido e a Câmara precisa apurar se houve omissão ou negligência.
Quando foi instalado o sistema de bomba com acionamento por operador, o objetivo era exatamente antecipar a chuva e esvaziar a lagoa para receber mais água. Com acionamento automatizado em 2023, a bomba só entra em operação quando a água da lagoa atinge determinado nível. Neste caso, com o volume elevado de chuva e lagoa assoreada, o transbordamento é consequência natural, pois não há tempo para a drenagem.
Inmet divulgou em novembro chuva acima da média

Em 26 de novembro, o Instituto Nacional de Meteorologia, divulgou os estudos climáticos para o mês de dezembro. “Para a Região Sudeste são previstos volumes acima da média em praticamente todos os estados de Minas Gerais e Rio de Janeiro, bem como grande parte de São Paulo”, diz a matéria do Inmet.
Como se observa no mapa, a região de Araçatuba aparece na zona azul. Ou seja, acima da média. Portanto, no dia 26 de novembro já havia indicação de chuvas. Em outros institutos de meteorologia, é possível ver a previsão para até 15 dias. Tudo isso para facilitar o planejamento e ações preventivas.
Medidas preventivas são fundamentais

O engenheiro Sandro Botelho Cubas, desde que assumiu a Secretaria de Obras e Serviços Públicos, em 2012, no governo Cido Sério, sempre deixou claro que um dos focos do seu trabalho seria adotar medidas para impedir inundações nas casas próximas à Lagoa das Flores. Isso porque no ano anterior (2011), houve transbordamento com inundação.
Os trabalhos começaram em seguida. Em 2013, várias ações foram desenvolvidas.

Além da instalação da bomba para esvaziar a lagoa, em outubro foi feito o desassoreamento para aumentar a capacidade de armazenamento. No mês seguinte, foi construída a comporta, além de reforço do barranco e limpeza da área de contenção, do outro lado da Rua José Caetano Ruas.
Em 2014, os trabalhos preventivos começaram em agosto, e foram até outubro, com reforço dos barrancos e outras medidas. Trabalho de limpeza e manutenção da comporta e limpeza de galerias foram realizados em 2015 e 2016.
Nos anos seguintes, já no governo Dilador Borges Damasceno, medidas preventivas também foram desenvolvidas. Mesmo assim, houve transbordamento da lagoa em 2022. No entanto, nenhuma casa foi atingida. Em 2023, mudaram o sistema de bombeamento, substituindo a bomba com motor a diesel por uma elétrica com acionamento automático. Há informações de que a bomba anterior foi instalada. A preocupação é que se faltar energia, compromete o sistema.
Como se observa, a inundação causada pelo transbordamento da Lagoa das Flores no dia 13 de dezembro foi uma conjunção de fatores. É inegável que o elevado índice pluviométrico foi o principal fator, mas há outras questões que precisam ser analisadas, como a capacidade do Córrego Machadinho de receber todo o volume de água e medidas preventivas que podem não ter sido adotadas no tempo certo.
Vereadores reagem com vários requerimentos
Na sessão da Câmara do dia 15 de dezembro foram feitos vários requerimentos. O vereador Luís Boatto (Solidariedade) protocolou requerimento solicitando esclarecimentos sobre os alagamentos ocorridos em diferentes pontos do município, com destaque para o transbordamento da Lagoa das Flores. Em relação à lagoa, Boatto questiona o andamento da manutenção da bomba elétrica instalada para controle do nível da água, além de solicitar informações sobre quando foi realizada a última limpeza, a manutenção das áreas de reserva e os serviços de desassoreamento do local.
A vereadora Sol do Autismo (PL) também apresentou requerimento relacionado à Lagoa das Flores, com foco na estrutura de pessoal. Ela solicita informações sobre a quantidade de servidores que atuam no local, o horário de expediente desses trabalhadores e a identificação do encarregado ou responsável direto pela lagoa.






