Terça-feira, 27 de outubro de 2026
MPJ | Mais Pelo Jornalismo
Publicidade

Lula é reeleito presidente com 64,2 milhões de votos; TSE aponta desafios na apuração do segundo turno

Presidente do Tribunal Superior Eleitoral, ministro Kassio Nunes Marques, confirmou a vitória de Lula com 51,79% dos votos válidos, contra 48,21% de Flávio Bolsonaro, e explicou os impactos da prorrogação do horário de votação na totalização dos resultados

TSE

Presidente do TSE, Kássio Nunes Marques, faz balanço do 2º turno das Eleições 2026. Crédito: Luiz Roberto/Secom/TSE

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi reeleito neste domingo (25), ao conquistar 64.256.232 votos, equivalentes a 51,79% dos votos válidos, no segundo turno das Eleições 2026. Seu adversário, Flávio Bolsonaro (PL), recebeu 59.826.041 votos, ou 48,21%. A diferença entre os dois candidatos foi de 4.430.191 votos.

O resultado foi anunciado pelo presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, durante entrevista coletiva realizada momentos depois da conclusão da. apuração. Além de confirmar a reeleição presidencial, o magistrado apresentou um balanço do processo eleitoral, destacando a participação dos brasileiros, as medidas para facilitar o acesso às urnas e as dificuldades enfrentadas durante a apuração.

Nunes Marques também parabenizou os dois candidatos à Presidência pela participação no segundo turno, assim como os seis governadores eleitos.

“Esta noite não pertence apenas às chapas eleitas. Ela pertence, sobretudo, à eleitora e ao eleitor brasileiros, principais protagonistas das eleições e os destinatários de todo o trabalho realizado pela Justiça Eleitoral”, afirmou.

Mais de 128 milhões de brasileiros compareceram às urnas

Segundo o balanço apresentado pelo TSE, mais de 158 milhões de eleitores estavam aptos a participar do segundo turno. Desse total, aproximadamente 128,2 milhões compareceram às seções eleitorais.

A abstenção ficou em torno de 19,2%, percentual inferior aos 21,08% registrados no primeiro turno, realizado em 4 de outubro.

O presidente do Tribunal destacou que a Justiça Eleitoral disponibilizou mais de 95 mil locais de votação em todo o país, buscando reduzir deslocamentos e facilitar o exercício do voto.

Outro ponto abordado foi a oferta de transporte coletivo gratuito nos dias de eleição, conforme os parâmetros estabelecidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e regulamentados pelo TSE.

De acordo com Nunes Marques, os tribunais regionais eleitorais foram orientados a fiscalizar a disponibilização do serviço.

Prorrogação da votação provocou dificuldades na apuração

Um dos principais temas da coletiva foi a decisão liminar do Supremo Tribunal Federal que prorrogou das 17h para as 19h, no horário de Brasília, a votação nas seções eleitorais que ainda estavam abertas.

Segundo o presidente do TSE, a determinação, comunicada após o horário inicialmente previsto para o encerramento da votação, exigiu adaptações emergenciais nos sistemas e nas rotinas de totalização dos votos.

“Prorrogar uma eleição é possível, mas tem que ser pensado e estruturado”, declarou.

Nunes Marques relatou que recebeu o pedido de ampliação do horário por volta das 15h30 e buscou informações técnicas junto ao Tribunal Regional Eleitoral da Bahia, às prefeituras envolvidas e às equipes do TSE.

O ministro explicou que não havia regulamentação específica para uma prorrogação dessa natureza e que a mudança poderia provocar consequências operacionais difíceis de prever.

Como a decisão judicial foi proferida depois das 17h, milhares de urnas eletrônicas já haviam sido encerradas, sem possibilidade de reabertura.

Diante desse cenário, o TSE precisou suspender temporariamente o recebimento dos Boletins de Urna (BUs), provocando um acúmulo de arquivos que aguardavam processamento.

Apesar dos problemas, o presidente afirmou que o trabalho das equipes técnicas permitiu dar continuidade à apuração.

Apenas 0,31% das urnas precisaram ser substituídas

O balanço também apresentou dados sobre o funcionamento das urnas eletrônicas.

Das 499.248 urnas utilizadas no segundo turno, apenas 1.551 precisaram ser substituídas, o equivalente a 0,31% do total.

O presidente do TSE considerou o índice um indicador positivo da estrutura operacional utilizada pela Justiça Eleitoral.

Eleições tiveram mais de 2,2 mil processos no TSE

Outro destaque foi o elevado número de ações judiciais relacionadas ao processo eleitoral.

Segundo Kassio Nunes Marques, as Eleições 2026 registraram 2.265 processos submetidos ao Tribunal Superior Eleitoral.

Desse total, 827 foram representações e 446 corresponderam a pedidos de direito de resposta.

O ministro ressaltou que o grande volume de demandas exige equilíbrio entre a rapidez das decisões e o respeito às garantias processuais.

“Cada processo exige exame, contraditório, análise técnica, fundamentação e, quando cabível, apreciação colegiada. A celeridade é indispensável em matéria eleitoral, mas a celeridade não pode se sobrepor à adequada prestação jurisdicional”, afirmou.

Ele defendeu o aperfeiçoamento dos procedimentos para os próximos pleitos, com o objetivo de tornar a análise dos processos mais ágil, sem comprometer o devido processo legal.

Observadores acompanharam votação e auditorias

A presença de observadores nacionais e internacionais também foi destacada no balanço.

As missões tiveram acesso aos procedimentos de votação, aos mecanismos de auditoria e fiscalização e às informações necessárias para desenvolver seus trabalhos de maneira independente.

Segundo Nunes Marques, a participação dessas instituições contribui para ampliar a transparência e permite o aperfeiçoamento contínuo do sistema eleitoral brasileiro.

TSE destaca inclusão e participação política

O presidente do Tribunal também ressaltou medidas voltadas à ampliação da participação política de grupos historicamente sub-representados.

Entre as iniciativas mencionadas estão ações de incentivo à participação de mulheres, pessoas negras, povos indígenas, comunidades quilombolas, comunidades tradicionais e pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida.

Nunes Marques citou ainda os mecanismos de destinação mínima de recursos públicos para candidaturas femininas e negras, além de medidas específicas de promoção das candidaturas indígenas.

“Realizamos as eleições mais inclusivas da história da República brasileira”, afirmou o ministro.

Ele também mencionou o programa Seu Voto Importa, criado para ampliar o acesso dos cidadãos ao exercício do direito de votar.

Presidente agradece eleitores e mesários

Ao encerrar a coletiva, Kassio Nunes Marques agradeceu aos ministros do TSE, ao Ministério Público Eleitoral, aos magistrados, servidores, colaboradores e voluntários que participaram da organização das eleições.

O presidente também reconheceu o trabalho das forças de segurança, dos órgãos públicos, das instituições parceiras, dos partidos políticos, da imprensa e das entidades fiscalizadoras.

“Agradeço especialmente aos milhares de mesários, colaboradores e voluntários que dedicaram seu domingo ao funcionamento das seções eleitorais”, declarou.

Por fim, o ministro destacou a importância da participação popular no processo eleitoral.

“Agradeço, acima de tudo, ao povo brasileiro”, concluiu.

Compartilhar
Publicidade

Leia também