Terça-feira, 22 de setembro de 2026
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Mata Atlântica recupera 1,67 milhão de hectares em 10 anos, aponta estudo com participação da UFSCar

Pesquisa indica avanço da regeneração florestal entre 2011 e 2021 e reforça importância de proteger áreas que estão se recuperando.

Mata Atlântica recupera 1,67 milhão de hectares em 10 anos, aponta estudo com participação da UFSCar

Pesquisa indica avanço da regeneração florestal entre 2011 e 2021 e reforça importância de proteger áreas que estão se recuperando

DA REDAÇÃO – SÃO CARLOS

A Mata Atlântica registrou avanço significativo na restauração florestal na última década. Entre 2011 e 2021, cerca de 1,67 milhão de hectares de florestas nativas foram recuperados, segundo estudo publicado no periódico científico Perspectives in Ecology and Conservation.

A pesquisa foi baseada em dados da iniciativa MapBiomas e contou com a participação de pesquisadores da Universidade Federal de São Carlos.

Estados lideram recuperação da vegetação

O levantamento mostra que a regeneração florestal ocorreu com maior intensidade em alguns estados brasileiros. Os principais destaques foram:

  • Minas Gerais – 26,4%

  • Paraná – 18,6%

  • Bahia – 12,9%

  • São Paulo – 12,7%

Embora o estudo não diferencie áreas recuperadas por regeneração natural daquelas que receberam ações de restauração ativa, os pesquisadores indicam que a maior parte da recuperação ocorreu de forma natural.

Regeneração ocorre principalmente em áreas de uso misto

De acordo com o pesquisador Vinicius Tonetti, primeiro autor do estudo, os resultados mostram que a restauração em grande escala é possível mesmo em regiões com forte presença de atividades produtivas.

“Os dados mostram que restaurar a Mata Atlântica é um caminho viável e necessário para proteger a biodiversidade e enfrentar as mudanças climáticas, mesmo em paisagens com intensa atividade produtiva”, afirma.

A pesquisa aponta ainda que 75,2% do aumento da cobertura florestal ocorreu em áreas classificadas como mosaicos de uso, locais onde há mistura de lavouras, pastagens e vegetação em regeneração.

Essas áreas muitas vezes incluem pastagens abandonadas ou pouco produtivas, que podem voltar a se regenerar naturalmente quando as condições ambientais são favoráveis.

Florestas jovens ainda enfrentam risco de desaparecer

Apesar do avanço na recuperação, os pesquisadores alertam que parte dessas áreas regeneradas ainda é vulnerável.

O estudo indica que 568 mil hectares de vegetação que haviam se recuperado deixaram de existir até 2023, último ano considerado na análise.

Segundo Tonetti, isso reforça a necessidade de políticas públicas voltadas à proteção dessas áreas.

“O trabalho de restauração não termina quando a floresta começa a crescer. É fundamental proteger as florestas jovens para que elas se consolidem e continuem oferecendo benefícios ambientais”, explica.

Políticas públicas são consideradas essenciais

Entre as medidas apontadas pelos pesquisadores para garantir a permanência dessas áreas estão:

  • pagamento por serviços ambientais

  • fiscalização ambiental mais eficiente

  • políticas específicas para proteção de florestas secundárias

Essas áreas são consideradas estratégicas para preservação da biodiversidade, armazenamento de carbono e regulação do ciclo da água.

Animais ajudam a recuperar as florestas

Outro ponto destacado no estudo é o papel da fauna na regeneração natural das florestas.

Segundo os pesquisadores, muitas espécies de árvores tropicais dependem de aves e mamíferos frugívoros para dispersar suas sementes. Esses animais transportam e espalham sementes pela paisagem, favorecendo o crescimento de novas áreas florestais.

Pesquisa reúne cientistas de 14 instituições

O estudo contou com 16 cientistas de 14 instituições, incluindo universidades, organizações não governamentais e coletivos de restauração.

Todos os autores integram o Pacto pela Restauração da Mata Atlântica, articulação que reúne diferentes setores para promover a recuperação do bioma com benefícios ambientais, sociais e econômicos.

A pesquisa também recebeu apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo e está vinculada ao Centro de Ciência para o Desenvolvimento “Estratégia Mata Atlântica”, sediado no campus Lagoa do Sino da UFSCar.

FOTO DESTAQUE – (Foto: Vinicius Tonetti)
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