Pesquisa indica avanço da regeneração florestal entre 2011 e 2021 e reforça importância de proteger áreas que estão se recuperando
DA REDAÇÃO – SÃO CARLOS
A Mata Atlântica registrou avanço significativo na restauração florestal na última década. Entre 2011 e 2021, cerca de 1,67 milhão de hectares de florestas nativas foram recuperados, segundo estudo publicado no periódico científico Perspectives in Ecology and Conservation.
A pesquisa foi baseada em dados da iniciativa MapBiomas e contou com a participação de pesquisadores da Universidade Federal de São Carlos.
Estados lideram recuperação da vegetação
O levantamento mostra que a regeneração florestal ocorreu com maior intensidade em alguns estados brasileiros. Os principais destaques foram:
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Minas Gerais – 26,4%
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Paraná – 18,6%
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Bahia – 12,9%
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São Paulo – 12,7%
Embora o estudo não diferencie áreas recuperadas por regeneração natural daquelas que receberam ações de restauração ativa, os pesquisadores indicam que a maior parte da recuperação ocorreu de forma natural.
Regeneração ocorre principalmente em áreas de uso misto
De acordo com o pesquisador Vinicius Tonetti, primeiro autor do estudo, os resultados mostram que a restauração em grande escala é possível mesmo em regiões com forte presença de atividades produtivas.
“Os dados mostram que restaurar a Mata Atlântica é um caminho viável e necessário para proteger a biodiversidade e enfrentar as mudanças climáticas, mesmo em paisagens com intensa atividade produtiva”, afirma.
A pesquisa aponta ainda que 75,2% do aumento da cobertura florestal ocorreu em áreas classificadas como mosaicos de uso, locais onde há mistura de lavouras, pastagens e vegetação em regeneração.
Essas áreas muitas vezes incluem pastagens abandonadas ou pouco produtivas, que podem voltar a se regenerar naturalmente quando as condições ambientais são favoráveis.
Florestas jovens ainda enfrentam risco de desaparecer
Apesar do avanço na recuperação, os pesquisadores alertam que parte dessas áreas regeneradas ainda é vulnerável.
O estudo indica que 568 mil hectares de vegetação que haviam se recuperado deixaram de existir até 2023, último ano considerado na análise.
Segundo Tonetti, isso reforça a necessidade de políticas públicas voltadas à proteção dessas áreas.
“O trabalho de restauração não termina quando a floresta começa a crescer. É fundamental proteger as florestas jovens para que elas se consolidem e continuem oferecendo benefícios ambientais”, explica.
Políticas públicas são consideradas essenciais
Entre as medidas apontadas pelos pesquisadores para garantir a permanência dessas áreas estão:
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pagamento por serviços ambientais
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fiscalização ambiental mais eficiente
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políticas específicas para proteção de florestas secundárias
Essas áreas são consideradas estratégicas para preservação da biodiversidade, armazenamento de carbono e regulação do ciclo da água.
Animais ajudam a recuperar as florestas
Outro ponto destacado no estudo é o papel da fauna na regeneração natural das florestas.
Segundo os pesquisadores, muitas espécies de árvores tropicais dependem de aves e mamíferos frugívoros para dispersar suas sementes. Esses animais transportam e espalham sementes pela paisagem, favorecendo o crescimento de novas áreas florestais.
Pesquisa reúne cientistas de 14 instituições
O estudo contou com 16 cientistas de 14 instituições, incluindo universidades, organizações não governamentais e coletivos de restauração.
Todos os autores integram o Pacto pela Restauração da Mata Atlântica, articulação que reúne diferentes setores para promover a recuperação do bioma com benefícios ambientais, sociais e econômicos.
A pesquisa também recebeu apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo e está vinculada ao Centro de Ciência para o Desenvolvimento “Estratégia Mata Atlântica”, sediado no campus Lagoa do Sino da UFSCar.






